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“Pai Nosso convida-nos a aproximar de Deus com confiança filial”
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O Papa Francisco prosseguiu as catequeses sobre o Pai Nosso. Na semana em que o C9 passou a C6, o Papa desafiou os líderes mundiais a colocaram “os direitos humanos no centro de todas as políticas”, apelou a “gestos concretos de reconciliação” e pediu a proteção da Imaculada Conceição para as famílias na diáspora.

 

1. O Papa convidou os cristãos a elevarem ao céu as suas necessidades. “Continuando com as catequeses sobre o Pai Nosso, vemos como Jesus põe nos lábios dos discípulos uma oração breve, mas audaz; se não fosse Ele a ensiná-la, ninguém ousaria rezar a Deus dessa forma. Composta por sete petições, o Pai Nosso convida-nos a aproximar de Deus com confiança filial, sem preâmbulos nem termos solenes, simplesmente chamando-O Pai, pedindo-Lhe aquilo que corresponde às nossas necessidades básicas e existenciais, como é o caso do ‘pão nosso de cada dia’. Jesus ensina que Deus não nos quer anestesiados diante das dificuldades e sofrimentos, mas sim que elevemos ao céu as nossas necessidades, num clamor como aquele do cego Bartimeu que, gritando, pediu para ser curado. Com isso fica claro que a oração de petição, longe de ser uma forma inferior de diálogo com Deus, indica que Ele é um Pai cheio de compaixão e quer que Lhe falemos sem medo”, destacou o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 12 de dezembro, na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Neste mesmo dia, a Santa Sé divulgou o programa oficial da visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos, em fevereiro próximo. No dia 4, após a cerimónia oficial de boas-vindas no palácio presidencial em Abu Dhabi, Francisco encontra-se com o príncipe herdeiro. Nessa mesma tarde, o Papa visita a grande mesquita do sheik Zayed, para um encontro privado com o conselho dos sábios muçulmanos, e participa, depois, no encontro inter-religioso pela paz, que constitui a razão principal desta visita. Por fim, na manhã do dia 5 de fevereiro, antes de regressar a Roma, o programa inclui uma visita privada à catedral e a celebração pública da Missa na cidade desportiva Zayed, em Abu Dhabi. Às 17h00, o Papa Francisco aterra de novo em Roma. Esta será a primeira visita de um Papa à Península Árabe. Os Emirados Árabes Unidos são um país islâmico e os cidadãos estão proibidos de se converterem a outra religião. Contudo, vivem naquele Estado centenas de milhares de católicos expatriados.

 

2. A Santa Sé publicou, ainda na quarta-feira, 12 de dezembro, um resumo do encontro do Conselho de nove cardeais que tem estado a aconselhar o Papa sobre as reformas da Cúria Romana. O Conselho era composto por nove cardeais, mas, segundo o documento, Francisco decidiu dispensar três. “Após uma reflexão sobre o trabalho, a estrutura e a composição deste Conselho, tendo em conta a idade avançada de alguns dos seus membros, o Santo Padre Francisco, no final de outubro, escreveu a sua eminência o Cardeal George Pell, a sua eminência o Cardeal Francisco Javier Errázuriz e a sua eminência o Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya, agradecendo-lhes o trabalho por eles feito ao longo destes cinco anos”, lê-se. Segundo o mesmo documento, estes cardeais não deverão ser substituídos, pelo que o Conselho, que era conhecido por C9, passará a contar apenas com seis cardeais: Óscar Maradiaga, Reinhard Marx, Patrick O’Malley, Giuseppe Bertello, Osvald Gracias e Pietro Parolin.

Durante a 27ª reunião do agora C6, foram abordados temas como a contenção de custos da Santa Sé e a cimeira para presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo, que se vai realizar em fevereiro, para discutir a questão dos abusos de menores. Os cardeais sublinharam a importância desta cimeira.

 

3. O Papa Francisco lançou um apelo aos responsáveis mundiais para colocarem “os direitos humanos no centro de todas as políticas, incluindo as de cooperação e desenvolvimento”. Numa mensagem dirigida aos participantes numa conferência internacional que decorreu em Roma, por ocasião dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, o Santo Padre recordou que “persistem hoje no mundo várias formas de injustiça” e põe em dúvida que “a igual dignidade para todos seja reconhecida, respeitada e protegida em todas as circunstâncias”. “Hoje persistem no mundo várias formas de injustiça, alimentadas por visões antropológicas redutoras e por um modelo económico baseado no lucro, que não hesita em explorar, descartar e até matar o ser humano”, assinala Francisco.

O texto realça que, “enquanto uma parte da humanidade vive na riqueza”, outra parte “vê a sua própria dignidade renegada, desprezada ou pisada e os seus direitos fundamentais ignorados ou violados”. O Papa recorda também as pessoas “que vivem num clima dominado por suspeita e desprezo, que são alvos de intolerância, discriminação e violência” por causa da sua raça, nacionalidade ou credo.

 

4. O Papa pediu atenção ao próximo neste Natal. “Não se pode ter uma relação de amor, de caridade, de fraternidade com o próximo se houver buracos, tal como não se pode andar numa estrada com muitos buracos”, começou por referir o Papa, na oração do Angelus, na Praça de São Pedro, em Roma, defendendo que “é preciso mudar de atitude, com uma preferência especial para com os necessitados”. “Para isso, é preciso acabar com as asperezas causadas pelo orgulho e pela soberba, e superar isto com gestos concretos de reconciliação com os nossos irmãos, com pedidos de perdão pelas nossas culpas. Não é fácil reconciliar-se, sempre a ver quem dá o primeiro passo, mas o Senhor ajuda-nos se tivermos boa vontade”, salientou o Papa, no passado Domingo, 9 de dezembro.

 

5. O Papa Francisco prestou homenagem à Imaculada Conceição, na tradicional deslocação ao monumento na Praça de Espanha, em Roma, a 8 de dezembro, e lembrou o caminho de refugiados e famílias na diáspora, bem como as todas as mulheres que vivem gravidezes difíceis. “Ó Mãe, bem sabeis o que significa trazer no seio a vida e sentir à volta a indiferença, a recusa e, por vezes, o desprezo. Por isso, vos peço que acompanheis de perto as famílias que hoje em Roma, na Itália e no mundo inteiro, vivem situações semelhantes, para que não sejam abandonadas a si mesmas, mas tuteladas nos seus direitos, direitos humanos que antecedem todas as exigências, ainda que legítimas. Fica perto das famílias hoje, em Roma, em Itália, há situações semelhantes em todo o mundo, porque eles não são abandonados a si mesmos, mas desprotegidos nos seus direitos, direitos humanos que vêm antes de qualquer necessidade legítima”, afirmou o Papa.

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