Missão |
Vera Nogueira, do Voluntariado Passionista
Regressar com o coração a transbordar de Amor
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Vera Nogueira nasceu a 29 de julho de 1983 e é natural de Guisande (Santa Maria da Feira). Em 2013 esteve em missão em Moçambique e em 2016 na Guiné-Bissau. Em 2018 esteve em missão de curta duração em Angola, com o Voluntariado Passionista.

 

Foi batizada na Igreja de Guisande e todo o seu percurso catequético até ao Sacramento do Crisma foi realizado em Milheirós de Poiares, em Santa Maria da Feira. É licenciada em Gestão e Contabilidade, Mestre em Contabilidade no ramo de Auditoria e pós-graduada em Gestão Empresarial de Instituições de Saúde. Em Novembro de 2012, enquanto terminava a tese de Mestrado, recebeu um e-mail que iria mudar a sua vida: “um e-mail do CUFC da Universidade de Aveiro, a divulgar a sessão de apresentação do Voluntariado Missionário”. Sentiu que era “o momento ideal para realizar um sonho que há muito guardava no coração.” Participou na sessão de apresentação e diz que ficou “apaixonada pelo projeto”, tendo realizado um ano de formação de preparação para a partida em missão. “Em Agosto de 2013, parti em missão para Moçambique com duas voluntárias. Em 2016, tive oportunidade de realizar outra missão humanitária, desta vez, na Guiné-Bissau, no Hospital da Missão Católica de Cumura”, conta.

 

“Formações essenciais para a consolidação da minha formação cristã”

Quando terminou o Mestrado, envolveu-se mais na missão comunitária e abraçou “o projeto de catequista, leitora e membro do Grupo de Jovens.” Em janeiro de 2015 entrou para o Voluntariado Passionista de Santa Maria da Feira. “Este grupo missionário prepara missionários para missões em Portugal (Casa dos Pobres de Coimbra) e missão Adgentes em Angola.” Durante quatro anos, integrou o grupo “colaborando com o grupo em projetos de angariação de fundos. Desenvolvemos junto da comunidade, concertos solidários, bailes de carnaval, caminhadas solidárias, Sunsets, Retiros, Idas à Casa dos Pobres de Coimbra, vivemos muitos momentos de convívio e partilha, somos uma Família! Temos reuniões mensais onde abordamos temas que nos ajudam a preparar a ida em missão. São temas relacionados com o voluntariado, cooperação para o desenvolvimento, desenvolvimento humano, culturas e fé. O Padre Pires proporciona-nos formações de inteligência emocional e, estas formações foram, para mim, essenciais para a consolidação da minha formação cristã e espiritual. Passei a integrar o Grupo de Formação do Voluntariado Passionista e como preparação para a partida em missão, tive oportunidade de realizar a formação promovida pela FEC.”

 

“Fui disponível para acolher o que Deus tinha reservado para mim”

Em Julho de 2018, partiu com um grupo, por um mês, em Missão para Angola e diz-nos: “Fui de coração aberto, cheia de Alegria e disponível para acolher o que Deus tinha reservado para mim. Fomos integradas na Missão Católica de Calumbo. A comunidade é composta por três Padres e um Irmão. Fomos recebidas com tanto Amor, que nos sentimos em casa desde o primeiro dia. A comunidade dedica-se à evangelização e formação de seminaristas. No âmbito da evangelização, levam a palavra de Deus a milhares de pessoas sedentas de Deus, com o desejo de escutar a voz misericordiosa e esperançosa do Pai. Como comunidade formativa que é, tem a seu cargo onze seminaristas. A missão está atenta aos mais necessitados da sociedade e sempre de coração aberto e disponível para a comunidade. Com tanto amor e carinho, foi possível sentir e ver Jesus revelado em todo o momento. Aos domingos e quartas-feiras à tarde, tivemos oportunidade de acompanhar os Padres Missionários nas celebrações às comunidades, vivíamos momentos de grande alegria com as populações locais. Tentávamos integrar os cânticos, as danças e cultura das populações que visitamos, cada comunidade expressava uma enorme e contagiante alegria, sempre sorridentes e cheios de Vida! Logo no primeiro dia, apresentaram-nos os projetos que íamos desenvolver ao longo do mês de missão. Na primeira semana em Angola, andámos pelas escolas de Calumbo a fazer a divulgação da Biblioteca ‘Imbondeiro do Saber’ e a convidar os estudantes a conhecerem o nosso projeto. Esta atividade fez-nos ter o primeiro contacto com os estudantes locais. A todos eles, associamos uma imagem comum, o uso de bata branca que simboliza a participação nas aulas. A maior parte das escolas tinha condições básicas de funcionamento, salas cobertas com mesas e cadeiras. Os professores incentivavam as crianças a visitar a biblioteca. Criámos dinâmicas para integração das crianças: visitas guiadas para apresentação da biblioteca; apresentação das regras que devem respeitar; a disposição dos livros nas estantes; e o funcionamento geral do espaço. Uma das dinâmicas que mais me motivou realizar junto das crianças, foi a de leitura. Sinto que ao ler histórias aos mais pequenos, deixamos uma semente plantada para que eles sintam necessidade de conhecer mais do mundo através da leitura. Tivemos também como missão organizar os livros na biblioteca pelas várias áreas do conhecimento. Nas semanas seguintes, passávamos as manhãs na prisão, onde demos seminários de saúde e gestão pessoal, aulas de inglês, consultas de optometria e construímos o Pólo da Biblioteca de Calumbo. Na prisão, os reclusos transmitiam uma enorme mensagem de esperança: ‘Este tempo que passei na prisão foi o tempo que Deus me deu para refletir sobre a minha vida, perceber o que é mais importante na vida, e como quero ser no futuro’. Com a ajuda de dois reclusos, conseguimos construir o Pólo da Biblioteca ‘Imbondeiro do Saber’, na prisão do Kakila. Demos formação sobre o funcionamento da biblioteca para que seja possível continuar em atividade, mesmo depois de terminar a nossa missão. Com a ajuda de dois jovens, organizamos os livros pelas áreas de conhecimento, catalogámos e registámos os livros existentes. Acima de tudo, deixámos uma semente para que aquela população (que está privada da sua liberdade) consiga voar muito mais alto que as paredes que os rodeiam. O sentido de união, partilha, amor fraterno e muita compreensão, vivido em comunidade, permitiu-nos ganhar forças para superar alguns momentos de impotência face à realidade local. Tornámo-nos mais fortes, eu pessoalmente, ganhei uma nova família. Pela manhã e ao final do dia, eramos convidadas a participar nos momentos de oração, nestes momentos de reflexão, ouvíamos a palavra de Deus, uma palavra preciosa que nos ajudava a viver com mais Amor.”

Vera diz que regressou de Angola “com o coração a transbordar de Amor e com um desejo enorme de repetir este projeto de missão” e que “em todas as experiências de missão que vivi, em todas existe um fio condutor, a construção de um mundo melhor, a construção do Reino de Deus, que todos somos convidados a participar.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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