Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
A carne do Verbo
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“O Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Claro que, de um modo muito simplista, podemos dizer às crianças que o Natal é a festa de aniversário do Menino Jesus – sempre é melhor que dizer que é a “Festa da Família” ou qualquer outra desculpa para os presentes e os almoços de Natal. Mas, de facto, o que celebramos no Natal é o acontecimento de Deus se ter feito carne e, desse modo, habitar no meio de nós.

No Natal celebramos este acontecimento histórico: Deus, para nos salvar (para salvar a todos os seres humanos de todos os tempos e lugares), não hesitou em fazer-se um de nós. Homem mortal, carnal. E, assim, os discípulos e todos aqueles que com Ele se cruzaram pelos caminhos da Galileia encontravam-se com um homem frágil, limitado, humano. Verdadeiro Homem. Mas, ao encontrar-se com Jesus de Nazaré encontravam-se também (sobretudo) com Deus. Verdadeiro Deus. Era isso que não raras vezes os confundia: como é que naquele homem de Nazaré, Deus vinha ao encontro de todos, não apenas com palavras ou com gestos, atitudes, mas em toda a pessoa do Nazareno?

E hoje, como é que o Verbo de Deus vem ao nosso encontro? Onde O podemos encontrar? Qual é hoje a carne do Salvador?

O Concílio Vaticano II diz-nos que o Verbo de Deus vem ao nosso encontro em todos os seres humanos porque, na sua encarnação, Ele se uniu a todos. A vida humana (toda a vida humana, da concepção à morte natural) é carne do Verbo. A carne do Verbo é, por isso, de um modo muito particular, a vida humana mais frágil: aquela ainda não nascida; aquela que é desrespeitada na sua inocência; aquela que sofre por alguma doença ou por causa da guerra; aquela que sofre a pobreza, e não dispõe, por algum motivo, do mínimo necessário para viver com dignidade; aquela que sofre a solidão e o desprezo, porque a velhice não lhe permite a eficácia atraente da juventude… “A Palavra fez-se carne para que a carne se pudesse fazer Palavra”, afirmou um teólogo contemporâneo.

Mas a carne do Salvador é ainda a Sagrada Escritura. Precisamente: naquelas frágeis folhas de papel, naquelas frágeis palavras mais ou menos bem proclamadas pelo leitor diante de toda a Assembleia, a Palavra faz-se carne e vem até nós, entra pelos nossos ouvidos e quer chegar ao nosso coração.

E a carne do Salvador é, sobretudo, o Seu Corpo e Sangue (existirá carne mais frágil?) que recebemos na Eucaristia e que, por isso, são o alimento do cristão peregrino do Céu.

A carne do Salvador é, afinal, cada cristão, na sua fragilidade e mesmo no seu pecado, na sua condição mortal. Ele que escuta a Palavra e comunga o Corpo e Sangue do Senhor. Ele, pobre e necessitado de salvação, perseguido tantas vezes. É nele que hoje o Salvador vem ao encontro do mundo. Seremos capazes de O mostrar e de nos deixarmos encontrar por Ele?

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