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“Não se esqueçam nunca de dizer Pai”
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O Papa Francisco lembrou que os cristãos devem rezar a Deus como a um Pai. Na semana em que alertou para “o paradoxo do progresso”, o Papa sublinhou que “a transmissão da fé faz-se em casa”, lembrou que o estudo da história pode ajudar a evitar guerras e visitou um convento de clausura.

 

1. O Papa Francisco convidou a rezar a Deus “Papá”, com a confiança de uma criança. “Para rezar bem, é preciso conseguir ter o coração de uma criança. Para rezar bem. Não um coração que se basta a si próprio, assim não se pode rezar bem; como uma criança nos braços do seu papá, do seu paizinho”, assinalou o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, 16 de janeiro, que decorreu no auditório Paulo VI, no Vaticano.

Perante cerca de sete mil peregrinos, Francisco apresentou uma reflexão sobre a expressão ‘Abbà’, a palavra aramaica com que começa a oração do Pai-Nosso, que Jesus ensinou aos discípulos. “Basta evocar esta expressão – Abbà – para que se desenvolva uma oração cristã. Deus procura-te, mesmo que tu não o procures. Deus ama-te, mesmo que te tenhas esquecido d’Ele. Deus vê em ti uma beleza, ainda que penses ter desperdiçado inutilmente todos os teus talentos. Deus é não somente um Pai, é como uma Mãe, que nunca deixa de amar a sua criação. Por outro lado, há uma ‘gestação’ que dura para sempre, bem além dos nove meses daquela física, que gera um circuito infinito de amor”, assinalou o Papa, realçando que, tal como na parábola do filho pródigo, quem está em caminhos distantes de Deus pode “encontrar a força de rezar”, recomeçando precisamente pela palavra “Abbà”. Francisco terminou a catequese com um conselho: “Não se esqueçam nunca de dizer Pai”.

No final do encontro público semanal, o Papa lembrou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro). “Depois de amanhã, começa o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos; durante aqueles dias intensifiquemos as nossas preces e penitências, para que se apresse a hora em que se realize plenamente o anseio de Jesus: «Abbá…, ut unum sint – que todos sejam um só!»”, desejou.

 

2. O Papa alertou para “o paradoxo do progresso” e incentiva, sobre esta questão, a um diálogo reforçado, multicultural, científico e interdisciplinar. Numa carta, divulgada esta terça-feira, 15 de janeiro, para assinalar o 25º aniversário da Academia Pontifícia para a Vida, com o título ‘Humana communitas’ [‘Comunidade Humana’], o Papa Francisco reconhece que “neste momento da História, a paixão pelo humano e pela humanidade passa por graves dificuldades”. Perante a “desconfiança recíproca de pessoas e povos, alimentada por uma busca desmesurada do próprio interesse e de uma competição exasperada que não rejeita a violência”, Francisco preocupa-se com o fosso entre a obsessão pelo próprio bem-estar e a falta de partilha na humanidade, ao ponto de existir “um autêntico cisma” entre o individuo e a comunidade humana.

O texto convida à reflexão sobre as novas tecnologias, definidas hoje como “emergentes e convergentes”. “Trata-se das tecnologias de informação e comunicação, as biotecnologias, as nanotecnologias e a robótica. O corpo humano também é suscetível a intervenções que podem modificar não apenas as suas funções e desempenhos, mas também as suas formas de relacionamento, a nível pessoal e social, expondo-o cada vez mais à lógica do mercado”, refere o Papa, sublinhando ser necessário “compreender as profundas mudanças” e propondo uma nova perspetiva ética universal, “atenta aos temas da criação e da vida humana”.

 

3. O Papa lembrou aos pais que a transmissão da fé começa em casa, com a família. “A transmissão da fé faz-se em casa, porque a fé transmite-se sempre em dialeto – o dialeto da família e da casa, do clima da casa. É esta a vossa tarefa: transmitir a fé com o exemplo, com palavras, ensinando-os a fazerem o sinal da cruz, que é muito importante. Que vejam o amor dos cônjuges, que vejam a paz da casa, que vejam que Jesus está ali”, afirmou o Papa, durante a homilia da Missa na Solenidade do Batismo do Senhor, a que presidiu no Domingo de manhã, 13 de janeiro, na Capela Sistina, no Vaticano. Na celebração onde batizou 27 recém-nascidos, Francisco pediu ainda permissão para deixar “um conselho: nunca, mas nunca discutam diante das crianças”.

Depois, durante a oração do Angelus, Francisco renovou o convite a todos para conservarem viva e atual a memória do próprio Batismo, o que passa por saber a data em que foram batizados.

 

4. “A história é certamente uma professora de vida, mas tem muito poucos alunos", começou por lamentar o Papa, citando o historiador jesuíta Giacomo Martina. Francisco aproveitou a audiência que concedeu este sábado, 12 de janeiro, a dezenas de docentes que participaram, em Roma, num congresso que assinala os 50 anos da Associação Italiana dos Professores de História da Igreja, para lhes lembrar como o seu trabalho e o seu papel são fundamentais. Durante o encontro, que decorreu na Sala do Consistório, no Vaticano, o Papa afirmou que “a história, estudada com paixão, pode e deve ensinar muito, nestes nossos dias tão conturbados e sedentos de verdade, paz e justiça”. Sobre o contributo que podem dar à sociedade, considerou que o estudo da história faz ainda mais falta num mundo tão “dividido” como é o atual. “Através da história deveríamos aprender a refletir, com sabedoria e coragem, sobre os efeitos dramáticos e malignos das tantas guerras que atormentaram o caminho do homem nesta Terra”, disse ainda.

Lembrando que “no centro da história está Cristo”, o Papa desafiou os historiadores crentes a serem “ainda mais respeitosos dos factos e da verdade”, afastando-se “de todo o mundanismo ligado à presunção de conhecimento, como a ambição de uma carreira ou reconhecimento académico, ou a convicção de ser capaz de julgar por si mesmo os factos e as pessoas”.

 

5. O Papa Francisco visitou, a 11 de janeiro, um convento de freiras Clarissas, em Spello, a cerca de 170 quilómetros de Roma. A visita não constava da agenda do Papa, e os meios de comunicação apenas foram informados posteriormente, através de uma curta nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, que informou que a visita teve como objetivo encorajar as religiosas. Francisco celebrou Missa, rezou e almoçou com as irmãs.

Ainda neste dia, a Santa Sé anunciou que o Papa vai visitar a Roménia, de 31 de maio a 2 de junho, passando por várias cidades, naquela que é a quinta viagem papal confirmada para 2019: Panamá, para a JMJ, de 23 a 27 de janeiro; Abu Dahbi, nos Emirados Árabes Unidos, de 3 a 5 de fevereiro; Marrocos, a 30 e 31 de março; Bulgária e Macedónia, de 5 a 7 de maio; e Roménia.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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