Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
O ambão: símbolo do túmulo vazio, presença eficaz do anúncio da Ressurreição do Senhor
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Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei. O escriba Esdras estava de pé num estrado de madeira feito de propósito. Estando assim em plano superior a todo o povo, Esdras abriu o Livro à vista de todos; e quando o abriu, todos se levantaram. … Então o governador Neemias, o sacerdote e escriba Esdras, bem como os levitas, que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: «Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis». (Ne. 8, 3-5.9)

 

São Cipriano, bispo de Cartago no século III, na hodierna Tunísia, admirável pela sua santidade e doutrina, dirigiu a Igreja em tempos muito adversos. Encorajou os confessores da fé nas suas tribulações e, no tempo dos imperadores Valeriano e Galieno, depois de um atribulado exílio, consumou o seu martírio diante de uma grande multidão, morto ao fio da espada por ordem do procônsul. Na sua Carta 39, 4, dirigida aos presbíteros, aos diáconos e a todo o povo, escreveu:

 

Como este veio ter connosco com sinais evidentes de que o Senhor o aceitara, tendo-se tornado ilustre pelo testemunho e a admiração mesmo daquele que o perseguira, que faltava senão fazê-lo subir ao ambão, que é o tribunal da Igreja? Assim, olhando para nós de cima desse púlpito elevado, visto de todo o povo, segundo a glória dos seus méritos, passe a ler publicamente os preceitos e o Evangelho do Senhor, que ele próprio vive com coragem e com fé. Faça-se ouvir todos os dias, na proclamação da Palavra, a voz que confessou o Senhor. Pode haver graus mais elevados a que se possa subir na Igreja, mas em nenhum outro ministério um confessor da fé é tão útil a seus irmãos. Enquanto escutamos da sua boca o texto evangélico, cada um nada mais tem a fazer do que imitar a fé do leitor.

(Cl. CPL 50; PL 4, 191-438C; CCL 3 B-D; CSEL 3, 2)

 

 

As Constituições Apostólicas, II, 57, 5-8, documento siríaco do século IV, dão-nos indicações precisas da liturgia da Palavra, certamente resultado de uma prática já consolidada:

 

O leitor, de pé no centro, num lugar elevado, lerá os escritos de Moisés e de Josué, filho de Nun, dos Juízes e dos Reis, das Crónicas e do regresso do Exílio, seguidos dos escritos de Job e de Salomão e dos dezasseis Profetas. Depois das leituras, proclamadas duas a duas, um outro salmodiará os hinos de David e o povo responderá salmodiando os refrães. Seguidamente, ler-se-ão os nossos Actos e as cartas que Paulo, nosso colaborador, enviou às Igrejas, movido pelo Espírito Santo; depois, um presbítero ou um diácono lerá os Evangelhos que nós, Mateus e João, vos transmitimos e que os colaboradores de Paulo, Lucas e Marcos, compilaram e vos deixaram. Durante a leitura do Evangelho, todos os presbíteros, os diáconos e todo o povo estarão de pé em grande silêncio porque está escrito: Fica em silêncio e escuta, ó Israel. E ainda: Tu, permanece aqui e escuta.

(PG 1, 24-737; Didascalia et Constitutiones Apostolorum [ed. F. X. Funk], I, 159-167; SCh 320, 312-315).

 

 

São Germano, Patriarca de Constantinopla no século VIII, hoje Istambul, na Turquia, insigne pela sua virtude e sabedoria, refutou com grande firmeza o edito promulgado pelo imperador Leão, o Isáurico, contra as sagradas imagens. No comentário à Divina Liturgia, incluído na sua História Mística da Igreja Católica, 10, refere o seguinte:

 

O ambão manifesta a forma da pedra no Santo Sepulcro [onde o anjo se sentou depois de a ter rolado, afastando-a das portas do túmulo,] proclamando a ressurreição do Senhor às miróforas1. Isto está de acordo com as palavras do profeta: [sobre um monte escalvado, alçai um sinal] Sobe a um alto monte, ó evangelizadora, eleva a tua voz com vigor. O ambão, com efeito, é uma montanha, situado num local nivelado e plano.

(Cl. CPG III 8023; PG 98, 384-453; St Germanus of Constantinople on the Divine Liturgy [ed. P. Meyendorff], 62).

 

1 mulheres portadoras de mirra.

Foto: Ambão da Catedral de Ravello, Itália (séc. XI)

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