Missão |
Gonçalo Vaz Pedro, dos Leigos para o Desenvolvimento
“Integrar na minha vida de cá toda a bagagem espiritual que trago”
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Gonçalo Vaz Pedro nasceu em Coimbra, a 5 de novembro de 1988. É licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Mestre em Marketing pelo ISEG. Atualmente é consultor de marketing no CAIC – Colégio Jesuíta de Coimbra. Em 2017, partiu em missão para Benguela com os Leigos para o Desenvolvimento.

 

Gonçalo conta que o seu “percurso de fé não é um percurso propriamente normal”. “Andei na Catequese como a maioria das crianças, mas naquela altura a maior parte das coisas entravam por um ouvido e saía por outro. Entretanto, entrei no CAIC e mesmo lá, nos primeiros anos estava mais distante das atividades deste âmbito, que nos eram propostas. Só no 9º ano é que entrei num Grupo de Reflexão (GRAPA) que me ajudou a introduzir de uma forma séria no mundo da espiritualidade. Nesse mesmo ano, fiz também o meu primeiro campo de férias (dos Campinácios – movimento ligado aos três Colégios da Companhia de Jesus em Portugal). Na altura se calhar nem sabia bem se acreditava mesmo em Deus, mas o que era certo é que aqueles momentos de partilha no GRAPA e os 10 dias de campo no Verão me enchiam de uma alegria e de uma força, que eu não sabia bem explicar de onde vinha. No fim do curso, fui para Lisboa e só algures no meio dos quatro anos em que lá vivi é que comecei a regrar-me mais e a ir, por exemplo, à Missa quase todos os Domingos do ano. Até 2014, acho que vivia uma fé muito alimentada por momentos bons que ia tendo, como os Campos de Férias ou também os Exercícios Espirituais (retiros de silêncio propostos pela Companhia de Jesus). Quando vinha dessas atividades vinha com as baterias carregadas e até rezava diariamente, mas depois com o passar do tempo a disciplina ia-se perdendo e ia deixando de o fazer”, assume.

Em 2014 sofreu um grave acidente de viação que lhe “pregou assim um grande susto” e que o “fez perceber que num estalar de dedos a nossa vida pode terminar”. “Comecei a olhar para as coisas de forma diferente e a viver a minha vida de uma forma também ela diferente. Depois de recuperado, voltei a fazer Exercícios Espirituais e fiz também os Caminhos de Santiago sozinho, partindo do Porto. A pouco e pouco a minha relação com Deus foi-se tornando mais forte, muito pelos exemplos de fé que tinha à minha volta e pelas muitas graças que Deus me foi dando até ali. Neste retiro, senti mesmo que era altura para concretizar sonhos e de não deixar para amanhã aquilo que podia ser feito hoje. Então, veio-me à oração a ideia dos Leigos para o Desenvolvimento, que há já muitos anos me andava a rondar na cabeça. Em Outubro desse ano entrei para a formação desta ONG portuguesa e posso dizer que só a formação por si foi uma experiência muito forte e que esta valeu só por isso”, garante.

 

Missão em Benguela

Sobre a sua experiência de missão, em 2017, conta-nos: “Muito poderia ser dito sobre este ano e a verdade é que qualquer livro que possa um dia até vir a escrever, será pequeno para exprimir tudo o que vivi em Benguela, durante a minha Missão. Cingindo-me a contar a experiência de fé que tive: foi sem dúvida o ano que cresci mais na dimensão espiritual, acima de tudo, por ter vivido um ano com mais três pessoas que acreditavam no mesmo que eu e por ter tido hábitos diários de oração (rezava sozinho todas as manhãs e tínhamos oração comunitária, também todos os dias). Juntamente com isto, os exemplos de fé que tive lá foram também uma grande força para a minha relação com Deus. Lá há mesmo muita devoção e independentemente das condições em que as pessoas vivem elas vêm na Igreja e na comunidade um grande suporte. E, por isso, dedicam-se a elas com todo o esforço, muitas vezes abdicando mesmo do próprio conforto. Este exemplo fez-me crescer muito. As Missas de pelo menos três horas (um dia foi de quase seis), por exemplo, fizeram-me ver que havia pessoas que entendiam que esse era o tempo necessário para estar com Deus e para lhe agradecer as graças da semana que tinha passado. Fui para Benguela com a missão de capacitar um grupo de pessoas locais para gerir um ATL, de seu nome Espaço Criança. O Projeto já foi criado com a colaboração dos Leigos há alguns anos e, neste momento, está a poucos meses de ser definitivamente entregue à comunidade. Esta é aliás uma das imagens de marca do modus operandi LD, que procura nunca se sobrepor aos locais e trabalhar para capacitar cada um para um dia gerir autonomamente os Projetos em questão. Ao mesmo tempo que geri esta ponta final da passagem do projeto, agarrei o desafio de angariar fundos para construir um novo espaço físico para o ATL se sediar enquanto também controlava toda a evolução da obra. Na parte do funcionamento do Espaço Criança, encontrei um Projeto a andar relativamente bem, a ser gerido por uma Direção praticamente autónoma e com uma equipa de animadores capacitada ao ponto de conseguirem destacar-se de toda a envolvência em termos criativos e pedagógicos. Era-me pedido, portanto, que avaliasse junto de cada um o decorrer de cada a dia e que capacitasse a equipa de Direção para algumas coisas mais específicas que teriam de ser eles a gerir depois da entrega do Projeto. Acompanhei muitas reuniões (de Direção, da Equipa Pedagógica, de Monitores, de Encarregados de Educação), acompanhei também a criação de um Conselho Consultivo, ajudei na realização de algumas atividades mais específicas e conversei muito, muito com cada um dos elementos da Direção. Ensinei muito, mas aprendi ainda mais. À parte disto, tive a função da Angariação de Fundos para a obra. E este foi o meu grande desafio. Primeiro porque toda a obra foi construída praticamente graças ao suporte de muitas pessoas e empresas de Benguela. Depois, porque na parte mais técnica, sendo eu de Economia, tive mesmo de ser muito flexível e criativo para conseguir gerir tudo sem dizer ou fazer asneiras. Mas também é esta desinstalação intencionalmente provocada pelos Leigos, que torna a Missão especial. Para além do trabalho em si, das coisas que me marcou mais em Missão foi a Vida Comunitária. Quem vem em Missão com os LD deve saber que não vem sozinho. E que a sua Missão é uma Missão partilhada, que é vivida sempre com a sua comunidade. Nada conseguiria fazer fora de casa, se dentro dela não me sentisse bem, não pudesse descansar e recuperar forças. Se tivesse sido eu a escolher, com certeza que não teria sido esta a minha comunidade. Mas se hoje me fosse pedido que escolhesse, estou certo que escolheria a Rita, a Teresa e a Marta para serem as minhas irmãs de Missão. Agora que regressei, estou a tentar trazer comigo todas coisas boas que aprendi lá e a pouco e pouco integrar na minha vida de cá toda a bagagem espiritual que trago”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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