Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
«O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós»
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Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, receberam todos o baptismo de Moisés. Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual. Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo. (I Cor. 10,1-4)

 

Santo Agostinho, doutor da Igreja, nos séc. IV-V, como bispo de Hipona, dedicou-se à pregação ao povo que lhe estava confiado. Num dos seus sermões do início da Quaresma, Sermão 210, 1.1-10.12, pregou:

Chegou o tempo solene que nos convida a humilhar as nossas almas e a mortificar os nossos corpos através da oração e do jejum, com maior intensidade que em qualquer outra época. Porque é que este tempo surge quando se aproxima a solenidade da Paixão do Senhor? Qual é o mistério que se celebra no número quarenta?... Porque é que o próprio Senhor Jesus Cristo ... jejuou, não antes, mas depois de ter sido baptizado... e nós, ao contrário, jejuamos com os que vão ser baptizados nos dias que precedem o seu baptismo, que tem lugar no início do dia de Páscoa, a seguir ao qual suspendemos os jejuns durante cinquenta dias? Isto poderia ser causa de perturbação, se apenas fosse permitido baptizar ou ser baptizado na solenidade da Páscoa. Mas, como o baptismo não é proibido durante todo o ano, segundo a necessidade ou a vontade de cada um, e a celebração do aniversário da Paixão do Senhor só é permitida num determinado dia do ano que se chama Páscoa, sem dúvida alguma há que distinguir sacramento do baptismo e Páscoa. O baptismo pode receber-se em qualquer dia; a Páscoa só é lícito celebrá-la num determinado dia do ano. Aquele concede-se para dar uma vida nova; esta recomenda-se para perpetuar a memória dos mistérios. O facto de neste dia acorrer um número muito maior de baptizandos, não se deve a que a graça salvadora seja mais abundante, mas a que a maior alegria da festa convida a isso... Pelo facto de Cristo ter jejuado imediatamente depois de receber o baptismo de João, não temos de acreditar que estabeleceu uma regra a observar, como se tivéssemos necessariamente de jejuar depois de receber o baptismo de Cristo. Com o seu exemplo indicou-nos que devemos jejuar, sobretudo se temos de entrar em luta encarniçada com o Tentador... Esta é a razão pela qual nós jejuamos antes da solenidade da Paixão do Senhor e abandonamos os jejuns durante·os cinquenta dias seguintes... Na celebração anual (da Páscoa) volta a gravar-se, de certo modo, em nós, a memória daquela noite, para que o esquecimento a não apague, e o Inimigo, que ruge e devora, não nos encontre adormecidos, não corporalmente, mas no espírito... Sejamos como homens que esperam o Senhor que regressa das bodas ... , pois é chegada a hora da qual Ele disse: Vós estareis tristes...

É isso o que faz todo o corpo de Cristo, disperso por todo o mundo, isto é, a Igreja universal... O número cinquenta simboliza aquela alegria que ninguém poderá tirar-nos; na vida presente ainda não a gozamos, mas depois da solenidade da Paixão do Senhor, desde o dia da sua Ressurreição em que deixamos os jejuns, celebramo-la, fazendo ressoar o Aleluia em louvor e glória do Senhor…

Lembrai-vos principalmente dos pobres, e, dessa forma, depositareis no tesouro celeste aquilo de que vos privais vivendo mais sobriamente. Receba Cristo faminto, aquilo que o cristão, ao jejuar, recebe de menos. A mortificação voluntária sirva de sustento a quem nada tem. A escassez voluntária do rico seja a abundância necessária para o pobre. E habite também, no homem manso e humilde, a misericordiosa disponibilidade para o perdão. Peça perdão quem fez a ofensa e conceda-o quem a recebeu, para não cair nas mãos de Satanás, cujo triunfo é a discórdia entre os cristãos.

(Cl. CPL 284; PL 38, 1047-1054; CCL 41; NBA 32/1; Antologia Litúrgica 3784-3790.3794).

 

Foto:

Moisés descalça as sandálias antes de entrar na sarça ardente

Mosaico da parede da Basílica de São Vital, Ravena, séc. VI

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