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Moçambique vai viver “momento histórico” com a visita do Papa
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O Papa vai a Moçambique, em setembro. Na semana em que lembrou que os alimentos devem ser partilhados, o Papa visitou o Capitólio de Roma, assinou a exortação apostólica para os jovens ‘Cristo vive’ e lembrou os “missionários mártires”.

 

1. O Vaticano anunciou que o Papa vai visitar Moçambique, Madagáscar e as Maurícias, de 4 a 10 de setembro. Um comunicado, divulgado dia 27 de março, adianta que Francisco pretende visitar as cidades de Maputo, Antananarivo (Madagáscar) e Port Louis (Maurícias). O programa da viagem será divulgado mais tarde.

O presidente moçambicano anunciou, numa comunicação ao país, que Francisco visita Moçambique na primeira semana de setembro. Filipe Nyusi fala de um “momento histórico”. Esta será a quarta viagem do atual pontífice a África, após as visitas ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana, em 2015; ao Egito, em 2017; e a Marrocos, que decorrer precisamente neste fim-de-semana, dias 30 e 31 de março. O único Papa a visitar Moçambique foi São João Paulo II, de 16 a 19 de setembro de 1988.

Além de Marrocos, nos próximos meses estão previstas viagens à Bulgária e Macedónia (5 a 7 de maio) e à Roménia (31 de maio a 2 de junho).

 

2. O Papa Francisco lembrou que o alimento “não é propriedade” de cada um, mas “dom da providência para ser compartilhado”. “Na oração do Pai-Nosso, Jesus ensina-nos a pedir «o pão nosso de cada dia», e a fazê-lo solidários com tantos homens e mulheres que vivem aflitos por não terem pão suficiente para seus filhos. E, quem diz «pão», diz remédios, casa, trabalho… A oração cristã parte da realidade, da carne das pessoas necessitadas ou de quantos partilham com elas a sua situação miserável: «Pai, dai-nos hoje o pão necessário para nós e para todos». O pão, que o cristão pede, não é o «meu», mas o «nosso». Esta oração contém uma atitude de empatia e solidariedade. Um dia, este pão poderá censurar-nos pela falta de o repartirmos com quem está ao nosso lado: era um pão oferecido à humanidade, mas alguém se encarregou de o comer, todo, sozinho. O amor não pode suportar isto. Na minha fome, sinto e penso na fome das multidões. Na leitura inicial, ouvimos o milagre da multiplicação dos pães para uma multidão faminta. Jesus perguntara se alguém tinha alguma coisa; encontrou-se apenas um rapazinho disposto a partilhar o que possuía: cinco pães e dois peixes. Jesus multiplicou aquele gesto generoso. Aquele rapazinho compreendeu a lição do «Pai-Nosso»: o alimento não é propriedade minha, mas dom da providência para ser compartilhado. O verdadeiro milagre feito por Jesus naquele dia foi o milagre da partilha. Ele próprio, ao multiplicar aquele pão oferecido, antecipou a sua oferta no Pão Eucarístico. De facto, só a Eucaristia é capaz de saciar a fome de infinito e o desejo de Deus que habita no coração de cada homem e mulher e se exprime também na procura do pão quotidiano”, observou o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 27 de março.

No encontro público semanal, na Praça de São Pedro, Francisco distinguiu a irmã Maria Concetta Seu, missionária e obstetra que está em África há cerca de 60 anos e ajudou a nascer mais de três mil bebés. “Querida irmã, em meu nome e em nome da Igreja, ofereço-lhe esta distinção. É um sinal do nosso afeto e do nosso obrigado por todo o trabalho que realizou entre as irmãs e irmãos africanos, ao serviço da vida, dos filhos, das mães, das famílias”, declarou o Papa, revelando ter conhecido a religiosa italiana em Bangui, na República Centro-Africana, em 2015, quando inaugurou o Jubileu da Misericórdia. “Lá, ela me contou que, em toda a sua vida, ajudou a nascer mais de três mil crianças. Que maravilha!”, disse.

 

3. Na manhã de terça-feira, 26 de março, o Papa visitou o Capitólio de Roma, deixando um apelo aos cidadãos presentes na praça: “Respeitem-se mutuamente para encarnar os melhores valores desta cidade”. Francisco encontrou-se com a presidente da Câmara Municipal de Roma, Virginia Raggi, com os funcionários da autarquia e seus familiares. “A todos garanto a minha proximidade espiritual e o meu encorajamento para serem todos os dias artesão de fraternidade e de solidariedade”, apelou.

Antes, o Papa tinha visitado, de surpresa, a Universidade Lateranense, para uma reflexão de Quaresma, alertando para o “individualismo” da sociedade que levou a um “inverno demográfico” no Ocidente. A intervenção de Francisco questionou uma sociedade cada vez mais centrada no próprio “bem-estar”, sem a preocupação de dar “frutos”.

 

4. O Papa assinou esta segunda-feira, dia 25 de março, a exortação apostólica ‘Cristo vive’, que nasce do Sínodo para os jovens, que decorreu no Vaticano em 2018. Francisco aproveitou a visita ao Loreto, por ocasião do dia da Anunciação, para assinar formalmente o documento, que vai ser divulgado na terça-feira, dia 2 de abril.

O Santuário da Santa Casa do Loreto é assim conhecido porque, segundo a tradição, a própria casa em que Nossa Senhora cresceu foi trasladada da Terra Santa para aquele local, no século XV. “A ‘Santa Casa’ é a casa dos jovens porque aqui a Virgem Maria, a jovem cheia de graça, continua a falar às novas gerações, acompanhando cada um na busca da própria vocação. Por isso, quis assinar aqui a exortação apostólica, fruto do Sínodo dedicado aos jovens. Intitula-se ‘Cristo vive’”, revelou o Papa, retirando da vida de Nossa Senhora, e da sua experiência, lições para as famílias atuais: “A experiência doméstica da Virgem Santa indica que família e jovens não podem ser dois sectores paralelos da pastoral das nossas comunidades, mas devem caminhar profundamente unidos, porque muitas vezes os jovens são o resultado do que a família lhes dá na fase de crescimento”.

 

5. O Papa assinalou a jornada em memória dos “missionários mártires” e falou num “calvário” de perseguição aos cristãos, que em 2018 provocou a morte de 40 agentes pastorais, quase o dobro em relação ao ano anterior. “Em todo o mundo, numerosos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos foram alvo de violência”, referiu Francisco, durante o Angelus do passado Domingo, 24 de março, convidando a “recordar este calvário contemporâneo de irmãos e irmãs perseguidos ou mortos por causa da sua fé em Jesus”.  Segundo o Papa, este é um “dever de gratidão”, por parte de toda a Igreja, e um “estímulo para testemunhar com coragem a fé e a esperança naquela que, sobre a Cruz, venceu para sempre o ódio e a violência com o seu amor”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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