Lisboa |
Visita Pastoral à Paróquia de Santa Beatriz da Silva
“A Igreja tem que sair da igreja”
<<
1/
>>
Imagem

Para o pároco de Santa Beatriz da Silva, frei Fabrizio Bordin, a Visita Pastoral deixou o desafio à missão. Durante seis dias, o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes conheceu a realidade desta paróquia da Vigararia Lisboa II e apontou o acompanhamento dos jovens como desafio, sem esquecer a atenção aos mais idosos, que “são as raízes da comunidade”.

 

A Paróquia de Santa Beatriz da Silva, em Marvila, fica numa “periferia urbana” da cidade de Lisboa e é, hoje, “chamada a ser um modelo de comunhão, de vida comunitária”, começa por referir, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o pároco, frei Fabrizio Bordin, na conclusão da Visita Pastoral a esta paróquia, que decorreu entre 2 e 7 de abril. Segundo o pároco, a visita do Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes incutiu nesta comunidade a necessidade de ser “família de famílias” e desafiou os jovens a “sair”. “Um grande desafio é levar para fora das portas da igreja a comunidade cristã. A Igreja tem que sair da igreja! Hoje, é importante a proximidade e a caridade”, sublinhou o religioso da Ordem dos Frades Menores Conventuais, referindo que a saída implica sempre uma “mudança”. “Há o perigo de ficarmos muito agarrados a preparar coisas e em reuniões, fazendo uma pastoral de gabinete, que também é importante – mas acho que o homem de hoje precisa de relação. ‘Família e proximidade’ foram as palavras-chave desta visita”, considera frei Fabrizio.

 

Vitalidade e coesão

Depois da chegada, entre 2009 e 2010, da Ordem dos Frades Menores Conventuais às paróquias de São Maximiliano Kolbe e Santa Beatriz da Silva, esta Visita Pastoral foi vista com “uma certa expectativa” para dar a conhecer o trabalho realizado, nos últimos anos, pelos sacerdotes da congregação Franciscana. “O senhor Bispo sentiu-se reconfortado, contente e viu que há muita gente boa dentro desta comunidade paroquial, mas também neste bairro. Apesar de termos uma realidade demográfica envelhecida, existe uma certa vitalidade e coesão entre os adultos. Muitos deles tiveram uma caminhada cristã, ao longo dos anos, e têm muito orgulho em terem construído uma igreja e terem criado uma comunidade, ganhando, com isso, um sentido de pertença e estima, com especial cuidado pelo espaço e pelas atividades”, refere frei Fabrizio.

 

Protagonismo juvenil

Numa Vigília de Oração preparada pelos dois grupos de jovens da paróquia, que decorreu na noite de sábado, 6 de abril, D. Joaquim Mendes, a partir do tema ‘Qual é a minha sede?’, reforçou o desafio a que todos são chamados, em particular os jovens: “O desafio é a missão”. “A melhor maneira de ajudarmos e matar a sede de tantos irmãos nossos é partilhar com eles a nossa experiência, que em Cristo encontrámos a água que sacia a nossa sede. Com o nosso coração, podemos ajudar os nossos irmãos a saciarem a sede e a conduzi-los ao encontro com Cristo”, apontou o Bispo Auxiliar de Lisboa.

Para frei Fabrizio, o acompanhamento dos jovens é outro desafio. Na paróquia, existem dois grupos de jovens. Ao todo, contam-se entre 15 e 20 elementos. “O número não é significativo, mas o importante é sonhar com constância, confiança e transmitir uma imagem da Igreja que a exortação recente do Papa, ‘Cristo vive’, incentiva. Portanto, a preocupação passa pelo facto de permitir que os jovens possam ser escutados, possam intervir”, sublinha o sacerdote italiano, de 57 anos.

 

Nova evangelização

A história recente da Paróquia de Santa Beatriz da Silva e, em particular, do bairro das Amendoeiras – onde está localizada a igreja paroquial –, aponta também a necessidade de “relançar a evangelização, com enfoque na catequese e na formação dos adultos”. “Vivemos os problemas que todos vivem nestas zonas urbanas: a dispersão, a fragmentação”, aponta o pároco, explicando que “existe uma certa mobilidade durante a semana, em que algumas pessoas entram e saem, funcionando apenas como local de dormitório”. No entanto, as tradições que muitos dos habitantes “trouxeram” das suas terras de origem, “uns do Norte, outros do Alentejo”, veio “enriquecer a coesão” entre todos. “Por exemplo, depois da Páscoa realiza-se a Visita Pascal. Estas tradições são o momento para se encontrarem aqueles que são naturais do mesmo concelho e da mesma terra”, aponta, sublinhando a importância e o bom relacionamento que a paróquia tem com algumas associações locais, como a AMBA – Associação de Moradores do Bairro das Amendoeiras, que são fundamentais para a promoção destas iniciativas, não só entre os jovens, mas também entre os mais velhos, “ocupando o tempo livre e valorizando as características, capacidades e talentos das pessoas”, reconhece.

No local da antiga capela, abriu, em 2010, o ‘Espaço Aberto ao Diálogo’, da Comunidade Vida e Paz. Se, no início, “a reação foi de algum medo”, agora, “há um carinho por parte dos paroquianos, que tem de continuar a crescer”, aponta o sacerdote religioso.

 

Sentido de pertença

Muitos dos idosos, presentes na comunidade paroquial, acompanharam o recente crescimento da “sua igreja”, com “as energias da sua juventude para fazer a comunidade”, lembra frei Fabrizio, sublinhando a importância que os mais velhos têm na vida paroquial, sobretudo através da presença na liturgia e na visita a outros idosos. “São as raízes da nossa comunidade. Eles têm amor e transmitem isso. No encerramento, durante o almoço, foi oferecida, ao senhor Bispo, uma imagem de Santa Beatriz da Silva. Foi entregue por uma senhora, a Dona Lurdes, de 90 anos, que, até há poucos meses, era uma presença diária na igreja. Ela tem um carinho particular pela comunidade e as pessoas têm um carinho especial por ela”, garante o pároco. “É muito importante valorizar os idosos. Só a memória histórica mantém vivo este sentido de pertença”.

 

Sair ao encontro

A Visita Pastoral de D. Joaquim Mendes passou por algumas estruturas paroquiais, mas também por locais públicos. No dia 2 de abril, o Bispo Auxiliar de Lisboa visitou a Escola Secundária D. Dinis, onde estudam muitos alunos da comunidade. No auditório do estabelecimento de ensino estiveram quase 200 alunos de Educação Moral e Religiosa Católica de todo o agrupamento de escolas. “Foi um encontro muito significativo, onde houve oportunidade de os mais novos colocarem perguntas ao senhor Bispo”, refere frei Fabrizio.

No Domingo, 7 de abril, na Missa que marcou o encerramento da Visita Pastoral a esta paróquia da Vigararia Lisboa II, D. Joaquim Mendes disse ter encontrado, na Paróquia de Santa Beatriz da Silva, “pessoas generosas, dedicadas, com um forte sentido de pertença à paróquia e que a servem” nas diferentes pastorais. Na sua intervenção, o Bispo Auxiliar de Lisboa enunciou três “exortações”: “Acolher, Cuidar e Anunciar”. “Não podemos ficar no conforto da comunidade, enquanto tanta gente vive como se Deus não existisse. ‘Sair’, ir ao encontro, manifestar a todos o amor de Deus, ser sinais, testemunhas e portadores do seu amor junto de todos”, incentivou D. Joaquim Mendes.

  

_______________________

 

Autarcas “totalmente disponíveis” para colaborar com a JMJ 2022

No âmbito da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa II, os autarcas desta vigararia encontraram-se com o Cardeal-Patriarca de Lisboa, que recebeu a manifestação de “disponibilidade total e uma vontade muito grande em colaborar” com a realização da Jornada Mundial da Juventude, em 2022. Segundo o vigário, cónego Paulo Franco, os autarcas consideram que este encontro mundial vai ser “fundamental, não apenas para a comunidade católica, mas para a cidade de Lisboa e nomeadamente para estas freguesias que vão estar mais perto da realidade da JMJ”.

Neste encontro com os autarcas, D. Manuel Clemente sublinhou também a “importância do diálogo” entre todos e a “consciência de que é importante salvaguardar o conceito de pessoa, valorizar e dignificar a pessoa humana”, revelou o cónego Paulo Franco, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Segundo este responsável, o objetivo deste encontro era “o senhor Patriarca escutar as autarquias”. “Para que a Igreja possa cumprir a sua missão, é muito importante ter conhecimento daquilo que é realidade humana, social e económica da população a que a Igreja é chamada a responder”. Por isso, “o balanço é extremamente positivo, com muitos sinais de esperança, naquilo que é uma tarefa comum, seja por parte das comunidades cristãs, seja por parte daquilo que é a responsabilidade dos membros das autarquias, de serviço à população”, revelou o pároco do Parque das Nações.

Sobre os pontos apresentados, o vigário de Lisboa II refere que as preocupações “divergem de freguesia para freguesia”, mas salienta existirem “alguns pontos em comum”. “Um deles, é o facto de estarmos numa zona da cidade de Lisboa onde a população é elevada e, por isso, com muitos desafios. Uma preocupação comum, exceto para a Freguesia do Parque das Nações – que tem uma população relativamente mais jovem –, é a questão do envelhecimento. Das autarquias e das paróquias, senti muito esta necessidade de estarem presentes junto dos mais velhos e terem meios que os possam ajudar nas suas limitações e necessidades”, apontou o cónego Paulo Franco.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Filipe Teixeira e Paróquia de Santa Beatriz
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
António Bagão Félix
Na semana passada li uma entrevista com um candidato a deputado (cabeça-de-lista) pelo circulo eleitoral do Porto.
ver [+]

P. Manuel Barbosa, scj
Com “missão nas férias” não quero propor programas de férias missionárias, nem dizer que a missão está de férias.
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES