Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
«Cristo nosso Cordeiro Pascal foi imolado: celebremos a festa do Senhor»
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Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou. Lembrai-vos de como Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: «O Filho do homem tem de ser entregue às mãos dos pecadores, tem de ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia». (Lc 24, 5-6)

 

São Gregório, doutor da Igreja, viveu no séc IV e foi bispo de Sásima, depois bispo de Constantinopla, finalmente bispo de Nazianzo, na actual Turquia, defendeu com grande ardor a divindade do Verbo, pelo que foi também chamado o Teólogo. No sermão na Santa Páscoa, designado Discurso 45, 23.30, proferiu:

Seremos participantes da Páscoa, por enquanto ainda em figura, embora mais claramente que na lei antiga... Mas em breve participaremos de modo mais perfeito e mais puro, quando o Verbo celebrar connosco a Páscoa nova no reino de seu Pai, manifestando-nos e revelando-nos o que até agora só em parte nos mostrou. A nossa Páscoa é sempre nova. De que bebida e comida se trata, a nós cumpre dizê-lo; mas é o Verbo que ensina e comunica esta doutrina aos seus discípulos. Porque a doutrina daquele que alimenta é também alimento. Tomemos parte também nós nesta festa ritual, não segundo a letra, mas segundo o Evangelho; de modo perfeito, não imperfeito; de modo eterno, não temporal. Seja a nossa capital, não a Jerusalém terrena mas a cidade celeste, não a que é agora pisada pelos exércitos mas aquela que é exaltada pelos louvores e aclamações dos Anjos. Não imolemos vitelos nem cordeiros..., vítimas sem vida e sem inteligência, mas ofereçamos a Deus um sacrifício de louvor sobre o altar celeste, juntamente com os coros angélicos. Atravessemos o primeiro véu, aproximemo-nos do segundo e fixemos o olhar no Santo dos Santos. Direi mais: imolemo-nos nós mesmos a Deus; ofereçamo-nos a Ele cada dia, com todas as nossas acções. Aceitemos tudo por amor do Verbo, imitemos com os nossos sofrimentos a sua paixão, honremos com o nosso sangue o seu Sangue, e subamos corajosamente à sua cruz ...

O bom Pastor veio ao encontro da ovelha perdida, procurou-a pelos montes e colinas onde tu sacrificavas aos ídolos; e quando encontrou a ovelha perdida, tomou-a sobre os seus ombros – os mesmos ombros que carregaram com a cruz – e reconduziu-a à vida eterna. Depois daquela ténue luz do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, veio o Esposo. O Senhor veio depois daquele que para Ele preparou um povo escolhido, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o baptismo do Espírito. Foi necessário que Deus Se fizesse homem e morresse para que tivéssemos a vida. Morremos com Ele para sermos purificados. Ressuscitámos com Ele, porque com Ele morremos. Fomos glorificados com Ele porque com Ele ressuscitámos.

Páscoa excelsa, Páscoa sagrada, ponto culminante de tudo o que há no mundo. Falo de ti como da própria vida. Verbo, luz, vida, sabedoria e poder de Deus. Todos os teus nomes me enchem de alegria. Rebento e sinal da grande sabedoria e perfeição de Deus. Verbo que conheces todas as coisas homem digno de ser contemplado, e que abres todas as portas com o poder da tua palavra. O Senhor deu o mistério da Páscoa aos discípulos no Cenáculo, durante a refeição no dia anterior à sua Paixão; e nós damo-lo nas nossas Igrejas antes de comermos e depois da sua Ressurreição. Páscoa do Senhor, Páscoa, repito, em honra da Trindade. É para nós a festa das festas, a solenidade das solenidades, que ultrapassa em glória não só as festas humanas e ligadas à terra mas também aquelas que celebramos em honra de Cristo, tal como o sol ultrapassa as estrelas em esplendor.

(PG 36, 634-662; Antologia Litúrgica 1961b-1961d).


Foto:

A Ressurreição do Senhor Jesus

Pormenor da ábside

 

Antiga Igreja de São Salvador, Chora, Turquia, séc. V

Departamento de Liturgia do Patriarcado de Lisboa
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