Lisboa |
Assembleia Diocesana de Catequistas 2019
Vivência “plena” do Domingo pede “criatividade”
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Na Assembleia Diocesana de Catequistas, que decorreu em Sintra, o Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu o trabalho destes agentes, que estão “na primeira fronteira” do Evangelho, e apelou à “vivência plena” do primeiro dia da semana “que dá sentido a todos os outros”. Os percursos formativos neste dia conduziram as mais de cinco centenas de catequistas por experiências de oração e formação litúrgica.

 

A vila de Sintra recebeu, no último Domingo, 28 de abril, 550 catequistas, na Assembleia Diocesana de Catequistas, vindos de todas as vigararias do Patriarcado de Lisboa. A este pequeno ‘exército’, o Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu todo o trabalho e dedicação que empregam, todas as semanas, na formação na fé de milhares de catequizandos. “Em cada criança, adolescente, jovem ou adulto que acompanhais nos atos catequéticos – aí, exatamente, o Evangelho que está vivo nas vossas vidas e nos vossos corações se torna vida de todos”, garantiu D. Manuel Clemente, na homilia da celebração que encerrou o encontro que teve como tema ‘Celebrar o encontro com Jesus Cristo’.

Por entre três percursos formativos, os catequistas foram conduzidos, ao longo da manhã e início da tarde, por vários ateliers, em diferentes locais, que tiveram como objetivo, “por um lado, proporcionar uma formação litúrgica, do ponto de vista catequético e, por outro, experiências de oração”, explica, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a irmã Isabel Martins, do Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa. Para esta responsável, a catequese atual “tem que continuar a ser repensada neste tripé: catequista, catequizandos, famílias”. “A catequese será cada vez menos um catequista que vai dar catequese e os pais que levam os meninos. Não pode ser. Tem que ser um caminho conjunto”, defende a religiosa.

 

Caminhada conjunta

A importância da envolvência dos pais no percurso de catequese dos seus filhos foi também um dos pontos abordados em alguns ateliers que decorreram, na sua maioria, no Agrupamento de Escolas D. Fernando II, em Sintra. Na sessão que teve como tema ‘Iniciação à oração na infância’, a formadora Fátima Soledade garantiu que apenas “uma caminhada conjunta com pais e filhos” pode “gerar frutos”, mas alertou: “Temos que trabalhar muito. A catequese não é uma aula”. Para esta catequista, da Paróquia do Parque das Nações, é importante ter muita atenção aos sinais. “As crianças vão-nos imitar em tudo”, refere, dando como exemplo a Bíblia, sempre aberta, que convida todos os pais terem em casa. “É essencial que eles sintam, desde o primeiro dia, que aquele é um livro da Palavra, que tem de estar sempre aberto e no coração”.

 

Partilhar diferentes realidades

Para além da presença dos catequistas, este encontro, organizado pelo Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa, contou com a colaboração de 40 animadores dos ateliers e 120 voluntários, vindos, sobretudo, da Vigararia de Sintra, que acolheu esta iniciativa. Os diferentes participantes foram partilhando, ao longo do dia, na página do Setor da Catequese no Facebook (www.facebook.com/CatequesedeLisboa) alguns testemunhos. João Pedro, catequista da Paróquia de Algueirão - Mem Martins - Mercês, referiu que estes encontros “são importantes para estarmos juntos e compreendermos e partilharmos diferentes realidades, dificuldades e como as superamos”. “São também uma oportunidade para obter ferramentas e ter momentos de oração”, acrescentou. Estes encontros diocesanos são também momento para buscar “as melhores soluções” para resolver algumas situações, segundo salientou um grupo de catequistas da Paróquia da Malveira. “É importante este dia porque partilhamos e adquirimos conhecimento e não ficamos cingidos à nossa própria realidade, apoiamo-nos uns aos outros e conseguimos perceber quais as melhores soluções”, referiram. Para a jovem catequista Andreia, da Paróquia de Camarate, a Assembleia de Catequistas foi uma “oportunidade para todos aprenderem a ser melhores catequistas e a caminharem em direção ao que o Senhor nos ensina”.

 

Fazer eco

O Cardeal-Patriarca esteve presente na Assembleia Diocesana de Catequistas durante todo o dia, presidindo às Laudes, acompanhando alguns ateliers e celebrando a Missa que assinalou o encerramento da iniciativa. Com os catequistas reunidos na Igreja de São Miguel, em Sintra, D. Manuel Clemente apontou o evangelho da celebração como “excelente definição” do que é a catequese. “Este primeiro final do Evangelho de São João disse-nos que Jesus fez muitas outras coisas maravilhosas que não estão escritas neste livro, mas estas tinham que ficar escritas para que tivésseis vida, a Vida em seu nome. É uma bonita definição do que é a catequese. Porque aquilo que cada um de vós faz é exatamente isto: fazer eco, transmitir o que Jesus Cristo disse e fez para que a vida de Jesus Cristo passe a ser a vida de muita gente – a vida em Seu nome: naqueles que escutam e também naqueles que fazem a catequese porque naquilo que dizem, também crescem”, apontou.

Na homilia, o Cardeal-Patriarca apontou ainda a vivência do Domingo como desafio para a catequese. “O Domingo é o primeiro dia da semana, que dá sentido a todos os outros”, sublinhou, reconhecendo que “não é fácil” incutir esta vivência nas famílias de todas as crianças e adolescentes que frequentam a catequese. Contudo, “é algo que chama a nossa criatividade, a nossa capacidade de renovar as coisas para que fiquem com o seu pleno sentido”, apontou. “Ainda me recordo como eram os meus Domingos, no tempo da catequese, e como aqueles dias eram preenchidos com tudo aquilo que acontecia, quando saímos de casa cedinho para ir à catequese”, recordou D. Manuel Clemente

 

Originalidade cristã

Atualmente, face a uma mudança de hábitos na sociedade que preenche o Domingo com atividades que, muitas vezes, retiram o “pleno sentido” da vivência deste dia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa desafiou os catequistas a olharem “intercomunitariamente” este problema. “Este valor que os primeiros cristãos tiveram é fundamental. Temos que ser muito criativos para não deixarmos o Domingo ser engolido pelo fim-de semana. O Domingo é uma originalidade cristã. Os cristãos fizeram disto o centro da sua vida”, observou o Patriarca de Lisboa, lembrando outros cristãos que, “noutras latitudes”, não gozam da mesma paz e tranquilidade. “Em muitos locais, não há possibilidade de se reunirem os cristãos para testemunhar esta presença do Ressuscitado no meio deles”, frisou. “Vivamos e agradeçamos isto que se passa connosco: a presença do Ressuscitado através de nós, a comunidade cristã, o dia do Senhor, isto que damos para recebermos ainda mais. Cada um de vós, catequistas, em cada momento catequético, é Corpo de Cristo Ressuscitado, é manifestação da sua presença viva, é testemunha do Evangelho verdadeiro, é a Vida no mundo”, relevou. “A catequese é o Evangelho na sua primeira fronteira”, concluiu o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

Formação para a JMJ

No final da Missa, o diretor do Setor da Catequese do Patriarcado referiu que, à semelhança das orientações nacionais, este departamento está “apostado” na “formação dos catequistas”, referiu o padre Tiago Neto. O momento foi também ocasião para anunciar a criação de uma proposta formativa, destinada aos adolescentes, que visa preparar a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, em 2022. “Para as paróquias que o desejarem, iremos ter um programa de formação com adolescentes, sobretudo na área do serviço e da missão, durante três anos, até 2022”, anunciou o sacerdote, remetendo para breve mais informações sobre a iniciativa.

 

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Introdução à celebração da Missa é “tarefa essencial” para os catequistas

“É, aparentemente, a tarefa mais difícil. Todos nos queixamos que conseguimos que as crianças venham à catequese, mas não à Missa”. A constatação é do diretor da Catequese do Patriarcado de Lisboa, padre Tiago Neto, e foi o ponto de partida para a apresentação do ‘Diretório das Missas com Crianças’, que foi reeditado por ocasião da Assembleia Diocesana de Catequistas. No atelier que decorreu no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, este responsável apresentou a publicação como uma ferramenta para ajudar a “introduzir as crianças progressivamente no mistério da celebração cristã”. “Muitas vezes, temos problemas porque queremos dar o prato forte da Missa, sem mais, a pessoas que nunca fizeram uma iniciação à celebração, progressivamente. Não é lícito dizermos que nosso trabalho é infecundo porque as crianças não vão à Missa. O que é lícito dizer é que nós não fazemos um trabalho convenientemente estruturado e aprofundado de introdução das crianças na celebração do mistério cristão. É isso que temos que fazer. Este é o nosso trabalho”, defendeu o padre Tiago Neto.

O ‘Diretório das Missas com Crianças’ é um documento que foi publicado, pela primeira vez, em 1973, após o Concílio Vaticano II. A sua reedição, pelo Secretariado Nacional de Liturgia em colaboração com o Setor da Catequese do Patriarcado, vem dar resposta a uma indicação do Concílio Vaticano II: “Que a Eucaristia fosse adaptada às diversas assembleias”, recordou o padre Tiago, reconhecendo o desconhecimento que existe em relação a este documento: “Mesmo para os próprios sacerdotes, é um texto que deve ser conhecido e estudado. E quando pensamos numa Missa com crianças numa comunidade, o trabalho de preparação deve ser feito em equipa: sacerdote, liturgia, catequese. Toda a educação litúrgica e o progresso que se faz na educação das crianças à celebração deve ser tendencialmente direcionada para a celebração na comunidade cristã”.

Durante a Assembleia de Catequistas, foi ainda dado a conhecer o livro ‘Cristo está no meio de nós – A Missa explicada’, da autoria do cónego José Ferreira. A obra, que resultou da iniciativa conjunta do Setor da Catequese do Patriarcado e do Secretariado Nacional de Liturgia, corresponde ao texto da ‘Reflexão Pessoal’, escrita pelo padre José Ferreira, a pedido dos organizadores do Catecismo ‘Cristo está no meio de nós’.

As publicações estão à venda em www.liturgia.pt, na Livraria Nova Terra – Patriarcado de Lisboa e noutras livrarias em todo o país.

texto e fotos por Filipe Teixeira
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