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“Não ceder à tentação da bisbilhotice”
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O Papa Francisco aconselhou os cabeleireiros, os barbeiros e os esteticistas. Na semana em que alertou para a situação “muito grave” que ameaça refugiados na Líbia, o Papa exortou as Coreias a continuarem os esforços na busca da paz. Nas celebrações de Páscoa, Francisco exprimiu a sua dor por “tão cruel violência” no Sri Lanka e desafiou os sacerdotes à proximidade.

 

1. O Papa convidou os cabeleireiros, os barbeiros e os esteticistas a tratar os clientes com “gentileza e cortesia”, evitando ceder à “tentação da bisbilhotice que facilmente se insinua neste contexto profissional”. Foi durante uma audiência a membros dos comités de São Martinho de Porres, padroeiro destes profissionais, no Vaticano. Na saudação, Francisco destacou a vida e a missão do santo peruano, falecido em 1639, que, por ser mestiço, foi acolhido na Ordem dos Dominicanos apenas como terciário e, depois, como irmão cooperador. O Papa sublinhou que Martinho de Porres viveu uma “existência de máxima humildade, marcada pelo amor”. “Dedicou-se com abnegação aos pobres e aos doentes, reservando-lhes cuidados médicos graças às noções aprendidas, primeiro numa farmácia e depois como aprendiz de um barbeiro-cirurgião, segundo os costumes daquela época”, recordou.

 

2. O Papa manifestou a sua preocupação com a situação dos refugiados na Líbia, que considerou “muito grave”, apelando à intervenção da comunidade internacional. “Convido-os a unirem-se à minha oração pelos refugiados que se encontram nos centros de detenção da Líbia, cuja situação, já muito grave, se tornou ainda mais perigosa por causa do conflito em curso”, assinalou, falando aos peregrinos reunidos no Vaticano para a recitação da oração do Regina Coeli, no passado Domingo, 28 de abril. Francisco apelou a que estes refugiados possam deixar a Líbia através de “corredores humanitários”, em particular as mulheres, crianças e doentes, “o mais rapidamente possível”.

No Domingo da Divina Misericórdia, Francisco disse ainda que “a ressurreição de Jesus é o maior razão da alegria” e supera “as forças negativas do mundo”. Além da “verdadeira alegria”, Jesus é “fonte de paz” para os cristãos, ao derrotar “o pecado, o mal e a morte”. “Todos os batizados são chamados a transmitir os dons divinos da paz e da alegria, continuando assim a missão salvífica de Jesus no mundo, cada um segundo a sua própria vocação”, acrescentou, desafiando os cristãos a tocar as “chagas de Jesus”, procurando “visitar quem é símbolo” desses sofrimentos, nas dificuldades e perseguições da vida quotidiana dos “irmãos que sofrem”. “Dessas chagas, jorra a misericórdia”, sustentou.

 

3. Numa mensagem vídeo, o Papa Francisco assinalou, no dia 27 de abril, o primeiro aniversário da Declaração de Paz de Panmunjom, assinada na primeira cimeira entre as Coreias, esperando que este primeiro passo “possa oferecer a todos a esperança de um futuro”. “Que esta celebração possa oferecer a todos a esperança de que um futuro, baseado na unidade, no diálogo e na solidariedade fraterna, seja realmente possível. Mediante esforços pacientes e perseverantes, a busca de harmonia e concórdia pode superar a divisão e a contraposição”, refere o Papa, desejando: “Rezo para que este aniversário da Declaração Panmunjom possa trazer uma nova era de paz para todos os coreanos”.

 

4. “Soube, com tristeza, da notícia dos graves atentados que, hoje mesmo, dia de Páscoa, trouxeram luto e dor a algumas igrejas e outros lugares de encontro no Sri Lanka. Desejo manifestar a minha afetuosa proximidade à comunidade cristã, atacada enquanto se reunia em oração, e a todas as vítimas de uma tão cruel violência”. Foi desta forma que, durante a bênção ‘Urbi et Orbi’, no Domingo de Páscoa, a 21 de abril, o Papa reagiu aos atentados que causaram mais de 250 mortos, e centenas de feridos, no Sri Lanka. “Confio ao Senhor todos os que tragicamente desapareceram e rezo pelos feridos e por todos os que sofrem por causa deste dramático acontecimento”, acrescentou.

Na oração de Domingo de Páscoa, o Papa denunciou ainda a indiferença de quem ignora os conflitos e injustiças que afetam milhões de pessoas em todo o mundo e pediu o fim dos “muros”. “Perante os inúmeros sofrimentos do nosso tempo, que o Senhor da vida não nos encontre frios e indiferentes. Faça de nós construtores de pontes, não de muros”, pediu, a partir da varanda central da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Francisco enunciou alguns dos atuais conflitos que afetam populações de vários continentes, como no Sudão, a atravessar um momento de incerteza política, e a Venezuela. “Penso de modo particular no povo venezuelano: em tanta gente sem as condições mínimas para levar uma vida digna e segura, por causa duma crise que perdura e se agrava. O Senhor conceda, a quantos têm responsabilidades políticas, trabalhar para pôr fim às injustiças sociais, abusos e violências e realizar passos concretos que permitam sanar as divisões e oferecer à população a ajuda de que necessita”, afirmou. Para o Médio Oriente, “dilacerado por divisões e tensões contínuas”, o Papa desejou que “os cristãos da região não deixem de testemunhar, com paciente perseverança, o Senhor ressuscitado e a vitória da vida sobre a morte”.

 

5. O Papa Francisco presidiu, em Quinta-Feira Santa, à Missa Crismal no Vaticano, reunindo os membros do clero presentes em Roma, e sublinhou que todos os padres devem manter uma atitude constante de “contacto direto” com o povo, tal como Jesus fazia. “Este seguimento do povo não é calculista, é um seguimento sem condições, cheio de carinho. Contrasta com a mesquinhez dos discípulos, cujo comportamento face ao povo se revela quase cruel quando sugerem ao Senhor que o mande embora para irem procurar algo de comer”, referiu, na homilia da celebração. Francisco destacou ainda que, para os sacerdotes, este povo representa um “modelo evangélico”, convidando a olhar com atenção para “esta multidão com estes rostos concretos, que a unção do Senhor levanta e vivifica”. “Aquele que aprende a ungir e a abençoar fica curado da mesquinhez, do abuso e da crueldade”, sustentou.

O Papa convidou também os sacerdotes a terem em atenção os “traumas que deixam pessoas, famílias e populações inteiras fora de jogo, como excluídas e supérfluas, à margem da história”. “Rezemos para que o Pai, ao colocar-nos com Jesus no meio do nosso povo, renove em nós a efusão do seu Espírito de santidade e faça com que nos unamos para implorar a sua misericórdia para o povo que nos está confiado e pelo mundo inteiro”, concluiu o Papa.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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