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P. Duarte da Cunha
A Europa e os seus padroeiros no terceiro milénio
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Fala-se muito, e é bem necessário, da Europa. Há coisas boas e coisas más a ser ditas. Exemplos a seguir e outros a evitar! Agradecemos aos nossos bispos o importantíssimo documento que acaba de ser publicado sobre a Europa.

Para ajudar a pensar a Europa, nestas vésperas de eleições, os católicos têm um recurso importante que vale a pena recordar: os Santos patronos. Com eles descobrimos muito do que somos e do que devemos fazer para sermos mais e melhor nós mesmos.

Foi em 1964 que São Paulo VI proclamou São Bento (480-547) patrono da Europa, indicando com este exemplo o que a Igreja pensa sobre a Europa. Esta não se faz só de negócios nem se pode pensar contra Deus. Ela tem uma alma que busca continuamente a verdade e sabe adorar Deus como Criador e como Redentor. São Bento, com a rede de mosteiros que inspirou, permitiu que se desenvolvesse em todo o Continente uma civilização profundamente humana. Ele, com o seu famoso e sempre actual lema: Ora et Labora, ensinou a cuidar do espírito humano e a desenvolver a criação forjando assim o DNA da cultura europeia.

São João Paulo II, um Papa eslavo, em 1981 proclamou co-padroeiros da Europa os irmãos santos Cirilo e Metódio (séc. IX), recordando que a Europa vai do Atlântico aos Urais e deve respirar com dois pulmões. Este e Oeste, apesar de muitas diferenças culturais, linguísticas e históricas têm em comum aquelas raízes cristãs que estes santos, juntamente com tantos outros, tornaram comuns a todo o Continente. Poderia parecer impossível evangelizar os povos eslavos, mas o amor a Cristo e querer que Ele fosse amado e conhecido por todos impeliu estes santos a irem, como diria o Papa Francisco, até às periferias. Eles vieram do mundo grego e evangelizaram o mundo eslavo, mantendo-o em união com Roma e o Papa que falava latim! O importante era que ninguém ficasse privado dos dons de Deus.

Durante o Jubileu do ano 2000, o mesmo São João Paulo II proclamou ainda três santas co-padroeiras da Europa. Três grandes mulheres referências para a Igreja e para os europeus, que recordam diferentes vocações, que vêm de regiões diferentes, mas que têm em comum a fé que as levou a ter uma especial atenção pelo bem comum.

Santa Catarina de Sena (1347-1380), vivendo num século confuso no que diz respeito às relações entre as diversas nações europeias e a Igreja, viveu, muitas vezes com grande sacrifício, profundamente ligada a Jesus Cristo por aquilo que chamou as suas núpcias espirituais. Esta união com Jesus deu-lhe força para promover a unidade e a renovação da Igreja de que esta tanto necessitava. Conseguiu mesmo que o Papa Gregório XI, que vivia em Avinhão, voltasse para a sua sede, junto do túmulo do Apóstolo em Roma. Na Europa, vivemos hoje, de novo, uma grande necessidade de evangelização e são pessoas como esta santa que nos entusiasmam a não desistir e nos explicam o método: da comunhão com Cristo e do amor à Igreja ao cuidado de todas e cada uma das pessoas.

Santa Brígida da Suécia (1303-1373), que foi casada e teve oito filhos, era uma mulher com uma elevadíssima cultura, já reconhecida pelos seus contemporâneos. Ainda no nosso tempo ela pode ser exemplo de esposa e mãe e ajudar a nossa cultura a voltar a valorizar a família na sua verdade e beleza. Com o marido, os filhos e outros membros da família, em 1341, peregrinou a Santiago de Compostela, mais tarde, já viúva, peregrinou até Roma e chegou mesmo a ir à Terra Santa. Esta sua vontade de peregrinar mostra bem como a santidade e, por isso, a felicidade, só se consegue caminhando em direção aos lugares de encontro com Deus. A Europa não se faz só desenvolvendo tecnologicamente ou aumentando a quantidade de dinheiro em circulação, mas avançando num caminho que tem uma meta e que leva a estar mais próximo de Deus.

Finalmente, temos a Santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942). Nasceu numa família judia com o nome de Edith Stein, mas a certa altura converteu-se e, mais tarde, entrou no Carmelo onde, como ainda hoje é costume, mudou de nome. Foi uma grande filósofa que tentou perceber a condição humana, o lugar da mulher na sociedade e o modo de conhecer a realidade, mas também deu um passo em frente. Quando descobriu Jesus Cristo tornou-se íntima dele e apaixonou-se pela Sua cruz. Foi por isso que decidiu consagrar toda a vida a Deus e, quando, por causa da sua origem judaica, os nazis a prenderam e a levaram para Auschwitz não temeu o martírio. Com ela, a Igreja diz que precisamos de pensar para ter bem claro o que é o homem e qual a sua verdade última, mas, mais ainda, recorda que só o amor e a fé vencem as atrocidades animalescas das ideologias de ontem e de hoje.