Missão |
Guilherme Osswald, do Grupo Grão
“O simples estar era muito importante”
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Guilherme Osswald nasceu a 21 de Janeiro de 1999 no Porto, onde vive há cinco anos com o seu pai. Estuda Engenharia Mecânica, no ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto). É membro do Grupo Grão e, em 2019, esteve em missão durante dois meses em Angola.

 

Necessidade de fazer algo mais

Em 2018, sentiu a “necessidade de fazer algo mais, não tão focado em mim, mas para os outros”. Ao ouvir a partilha da sua irmã (membro do Grupo Grão) decidiu tentar “esta nova experiência” e conta: “Entrei no Grão em outubro de 2018 e logo nas primeiras formações percebi que se antes tinha alguma dúvida em permanecer neste projeto, deixei de as ter. Fui rapidamente cativado pelos testemunhos de voluntários de anos anteriores, pela comunidade que estava comigo a começar este novo percurso onde fui calorosamente acolhido e pelas orações finais, que me permitiam partilhar o que sentia com todos á minha volta e com Deus como nunca antes havia sentido.

Tudo isto me entusiasmou a percorrer um percurso de nove meses, que incluiu diversas formações, fins-de-semana fora e convidados especiais que nos ajudaram a preparar-nos para a vida em missão e nos ensinaram a ser missionários. Por outro lado, não sendo este projeto financiado, contámos com uma intensa angariação de fundos ao longo destes meses, que não só nos fortaleceu o espírito comunitário e de serviço, como nos permitiu valorizar ainda mais a missão para que tanto tínhamos trabalhado.”

 

“Querer continuar a viver tudo isto”

Em julho de 2019, partiu em missão para Benguela (em Angola) inserido num grupo de cinco elementos onde permaneceu até setembro. Sobre esta experiência, partilha: “Fomos acolhidos pela Casa do Gaiato de Benguela, que não só nos deu casa para os dois meses como nos inseriu no seu modo de vida, em que pudemos assistir à sua missa todos os Domingos, rezar o terço diariamente e por vezes passear na montanha ou na praia. Foi nestas atividades que desenvolvemos um forte sentimento de cumplicidade com os gaiatos, que nos aceitaram desde o início como se de lá já fizéssemos parte. Este sentimento revia-se na participação dos mesmos nas nossas atividades, tais como o campo de férias que organizámos para as férias deles, formações de desenho, saúde, sexualidade, etc. No entanto, também nos dedicámos à recolha de necessidades em instituições fora desta casa, e constatámos que, mesmo com o apoio dos Leigos para o Desenvolvimento, ainda havia por ali muito a fazer. Considerando o que era necessário fazer, o que éramos capazes de fazer e o tempo que tínhamos, dividimos o nosso trabalho por diferentes instituições. Abordámos o Bairro da Graça, a Aldeia SOS, o Abrigo, entre outros, e demos-lhes o que podíamos dar, formações, cursos e workshops sobre o que sabíamos, como Saúde Pública, Inglês, Informática e Reciclagem. Mas também reparei que lhes dávamos outras coisas, o simples estar era muito importante e sentir a nossa presença e atenção numa sociedade tão desfavorecida torna-se importante. Isto sente-se quando, mal entramos pela primeira vez no Bairro da Graça e sem nos conhecer, eles agradeciam-nos por simplesmente dançarmos com as crianças ou lhes perguntarmos acerca das principais expressões do seu dialeto. Nisto tudo, cheguei à conclusão que o mais importante que lhes dávamos não eram bens materiais, que eram também importantes e muito necessitados, mas sim as formações que lhes dávamos, a nossa presença e atenção e sobretudo o amor que lhes transmitíamos. Da mesma forma, do que recebíamos desta comunidade, também me tinha maior significado o que não era material, a atenção deles nas nossas palestras, a felicidade que recebíamos deles nas atividades mais simples e principalmente a gratidão, em que ouvir um simples obrigado no final de uma atividade era suficiente para voltar feliz para casa e suportar todo o cansaço que aquela missão exigia, e compreendi que recebia mais do que o que dava, apenas recebia de forma diferente, fazendo-me desejar cada vez mais não sair de lá e prolongar ao máximo o quotidiano de acordar cheio de crianças à minha volta, fazer compras no mercado da Graça onde se desenvolvia sempre alguma conversa (ou brincadeira se estivéssemos com as crianças), trabalhar no duro num objetivo em que tão fortemente acredito e terminar o dia com Deus, nas orações comunitárias, que não só nos faziam sentir ao Seu lado como nos embalavam a um descanso necessário para o estarmos prontos para o próximo dia. Assim, senti logo que os dois meses que passaram foram muito curtos, quer por querer continuar a viver tudo isto, quer por sentir que ainda podíamos fazer muito mais se lá nos mantivéssemos, mesmo tendo sido tão bem aproveitados.”

 

“A minha missão não acabava aí!”

Após o regresso, conta-nos: “Quando voltei, senti que a minha missão lá estava completa, mas que a minha missão não acabava aí. Comecei então a minha nova missão, partilhar ao máximo tudo o que vi, aprendi e experimentei, por isso este ano dedico-me de novo a este projeto para formar e preparar novos missionários para que possam ter a mesma oportunidade que me deram de partir e viver esta experiência tão única e gratificante.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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