Lisboa |
Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras: encontro com a Pastoral Litúrgica
“O sujeito da liturgia é a comunidade cristã”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa apelou aos agentes da Pastoral Litúrgica para “ganharem sentido de Corpo” e “deixarem-se incorporar em Cristo”. “O sujeito da liturgia é a comunidade cristã, é o Corpo de Cristo”, destacou D. Manuel Clemente, num encontro com esta pastoral, em Linda-a-Velha, no âmbito da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras.

 

“Na introdução do Missal Romano, quando se fala da Eucaristia, que é o coração de toda a liturgia cristã, diz-se: ‘Reunido o povo’… porque o sujeito da liturgia não é o sacerdote, não é o diácono, não é o ministro da comunhão, não é a diretora do coro, não é este, nem é aquele, é a comunidade cristã, é o Corpo de Cristo”. Foi este o sentido da intervenção do Cardeal-Patriarca no encontro com a Pastoral Litúrgica, que teve lugar na noite do passado dia 6 de março. No salão paroquial de Linda-a-Velha, D. Manuel Clemente apontou que os cristãos formam “um só Corpo”. “Cada um, com certeza, fazendo o que lhe compete, como os vários membros do Corpo, mas todos como um Corpo só. Este é que é o sujeito da oração litúrgica. Nós devemos fazer muito neste sentido” apelou. “Porque a nossa liturgia não é um espetáculo, em que alguns cantam melhor ou pior, em que alguns falam melhor ou pior, em que o sítio é mais bonito ou menos bonito… não! E depois vai-se entrando, vai-se saindo… não! Somos nós todos. Por isso, a integração, o acolhimento, o sentirmo-nos uma comunidade, ou seja, a participação em coisas que são comuns, isto é que é o sujeito da liturgia. Temos de caminhar muito neste sentido”, reforçou o Cardeal-Patriarca, pedindo “muita atenção” ao crescimento, nas comunidades, “no aspeto litúrgico como um Corpo, que é para ser verdade”. “Porque se não, ficamos pelo espetacular, gostamos mais, gostamos menos… Somos todos o Corpo de Cristo, que em Jesus Cristo dá glória ao Pai, na união do Espírito”, frisou.

 

Ser do Corpo

Em Linda-a-Velha, D. Manuel Clemente focou a sua intervenção na importância do “todo”. “Quando há, numa comunidade cristã, este sentido, quando nós nos reunimos e somos, realmente, um todo, com atenção a cada um, porque todo tem o seu lugar, mesmo que pela doença ou por qualquer incapacidade nem fale, nem diga, nem oiça, mas está lá e é do Corpo. É exatamente este sentido comunitário que faz de nós o Corpo de Cristo, para louvor do Pai, no amor do Espírito. Essa é a liturgia cristã”, referiu o Cardeal-Patriarca, agradecendo ainda a estes agentes pastorais a sua missão na Igreja. “Agradeço muito tudo aquilo que fazeis. Ganhem sentido de Corpo. Deixem-se incorporar em Cristo. É nesta variedade complementar que o Corpo de Cristo acontece. Aquilo que estou a ver à minha frente não são muitas caras, masculinas e femininas, o que eu estou a ver à minha frente é o Corpo de Cristo”, terminou.

 

Um só Corpo

Neste encontro com os agentes da Pastoral Litúrgica, no âmbito da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras, o Cardeal-Patriarca tinha começado por lembrar o exemplo e a conversão de São Paulo. “Nós estamos aqui porque fomos apanhados por Jesus. Ou seja, Ele é uma presença e uma presença que nos apanha, que nos faz seus”, frisou D. Manuel Clemente, sublinhando ainda ser “muito importante” ter “a consciência de que, juntos”, os cristãos, “todos os batizados em Cristo”, “formam com Ele um só Corpo”. “Quer quando se canta num coro, como há pouco a Mariana [ver rodapé] nos explicava, quer quando se visitam doentes, como o Alfredo explicava, quer quando se reza a Liturgia das Horas, como o António e a Teresa explicaram, quer quando se acompanha os defuntos e as suas famílias, como a Arlete disse, em qualquer aceção da nossa vida litúrgica, é como um Corpo só. Como São Paulo dizia aos Coríntios: ‘Somos vários, não fazemos todos a mesma coisa, o Corpo tem vários membros – cabeça é cabeça, pé é pé, mão é mão’. É o que acontece”, garantiu. “A liturgia é a oração comunitária oficial do Corpo de Cristo que somos todos nós, os batizados. Cada um segundo a sua função, porque como um corpo tem vários membros, assim nós também e formamos um Corpo só”, acrescentou.

 

O coração da liturgia cristã

Para D. Manuel Clemente, “cantar, proclamar a Palavra, ajudar a distribuir a comunhão, levá-la aos doentes, estar na Eucaristia” é “o coração da liturgia cristã”. “Recriar agora, em cada um dos nossos passos, aquilo que aconteceu na manhã de Páscoa, aquilo que aconteceu oito dias depois, aquilo que nunca mais deixará de acontecer. Quando nos reunimos em seu nome, quando lembramos as suas palavras – como depois foram passadas a escrito e as temos no Novo Testamento –, quando aquele que O representa, como sacerdote ministerial, repete os seus gestos ‘Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue entregue por vós’, quando isto acontece nos outros atos sacramentais da Igreja, em que todos se dão do modo como participamos, como vários membros de um Corpo só, é isto que acontece sempre: a experiência de Deus estar no meio de nós”, explicou aos agentes da Pastoral Litúrgica da Vigararia de Oeiras, que encheram por completo o salão paroquial de Linda-a-Velha.

 

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“Fazer bem o que está previsto no Missal Romano”

Pároco de Linda-a-Velha e responsável pela Pastoral Litúrgica na Vigararia de Oeiras, o padre Diamantino Faustino sublinhou a importância de fazer “bem o que está previsto” no Missão Romano, em termos da celebração litúrgica. “Permitam-me partilhar a experiência pessoal de, ao ter feito uma revisão geral do Missal Romano, e da sua introdução geral, para o apresentar aos agentes da pastoral aqui da paróquia, me sentir, em alguns pontos, como se não soubesse celebrar a Missa. De facto, encontrei elementos e orientações para a celebração da Missa, que têm ficado na sombra dos nossos ritmos – quer dos pastores, quer das comunidades. Um desafio que coloquei na minha paróquia foi o de fazermos bem o que está previsto… e tem sido mais difícil do que parecia à partida. Muitas vezes a comodidade do ‘que é costume’ e a ‘resistência à mudança’ também se instalam no ritmo da celebração litúrgica – mesmo que seja para simplesmente fazer o que está previsto no Missal, sem acrescentos nem atropelos”, alertou o sacerdote, no início do encontro do Cardeal-Patriarca com a Pastoral Litúrgica.

O padre Diamantino referiu depois que, “ao recolher a informação sobre os grupos de cada paróquia”, deparou-se com “uma maior variedade de grupos” do que esperava. “De facto, se todas as paróquias têm os grupos de leitores, cantores, acólitos e ministros da comunhão, já nem todas têm o grupo da Liturgia das Horas, das zeladoras, dos ostiários, dos ministros das exéquias ou dos grupos de oração pelos defuntos”, apontou. Sobre a realidade dos grupos de leitores disse ser “diversa”. “Temos desde um grupo de 60 leitores a um grupo de 15 leitores”, referiu. Já sobre os coros paroquiais, garantiu que a realidade “é homogénea em toda a vigararia, incluindo a diversidade de sensibilidades, no que toca à música na liturgia”. Quanto aos acólitos, “dentro da habitual realidade maioritária dos grupos de acólitos – crianças e jovens, em idade de catequese –, surgem algumas paróquias com acólitos já adultos”, enquanto os ministros da comunhão são um serviço “dos mais organizados” da vigararia e os ministros das exéquias há “apenas numa paróquia”, em São Julião da Barra. Na Vigararia de Oeiras, “há várias paróquias que implementaram” a oração da Liturgia das Horas. “Nos tempos fortes, também há paróquias que implementam as Laudes e Ofício de Leitura”, referiu, sublinhando também, acerca das zeladoras ou ostiários, que “as paróquias todas têm grupos de pessoas que oferecem do seu tempo para cuidar da ‘casa do Senhor’, ou dito de uma forma mais fraterna, da ‘casa da Igreja’”. Finalmente, existem “grupos que fazem oração nos velórios”, pelos “defuntos”.

 

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Mariana, Paróquia de Carnaxide

Diretora de um coro da Paróquia de Carnaxide há um ano e meio, Mariana considerou que “a parte musical é relativamente fácil de trabalhar e corrigir”. “Difícil é dar ao coro um sentido de missão”, frisou esta jovem, acerca do coro da Missa de Domingo, às 11h30, que tem 20 elementos e uma média de 70 anos. “São todos muito ativos e assíduos na paróquia. É um grupo muito coeso e muito equilibrado em termos de naipes”, observou.

 

Alfredo Ramos, Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião da Barra

Ministro da comunhão há quase sete anos, Alfredo Ramos testemunhou, em Linda-a-Velha, que a sua missão é não só “a distribuição da sagrada comunhão nas Eucaristias”, mas também “o acompanhamento aos doentes”. “Os MEC’s realizam ainda a celebração da Palavra e a exposição do Santíssimo”, referiu, sublinhando que, “nesta graça, e não serviço”, procuram “chegar a quem precisa”.

 

Teresa e António Cunha, Paróquia de Laveiras-Caxias

Membros da primeira comunidade Neocatecumenal de Caxias há 45 anos, Teresa e António Cunha partilharam a forma como rezam as Laudes, diariamente, às 6h30 da manhã, na igreja, durante a Quaresma e o Advento. “É um momento muito importante e faz parte do convite que a Igreja nos faz de nos sacrificarmos por Jesus Cristo”, assegurou Teresa, mãe de 12 filhos e avó de 46 netos.

 

Arlete Sim-Sim, da Paróquia de Paço Arcos

Arlete pertence ao movimento ‘Os mensageiros da Ressurreição’, que tem 40 elementos. “Apoiamos as famílias enlutadas, através de palavras de consolação, muito especialmente confortando-as e rezando com elas”, referiu esta viúva, que pertence à Paróquia de Paço de Arcos há 63 anos. “A nossa oração tem duas leituras, um salmo e algumas preces, e terminamos com a Consagração a Nossa Senhora”, explicou.

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