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Superar dificuldades e crises em casal
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É comum a muitos casais desejar um amor que seja pleno, gratuito, natural, verdadeiro… e que alguns consideram ter que ser “espontâneo”, mas o que vivemos, o que observamos à nossa roda e todos os estudos e investigações mostram que, para construir um casamento, é necessário esforço, é necessária a vontade de aceitar os defeitos próprios e do outro, e tal não surge espontaneamente. É neste sentido que se pode dizer que “amar é também querer amar”, passa pela vontade. Perceber isto e integrar esta ideia na construção do casamento é tudo menos óbvio, actualmente.

Dificuldades, não há casal que não as tenha. Todos as têm, mais ou menos graves. Há que as identificar e lidar com elas. Por vezes, as dificuldades transformam-se em crises.

Quanto às dificuldades podemos considerá-las em dois grandes tipos. Em primeiro lugar as dificuldades que são mais previsíveis, porque vão surgindo ao longo da vida e, mais ou menos são próprias da fase que se atravesse em cada momento. Na generalidade, embora à sua maneira, todos os casais as experimentam dado que estas dificuldades são próprias da adaptação normal e contínua de duas pessoas que se amam mas que são diferentes. Constituem exemplos, na formação do casal o ajustamento de hábitos, de expressão de afectos, ou nas fases de nascimento e desenvolvimento dos filhos (o estilo mais autoritário de um e o estilo mais dialogante do outro), ou quando os filhos entram na adolescência e, posteriormente, quando saem de casa e têm, eles próprios, filhos, fazendo dos pais, avós e passando estes, como casal, a estar numa outra fase que, de novo, exige adaptações.

Em segundo lugar, as dificuldades que não fazem necessariamente parte da evolução da vida do casal e que, por isso mesmo, são imprevisíveis. Como, por exemplo, o aparecimento de uma doença que se torna crónica, o desemprego, o nascimento de um filho deficiente. Felizmente algumas destas dificuldades podem unir o casal em vez de o desunir.

Sabemos todos que os momentos de crise não são altura para resoluções importantes, definitivas. É preferível dar tempo, amadurecer as decisões. Os momentos de crise que são ultrapassados em conjunto podem unir mais o casal e permitir um conhecimento aprofundado em que se vai crescendo em intimidade e compromisso.

Colocando o foco no conceito de crise, este é explicado como toda a situação de mudança a nível biológico, psicológico ou social, que exige da pessoa ou do casal, um esforço suplementar para manter o equilíbrio ou estabilidade emocional. Nas crises conjugais há sempre duas pessoas envolvidas – a crise é de ambos.

Há diferentes formas de enquadrar as crises, designadamente algumas classificações que se situam em planos dicotómicos: crise como perda, regressão e ruptura e/ou crise como desenvolvimento e crescimento; crises agudas (crises súbitas, intensas e limitadas no tempo) e as crises crónicas (duram no tempo, continuadas e que também são graves porque desgastam). Outra forma de tipologia de crises considera o próprio objecto da crise de que são exemplo: por falta de sentido de vida (crise existencial de um dos membros do casal); por infidelidade emocional e ou sexual (de um ou ambos os membros do casal); por falta de maturidade de um ou mesmo dos dois; por desleixo, desatenção, rotina e deterioração da vida conjugal; por ressentimento; por amor possessivo ou por ciúmes); por hipertrofia profissional; por causa da educação dos filhos; por causa da família do cônjuge, por causa da relação com os amigos; por causa dos tempos livres.

Mas onde há crise, há esperança… É importante resolver as crises mas é melhor ainda evitá-las.

Proteger e melhorar a relação de casal passará por: diálogo, a comunicação verbal e não verbal; valorização um do outro através das palavras, dos actos e das atitudes; prestar atenção personalizada; respeito recíproco; educação no trato mútuo; compreensão da importância da paixão, da intimidade e do compromisso na relação de casal; equilíbrio entre autonomia e dependência; projectos individuais e de casal; sentido de humor e “presunção positiva” das intenções e comportamentos um do outro; aceitação de que as crises fazem parte de um amor que não é perfeito; cedências, cultivar a paciência; a responsabilidade vs culpa; o perdão – pedir perdão e perdoar.

O perdão tem um poder incomparável porque é capaz de trazer cura ao casal. O perdão é enfrentar o mal que nos foi feito, reconhecer os sentimentos que produziu; optar por não guardar ressentimento contra o nosso marido/mulher; coloca-lo/la nas mãos de Deus. O perdão liberta da raiva e do azedume – embora nos possamos sentir ainda magoados até a cura estar completa. O perdão é um processo – muitas vezes temos de continuar a perdoar, por vezes diariamente. É importante entrar “na corrente do perdão” – gratos pelo perdão recebido, agradecidos por nos ser dado o dom do perdão, também perdoaremos.

É necessário praticar e enriquecer a vida espiritual, principalmente através dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia frequentes, da oração e da meditação em casal.

Pretende-se pois que, em casal, se seja mais preventivo do que curativo e que se queira amar hoje mais e melhor que ontem, e amanhã mais do que hoje.

texto por Maria Teresa Ribeiro; foto por senivpetro / Freepik
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