Domingo |
À procura da Palavra
Túmulos vazios e vida cheia
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DOMINGO DA RESSURREIÇÃO Ano B

“Entrou no sepulcro

e viu as ligaduras no chão.”

Jo 20, 7

 

Há um ano vivemos a Páscoa fechados em casa. Como se estivéssemos num longo “Sábado Santo”. Sim, com muitas possibilidades de os olhos e os ouvidos nos levarem longe, às celebrações transmitidas da nossa igreja ou da Basílica de S. Pedro, ao encontro digital com familiares e amigos que gostaríamos de abraçar, por ser Páscoa. Este ano, em algumas regiões da Europa e do mundo, o cenário mantém-se: respirar o mesmo ar, tocarmo-nos e abraçarmo-nos, rir e dançar é proibido. Sim, pelo bem maior da saúde de todos. E agradecidos a todos os que vestiram escafandros sanitários, quais mortalhas, para cuidar e velar pela vida de tantos doentes. Mas desejamos ardentemente o ar livre de máscaras, e o carinho, não só das palavras e dos olhares, mas das mãos também! Queremos sair desta vida tumular! Mas, ai de nós se não aprendemos a ressuscitar!


O túmulo de Jesus já não guardava o seu corpo, mas estava cheio de sinais. A pedra retirada que levou Maria Madalena a correr ao encontro de Pedro e do discípulo amado foi o primeiro. Teria sido retirado, roubado, escondido: não conseguia ainda imaginar a ressurreição. A ausência nada provava, mas poderia vir a ser uma surpresa feliz? A sua corrida e a dos discípulos mais do que um sinal é a marca desse dia, da urgência de entender e de acreditar, do “passa-a-palavra” enriquecida por testemunhos de anjos, da aparição de Jesus vivo aos desalentados de Emaús e aos apóstolos. As ligaduras e o sudário, que tinham envolvido o corpo morto de Jesus revelam que o seu corpo não foi roubado (os ladrões não costumam “arrumar” a casa que assaltam). Os sinais da morte ficam, dobrados ou enrolados, pois ela perdeu o domínio sobre a humanidade. Todos os sepulcros se esvaziam pela força de Jesus Ressuscitado. Mas, ai de nós se, pelo egoísmo ou a guerra, continuamos a escavá-los!


No silêncio da noite pascal ecoou o “Aleluia”. O acontecimento mais importante da história da humanidade manifestou-se. O “Aleluia” liga a ressurreição de Jesus às nossas ressurreições de cada dia, na alegria cósmica de um mundo regenerado, no qual o homem reconciliado consigo se encontra com o seu Criador. É a vida cheia. De oportunidade e beleza, de bondade e sonho, de desafio e dever, de jogo e preciosidade, de riqueza e amor, de mistério e promessa, de aventura e felicidade (nas palavras de S. Teresa de Calcutá). Não caminhamos neste mundo para escavar sepulcros ou edificar túmulos, mas sim para retirar deles os que os julgam o seu destino. Mas a vida cheia é a vida a cuidar dos outros, a assumir responsabilidades, a formar consciências, a exigir a verdade e a justiça. Ai de nós, se precisarmos sempre de vigilantes e forças de ordem!

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