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“Se a fé perde o espanto, torna-se surda”
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O Papa Francisco iniciou a Semana Santa, com o Vaticano a publicar orientações pastorais para enfrentar as alterações climáticas e o drama dos deslocados. Na semana em que foi notícia a possível participação do Papa na COP26, Francisco disse querer absoluta transparência na Santa Sé e ofereceu 1200 vacinas aos pobres.

 

1. As ‘Orientações Pastorais sobre as Pessoas Deslocadas pela Crise Climática’, publicadas pelo Vaticano no dia 30 de março, são um guia repleto de factos, interpretações políticas e propostas relevante, com um prefácio escrito pelo Papa. “Desde logo, sugiro que adaptemos o famoso ‘ser ou não ser’ de Hamlet e afirmemos ‘ver ou não ver, eis a questão!’ Tudo começa com a capacidade de ver de cada um, sim, a minha e a vossa”, escreveu Francisco, sublinhando que “o facto de as pessoas se deslocarem porque o seu habitat local se tornou inabitável, pode parecer um processo natural, algo inevitável”. “No entanto, a deterioração climática resulta muito frequentemente de escolhas erradas e atividade destrutiva, egoísmo e negligência que colocam a humanidade em conflito com a criação, a nossa casa comum”, denunciou.

Neste documento com cerca de 30 páginas e escrito em várias línguas, incluindo o português, o Papa recorda no prefácio que, “à semelhança da crise da covid-19, os números impressionantes e crescentes de deslocados pela crise climática estão rapidamente a tornar-se uma emergência grave do nosso tempo, visível quase diariamente nos nossos ecrãs e exigindo respostas globais”.

 

2. A polícia da Escócia está a preparar-se para uma possível participação do Papa Francisco na 26ª Cimeira das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP26), prevista para decorrer entre 1 e 12 de novembro e que vai reunir em Glasgow os principais líderes mundiais, para acelerar os objetivos do Acordo de Paris e da Convenção da ONU sobre alterações climáticas. “Se o Papa participar, será um dos eventos com maior policiamento desde os Jogos Olímpicos de 2021”, referiu o chefe da polícia de Glasgow, Bernard Higgins, ao ‘Glasgow Times’. Já em fevereiro, o diário ‘The Times’ referiu que a Conferência Episcopal Escocesa recebera indicações para os bispos se prepararem para uma eventual visita do Papa. Sem, citar a fonte, este diário britânico salienta que, “se Francisco for a Glasgow, a sua audiência ficará provavelmente confinada aos líderes mundiais participantes na COP26 sobre alterações climáticas, mas o seu impacto será muito considerável se o Papa os encorajar a comprometerem-se com mais firmeza na luta contra as alterações climáticas”.

A concretizar-se a participação de Francisco a COP26, o Papa da Laudato si’, a primeira encíclica escrita por um pontífice sobre questões ecológicas, será o terceiro Papa a visitar Glasgow, depois de João Paulo II, em 1982, e Bento XVI, em 2010.

 

3. “Entrámos na Semana Santa. Pela segunda vez, vivemo-la no contexto da pandemia. O ano passado estávamos mais chocados, este ano estamos mais provados. E a crise económica tornou-se pesada”, lembrou o Papa, durante a oração do Angelus de Domingo de Ramos, 28 de março. Francisco sublinhou a importância de pegar na cruz, tal como faz Jesus que “carrega o mal que tal realidade comporta, mal físico, psicológico e, sobretudo, mal espiritual, porque o Maligno aproveita as crises para semear desconfiança, desespero e discórdia”. Ao imitarmos Jesus, disse o Papa, “ao longo da via sacra quotidiana, encontramos os rostos de tantos irmãos e irmãs em dificuldade: não passemos ao lado, deixemos que o coração se compadeça e aproximemo-nos”.

Francisco convidou ainda os fiéis a rezarem “por todas as vítimas da violência, em particular, pelas atingidas pelo atentado desta manhã na Indonésia, diante da Catedral de Makassar”. Um ataque que fez, para já, pelo menos 14 feridos. De acordo com a polícia, um bombista fez-se explodir junto à igreja.

Na Missa de Domingo de Ramos, o Papa lembrou que “não basta admirar Jesus; é preciso segui-Lo no seu caminho, deixar-se interpelar por Ele e passar da admiração à surpresa”. E, para que esta Semana Santa seja vivida com Jesus, é condição fundamental o deixar-se surpreender por Deus: “Peçamos a graça do espanto. A vida cristã, sem surpresa, torna-se cinzenta. Como se pode testemunhar a alegria de ter encontrado Jesus, se não nos deixamos surpreender cada dia pelo seu amor espantoso, que nos perdoa e faz recomeçar? Se a fé perde o espanto, torna-se surda: já não sente a maravilha da graça, deixa de sentir o gosto do Pão da vida e da Palavra, fica sem perceber a beleza dos irmãos e o dom da criação”, sublinhou Francisco.

O Papa acrescentou ainda que, se no Crucificado, vemos Deus humilhado e reduzido a um descartado, “com a graça do espanto, compreendemos que, acolhendo quem é descartado, aproximando-nos de quem é humilhado pela vida, amamos Jesus, porque Ele está nos últimos, nos rejeitados, naqueles que a nossa cultura farisaica condena”.

 

4. Na abertura do 92.º ano judicial do Tribunal do Vaticano, o Papa pediu “absoluta transparência das atividades institucionais do Estado do Vaticano, especialmente nos campos económico e financeiro”. Francisco afirmou que todas as atividades da Igreja Católica devem sempre “inspirar-se nos princípios fundadores da vida eclesial e, ao mesmo tempo, levar em conta os parâmetros e ‘boas práticas’ atuais a nível internacional, e de modo exemplar”.

Na Sala das Bênçãos, no Vaticano, no dia 27 de março, e na presença do primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, o Papa valorizou as “modificações normativas que têm vindo a ser adotadas nos últimos anos”, considerando que “elas serão mais eficazes na medida em que forem acompanhadas por outras reformas na esfera penal, sobretudo na luta e repressão dos crimes financeiros”.

 

5. O Vaticano anunciou que vai vacinar mais um grupo de pessoas, entre as mais frágeis e vulneráveis, acompanhadas pelos serviços de caridade do Santo Padre. “Para concretizar os vários apelos do Papa Francisco, para que ninguém seja excluído da campanha de vacinação anti covid-19, as doses da vacina Pfizer-BioNTech, adquiridas pela Santa Sé e oferecidas pelo Hospital Lazzaro Spallanzani, através da Comissão Covid-19 do Vaticano, serão destinadas à vacinação de 1.200 pessoas, entre os mais pobres e marginalizados, que estão mais expostos ao vírus, devido à sua condição”, lê-se no comunicado da Esmolaria Apostólica. A vacinação vai decorrer durante a Semana Santa, no interior da Aula Paulo VI, à semelhança do que já aconteceu em janeiro passado.

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