Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Vamos?
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Desde o início do seu pontificado, o Papa Francisco tem exortado a Igreja à atitude da saída. O seu desejo de uma Igreja em saída, que sai de si própria e que vai ao encontro das periferias para chegar a todos, como um sonho missionário a cumprir, foi, inclusive, o mote para a caminhada sinodal vivida na nossa Diocese de Lisboa e que agora está em fase de avaliação. Este sair, de que nos fala o Papa Francisco, encontramo-lo na exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ como proposta para uma Igreja mais missionária, aberta e capaz de tocar a carne e o coração daqueles que estão longe. Como refere o Papa Francisco, muitas vezes é preciso sujar as mãos para estar onde estão os marginalizados, chegar até onde estão os mais desfavorecidos, e esses são a prioridade da Igreja desde os seus primórdios, como víamos no agir de Jesus Cristo e no próprio mandamento do Amor que nos deixou.

A pandemia que nos tem afetado desde há mais de um ano tem-nos mostrado as fragilidades da nossa humanidade, e também da própria sociedade. Tem revelado as pobrezas sociais e humanas de um mundo que não pode viver de ilusões, mas precisa de tomar consciência da sua realidade, como lugar de redes e de interdependências. Neste tempo difícil para todos, temos visto como a Igreja, feita de homens e mulheres, mais novos e mais velhos, se tem mostrado como uma Igreja próxima dos que, em qualquer modo, se têm tornado vítimas da covid-19, pondo em prática a evangelização pelos gestos, mais do que pelas palavras. Diz o velho ditado que “palavras, leva-as o vento”, mas os gestos ficam e são esses que tocam o coração mais endurecido.

No entanto, o bem que se faz, muitas vezes, não é conhecido. Sabemos que o Evangelho também diz “não saiba a tua mão direita, o que faz a esquerda” (Mt 6,3), porém o mal é quase sempre notícia, e o bem fica no anonimato.

Se nos dias de hoje tudo o que se faz precisa de uma boa comunicação para chegar ao mundo e ser conhecido, o bem que se faz é a própria comunicação e torna-se conhecido quando estamos em contacto com ele. As estórias de vida conhecem-se quando se procuram e os problemas são revelados quando há comunicação interpessoal. 

Este Domingo da Ascensão, a Igreja celebra o Dia Mundial das Comunicações Sociais e, tal como acontece desde há 55 anos, é dedicada uma mensagem a todos aqueles que são profissionais da comunicação. Com o tema ‘“Vem e verás” (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são’, o Papa Francisco convida, de modo especial, os jornalistas a irem ao encontro das estórias de vida, referindo que o método «vem e verás» “é o mais simples para se conhecer uma realidade; é a verificação mais honesta de qualquer anúncio, porque, para conhecer, é preciso encontrar, permitir à pessoa que tenho à minha frente que me fale, deixar que o seu testemunho chegue até mim”. Manifestando o seu agradecimento a todos os profissionais da comunicação pelo trabalho que tem sido feito, denunciando “abusos e injustiças contra os pobres e contra a criação”, Francisco comenta que seria “um empobrecimento para a nossa humanidade” se faltassem estas vozes. Por isso, é preciso sair, ir e ver.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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