Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
O bullying deixa a sua marca
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Quando estava prestes a fechar um texto para este jornal, chegou-me um vídeo de violência juvenil, que hoje é designada por bullying. Um adolescente de 13 anos é atropelado por uma viatura na estrada, quando fugia de alguém aparentemente mais velho e do sexo feminino que o perseguia, lhe batia, gozava com ele. Para não variar, tudo ficou registado em vídeo e foi publicado nas redes.

O bullying é uma realidade de que hoje se fala muito, mas não é uma novidade. Não podemos dizer que acontece porque as crianças de hoje são mal-educadas, malformadas, ou porque são educadas com os jogos, com a televisão ou com a internet. O bullying acontece porque há, no fundo, um desejo grande de ser superior aos outros, de se afirmar diante dos outros, tantas vezes de esconder o que não se quer conhecido, ou simplesmente mostrar poder e domínio sobre os outros.

Ao contrário do que muitas vezes se diz, não somos todos iguais. Uns são mais sensíveis, outros mais resistentes, uns com mais capacidade de reação, outros mais tímidos e fechados em si próprios. Esses, muitas vezes, têm grandes lutas interiores para se afirmarem, até mesmo diante de si próprios. Em muitas situações, os pais gostariam que os filhos fossem capazes de reagir da mesma forma, impondo-se pela força, por vezes, até pela luta, para alcançar o respeito do outro. Mas é preciso a força para ter o respeito do outro? Era assim que acontecia no meu tempo de criança, adolescente... e imagino que também no de muitos dos que me leiam neste momento. E quando não se consegue lutar?

Recordo, de há muitos anos atrás, uma criança que era constantemente objeto de gozo pelos outros, na escola. Interrompida na rua para ser constantemente agredida, procurando fugir de caminhos onde sabia que não seria conveniente passar. Chegava a fazer percursos mais longos para chegar a casa, da escola, sem ser chateada. Uma criança que não só era gozada pelos outros, como chegou a ser objeto de escárnio de professores. Um dia, também ela foi atropelada por um carro quando fugia de quem a perturbava. Recordo as lutas dessa criança, e a dificuldade e os medos que sentia quando se via confrontada com outros que a perturbavam. Terá essa criança sido capaz de crescer com normalidade? Do que conheço, sei que sim. Com muitas lutas interiores, para se abrir aos outros sem ter presente o medo de ser gozada, por nada; enfrentando uma timidez constante... Mas posso dizer que foi a sua descoberta de novas amizades e de novos caminhos na vida que proporcionou uma cura, porque o bullying deixa a sua marca.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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