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SANTÍSSIMA TRINDADE Ano B

“Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.”

Mt 28, 20

 

Inscrito no coração humano está a marca primordial de que “não é bom que o homem esteja só” (Gen. 2, 18). E podemos escrever a história da humanidade com a sede de relação e comunhão, com os encontros e desencontros entre as pessoas, com a luta para que a solidão não vença. Viver é conviver, na partilha mútua de sonhos e sofrimentos, e de tudo o que a vida tem, pois nenhuma alegria é completa se não a experimentamos com outros. Não, ao contrário do que dizia Sartre, o inferno não são os outros, mas a sua ausência, como de algum modo ecoa um poema de José Saramago: “Ao inferno, senhores, ao inferno dos homens, / Lá onde não fogueiras, mas desertos. / Vinde todos comigo, irmãos ou inimigos, A ver se povoamos esta ausência / Chamada solidão. / E tu, claro amor, palavra nova, / Que a tua mão não deixe a minha mão.”


É iniciativa de Deus entrar em relação com o homem, sua criatura. E mesmo com a liberdade humana de recusar, fugir, esconder-se, desobedecer, e até destruir a vida, Deus revela-se como amor que não desiste de vir ao nosso encontro, para ser “Deus connosco”. Maravilhosa expressão do que significa acreditar e confiar. Mais além do que posse de um conhecimento ou execução primorosa de todas as prescrições, o que Deus quer é que vivamos com Ele. E seria ocasião de perguntar: se acreditamos, em que Deus acreditamos? Um Deus só, distante, em busca de orações e sacrifícios, juiz severo e cioso da sua divindade, ou o Deus “Abba”, próximo e cheio de ternura, exigente no nosso crescimento, a cantar e a dançar connosco a beleza de tudo, e a querer que vivamos com Ele já aqui todos os dias, pois o céu desceu à terra e a terra subiu ao céu? E que outras coisas podemos dizer do Deus em que acreditamos?


Celebramos a Santíssima Trindade todos os dias. E todos os Domingos. Pois Deus não se divide, e onde está uma Pessoa estão as outras duas. Este convívio oferecido a todos, mas onde só se entra livremente é o grande mistério. Não é simplesmente pertencer a uma religião, nem dedicadamente celebrar belas liturgias, mas entrar no dinamismo da vida de “Deus connosco”, já aqui e já agora. Admirável ligação une o início e o fim do Evangelho de Mateus: o Filho, veio ser Emanuel, Deus connosco (1, 23) e agora, ressuscitado, estará connosco para sempre (28,20). É o mistério em acção para todos nós: nem órfãos, nem sós, a descoberta e a vivência deste com-viver com Deus compromete-nos a com-viver uns com os outros. Não simplesmente nas realidades eclesiais, quantas vezes a precisar de mais calor humano e da simplicidade que Jesus mostrou como se fazia, mas em todos os lugares em que estejam, pelo menos, “dois ou três”. Onde o “um” solitário, ainda que genial e herói, é ultrapassado pela união a outro. Mesmo que não nos tenhamos juntado em nome de Jesus, onde for possível dizermos “nós” e procuremos a verdade e o amor. Aí inauguramos com vida a palavra comunhão!

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