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“A oração não é uma varinha mágica, mas um diálogo”
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O Papa Francisco encontrou-se com uma sobrevivente do holocausto. Na semana em que apresentou a Plataforma Laudato si’, o Papa visitou o Dicastério para a Comunicação, lembrou que a Igreja deve ultrapassar as divisões e pediu mais orações pela paz na Terra Santa.

 

1. O Papa alertou para “o risco de transformar a nossa relação com Deus em algo mágico”. Na catequese desta quarta-feira, 26 de maio, Francisco afirmou que “a oração não é uma varinha mágica, é um diálogo com o Senhor”. “De facto, quando rezamos, podemos cair no risco de não sermos nós a servir Deus, mas de pretender que seja Ele a servir-nos”, frisou, sublinhando que, “na oração, é Deus que nos deve converter, e não nós que devemos convertê-l’O”. Por isso, há que ser humilde e rezar, “pedindo a Deus que converta o nosso coração e pedir-Lhe o que é conveniente e o que é melhor para a minha saúde espiritual”. Sobre a incompreensão e até escândalo que surge “quando os homens rezam com coração sincero, quando uma mãe reza por um filho doente e às vezes Deus parece não ouvir”, Francisco reconhece que todos tivemos esta experiência. “Quantas vezes pedimos uma graça, um milagre e nada aconteceu, mas depois, com o tempo, as coisas ajustaram-se, segundo o modo de Deus, o modo divino, e não segundo o que eu queria naquele momento”. “O tempo de Deus não é o nosso tempo”, reforçou.

Nesta manhã, o Papa Francisco encontrou, no final da audiência-geral, uma sobrevivente do holocausto que foi deportada para Auschwitz-Birkenau quando tinha três anos. Inesperadamente, beijou o braço de Lidia Maksymowicz, onde estava tatuado o seu número de prisioneira. Enquanto criança, passou vários anos no “bloco das crianças”, tendo sido submetida às experiências do médico Mengele, conhecido como o ‘Anjo da Morte de Auschwitz’. Junto do Papa, recordou o terror em que viviam, sempre que o médico entrava no cárcere e as chamava pelo número identificativo do braço. A sobrevivente saudou Francisco e levantou a manga da camisa. Quando o Papa viu a tatuagem com o número de prisioneira do campo de concentração, beijou-lhe o braço e Lídia, comovida, ofereceu-lhe o lenço que trazia ao pescoço. O percurso de vida desta mulher, agora com 80 anos, inspirou o documentário ‘70072, a menina que não sabia odiar’, recentemente apresentado em Itália, razão pela qual Lídia foi ao Vaticano.

 

2. O Papa lançou, no Vaticano, a Plataforma de Ação Laudato Si’, sublinhando a necessidade de enfrentar a atual “crise ecológica sem precedentes” – “um caminho de sete anos que envolverá as nossas comunidades de várias formas, para que se tornem totalmente sustentáveis no espírito da ecologia integral”. Numa mensagem vídeo divulgada esta terça-feira, dia 25 de maio, Francisco lembrou que, “há algum tempo, esta casa que nos hospeda sofre com as feridas que causamos por uma atitude predatória, que nos faz sentir donos do planeta e dos seus recursos e nos autoriza a usar irresponsavelmente os bens que Deus nos deu”.

Preocupado com tantas feridas que “se manifestam dramaticamente numa crise ecológica sem precedentes, que afeta o solo, o ar, a água e, em geral, o ecossistema em que vive o ser humano”, o Papa acrescentou que “a atual pandemia trouxe à luz o grito da natureza e dos pobres que mais sofrem com as suas consequências, evidenciando que tudo está interligado e interdependente e que a nossa saúde não está separada da saúde do meio ambiente em que vivemos”. Neste contexto, considerou urgente “uma ecologia humana integral, que envolva não só as questões ambientais, mas o homem na sua totalidade, torna-se capaz de ouvir o grito dos pobres e de ser fermento para uma nova sociedade”.

 

3. O Papa Francisco visitou o Palácio Pio, sede do atual Dicastério para a Comunicação, local onde durante décadas funcionou a Rádio Vaticano e que hoje congrega também o jornal L’Osservatore Romano e toda a equipa da plataforma online Vatican News. Durante a visita, o Papa entrou no estúdio 9 da rádio e proferiu, em direto, algumas palavras. “Obrigado pelo que fazem. Só tenho uma preocupação – e há tantos motivos para nos preocuparmos com a Rádio e com o L’Osservatore –, mas há uma que me toca o coração: ‘quantos ouvem a rádio e quantos leem o L’Osservatore Romano?’”. A pergunta lançada pelo Papa revela a preocupação pelos números pouco animadores de leitores e ouvintes. “O nosso trabalho deve chegar às pessoas, o que aqui se faz é belo, é grande, é cansativo para alcançar a gente, quer com as traduções quer também através da onde curta”, disse Francisco. “Mas a pergunta que devem fazer é: Quantos? A quem chega?… porque o perigo é fazerem um belo trabalho, mas não chegarem onde devem chegar”. Um risco que pode acontecer a todas as organizações e empresas. Depois, no encontro com os trabalhadores deste dicastério, reunidos na Sala Marconi, o Papa alertou: “Estejam atentos, não importa quantos postos de trabalho há ou se o estúdio é belo ou não é belo, o que importa é que seja funcional e não vítima do funcionalismo”.

 

4. A Igreja deve ultrapassar as divisões entre direita e esquerda, disse o Papa, na Basílica de São Pedro. Na homilia da Missa de Pentecostes, Francisco afirmou que “se dermos ouvidos ao Espírito, deixaremos de nos focar em conservadores e progressistas, tradicionalistas e inovadores, de direita e de esquerda”, pois, “se fossem estes os critérios, significava que a Igreja se esquecia do Espírito”. É que “o Paráclito impele à unidade, à concórdia, à harmonia das diversidades e faz-nos sentir parte do mesmo Corpo, irmãos e irmãs entre nós”.

Após a missa, o Papa voltou a apelar à unidade da Igreja, antes da recitação da oração do Regina Coeli. “Na Igreja, há grupelhos que procuram sempre a divisão e se separam dos outros. Isto não é do espírito de Deus. O espírito de Deus é harmonia, é unidade, une as diferenças”, afirmou Francisco.

 

5. O Papa recebeu um grupo de diplomatas – que lhe apresentaram as suas cartas credenciais –  com o pensamento no que se passa em Israel e na Palestina. “Agradeço a Deus a decisão de parar os confrontos armados e espero que sejam seguidos os caminhos do diálogo e da paz”, referiu, na sexta-feira, 21 de maio. A propósito do recente cessar-fogo na região, Francisco acrescentou que “amanhã à noite, os Ordinários católicos da Terra Santa celebrarão com os seus fiéis a Vigília de Pentecostes na igreja de Santo Stefano, em Jerusalém, implorando o dom da paz”. “Aproveito esta oportunidade para pedir a todos os pastores e fiéis da Igreja Católica que se juntem a eles em oração”, pediu.

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