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DOMINGO XXX COMUM Ano B

“«Mestre, que eu veja».

 Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou».”

Mc 10, 51

 

Hoje em dia, vemos tudo a uma velocidade imensa. Das 24 imagens por segundo com que a televisão nos bombardeia aos écrans de telemóveis e tablets, parecemos perdidos na abundância das imagens. Numerosos especialistas alertam para os problemas precoces da visão, nomeadamente em crianças e adolescentes, apontando o número assustador de 50% da população mundial com problemas de miopia em 2050.

 

Um dos sinais do Messias era a cura dos cegos. Jesus denuncia uma cegueira ainda mais comum: aquela que não deixa ver as maravilhas de Deus, que não se compadece diante do mal do mundo e compromete à mudança, que não deixa reconhecer no outro um irmão. Como dizia aquele mestre oriental: “Enquanto não vires no rosto de um desconhecido, o rosto de um irmão teu, para ti continuará a ser noite!” Há a cegueira de quem faz o mal e a de quem o deixa fazer, há a cegueira de quem só vê o dinheiro e a de quem desespera por aquilo que não tem, há a cegueira de quem se julga perfeito e a de quem deixa de ter esperança. Entre espectadores e participantes do mundo, é hoje mais fácil ver o que está longe do que aquilo que está perto. Porque os olhos andam ligados ao coração e este bate mais forte quando se pode exprimir em gestos luminosos!

 

O cego de Jericó estava sentado à beira do caminho. A vida passava por ele, mas nada se passava dentro de si. Não podia ver a luz do dia nem saborear as alegrias da própria existência. Até que ouve falar de Jesus. E começa a gritar. Por duas vezes. Longe de Deus e da comunidade, grita com fé e com esperança. Pede a Jesus que olhe para ele e lhe faça graça. Jesus ao curar Bartimeu, o cego que não desiste de gritar por Ele, aponta-nos para o olhar mais profundo da fé. O olhar para além da cor dos olhos, aquele de que são feitos os sonhos e tudo o que é verdadeiramente belo como o amor e os amigos. O olhar que também está nos dedos e nas palavras, na boca e na pele. O olhar que bebemos ao mergulhar nos olhos de Cristo e começamos a segui-l’O.

 

Não podemos calar o que vimos e ouvimos” (Act 4, 20) é a frase escolhida para este Dia Mundial das Missões. Podia ter saído da boca do cego Bartimeu, e da de todos os que passaram a ver como Jesus e com Jesus. Coincidindo com o início do caminho sinodal, proposto pelo Papa Francisco a todas as dioceses do mundo, ganha uma profundidade maior. O silêncio diante do bem e do mal é sempre a pior opção. É preciso a coragem de gritar e de escutar os gritos, de ir à verdade do que vivemos e do que o Evangelho nos desafia a viver. A comunhão, a participação e a missão não é só de alguns para alguns, mas de todos e para todos. E isso significa ver, ouvir e falar de tudo, com humildade e esperança. Teremos a coragem de dar o mesmo salto em direcção a Jesus, como o de Bartimeu, abandonando a capa da sua condição de cego e pedinte? Ver levar-nos-á a seguir?

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