Lisboa |
Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais celebra 90 anos
“Escola de padres sábios e santos”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou à “santidade sacerdotal”, que se concretiza “com oração permanente e serviço constante”. Na celebração dos 90 anos do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais, D. Manuel Clemente sublinhou que “a razão de ser desta casa” é reconhecer e efetivar “o largo campo da santidade”, a “própria vida de Deus em nós”.

 

Na celebração do 90.º aniversário da abertura do Seminário dos Olivais, o Cardeal-Patriarca começou por recordar que “foi a 24 de outubro de 1931 que os últimos anos da formação sacerdotal passaram para esta Quinta do Cabeço em Moscavide”, iniciando então “uma nova fase do Seminário diocesano”. “Aproximar todos os clamores deste mundo da resposta que Jesus Cristo sempre dá e alargar o âmbito da resposta ao tamanho da inteira salvação, isto mesmo nos justifica aqui há tantos anos e nos relança para o futuro na mesma senda. Queremos ser os que ouvimos e sentimos o clamor próprio e alheio, em busca de mais luz, verdadeira e forte; os que a buscamos em Cristo, para nós e para os outros”, apontou.

Na celebração que teve lugar nos jardins do seminário, na tarde do passado dia 24 de outubro, D. Manuel Clemente não esqueceu “essa primeira geração que o Cardeal Cerejeira, Monsenhor Pereira dos Reis e os Padres dos Sagrados Corações formaram nos Olivais”, dos “anos trinta aos cinquenta” e que “refez a vida católica do Patriarcado e de outras dioceses”; mas também “as gerações do Concílio e pós Concílio”, sobretudo “os que ficaram e os que se foram juntando e com os Cardeais Ribeiro e Policarpo nos deram o fundamental do que hoje temos, quer em estruturas pastorais quer nas perspetivas contemporâneas da missão”. “Por todos eles perpassa a mesma luz, que sempre atrai, ilumina e alenta. Sendo pascal, irrompe além de tudo, seja o que for e venha o que vier. Sendo pascal, inunda-nos hoje aqui, com o mesmo brilho de há noventa anos, quando chegaram os primeiros”, assegurou.

 

Encontrar luz e salvação

Lembrando depois o Evangelho lido na celebração, que narra o episódio da cura de um cego, D. Manuel Clemente sublinhou a importância de reconhecer e efetivar a “vida de Deus” em cada um. “Jesus não disse a Bartimeu que estava apenas curado, fisicamente tal. Disse-lhe algo de muito mais precioso e ultimado: «A tua fé te salvou!» Já não estamos na ordem da simples medicina, mas no largo campo da santidade, da própria vida de Deus em nós. Reconhecê-la e efetivá-la sempre e mais é a razão de ser desta casa, como sementeira para a Igreja toda”, assegurou, retomando então as “palavras inaugurais” do fundador, Cardeal Cerejeira, em 1931, pela “flagrante atualidade que mantêm”: “«… nos Olivais ficarão batendo todos os corações amigos de Deus que, diante dos males presentes, oram e sofrem para que o Senhor envie à sua Igreja um novo Pentecostes de santidade, por intermédio de muitos padres segundo o Coração de Jesus. Porque de padres sábios e santos depende essencialmente a cristianização das almas – digamos tudo, a salvação do mundo» (Obras Pastorais, I, p. 345)”.

Neste sentido, segundo o Cardeal-Patriarca, “santidade sacerdotal traduz-se em dedicação pastoral e aplicação litúrgica, como neste Seminário sempre se acentuou”. “O Seminário existe para formar padres que, como aqueles primeiros discípulos, aproximem quem clama da pessoa de Jesus e a todos encorajem para assim encontrarem luz e salvação, no sentido mais amplo e definitivo do termo”, esclareceu.

 

Santidade sacerdotal

Perante cerca de uma centena de padres, além de seminaristas, familiares e amigos dos seminaristas e benfeitores, D. Manuel Clemente destacou que a santidade, “como aconteceu em Cristo”, concretiza-se “com oração permanente e serviço constante”, e sublinhou a importância do celibato. “O carisma celibatário, que nos leva o coração para toda a ‘família de Deus’ (cf. Ef 2, 19), manter-nos-á assim, orantes e ativos. O sacerdócio ministerial é grande dom de Deus à sua Igreja, em ordem a um povo que seja sacerdotal no seu todo. Mas é também apelo a permanecermos sempre com Deus, condição indispensável para estarmos com os outros a partir de Deus”, frisou. Segundo D. Manuel Clemente, esta “é uma luta de toda a vida”, mas “a primeira batalha tem de ser ganha aqui, no Seminário e antes da ordenação”. “Sinais da vitória são essencialmente dois: aplicação orante, pessoal e comunitária, com Cristo e Maria, para glória de Deus; e serviço dos outros, concreto e humilde, com atenção especial a quem mais precise”, reforçou.

O Cardeal-Patriarca relembrou, por isso, “a insistência de Monsenhor Pereira dos Reis”, primeiro reitor do Seminário dos Olivais: “Para ter um bom padre, requer-se um bom homem e um bom cristão”. “Aliás, a reformulação que fizemos do percurso formativo, seguindo as indicações da Congregação para o Clero (Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, 2016), presta particular atenção à personalidade integral e harmónica de cada possível futuro padre”, reconheceu.

 

Gratidão e reconhecimento

Esta casa de formação sacerdotal conta, neste ano pastoral 2021/22, com uma comunidade de 67 seminaristas (sendo 43 do Patriarcado e os restantes 24 de outras nove dioceses) e oito padres, a quem o Cardeal-Patriarca deixou um agradecimento. “Lembrando todos os que trabalharam neste setor tão especial e indispensável, exprimo às atuais equipas da Pastoral Vocacional, do Pré-Seminário, do Seminário Menor, do Propedêutico e dos Seminários Maiores (Olivais e Redemptoris Mater) uma gratidão profunda pela sua entrega a tão exigente tarefa”, manifestou D. Manuel Clemente.

Os padres formados neste seminário, ao longo de nove décadas, foram também lembrados nesta celebração comemorativa. “Revejo ainda, com pleno reconhecimento e ação de graças, tantas figuras de padres aqui formados, que tão bem exerceram o ministério sagrado e ficaram para sempre no coração do povo que serviram. Por eles e por todos os que atualmente servem o santo Povo de Deus, muitos parabéns ao Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais)!”, terminou o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

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Reitor deixa palavras de “comunhão”

No início da celebração, o reitor do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais assegurou a “comunhão” desta casa com toda a Igreja. “Unidos no amor de Cristo, uma palavra de comunhão com o senhor Patriarca, de quem a equipa formadora é cooperadora da obra de formação dos futuros sacerdotes. Também muita comunhão com todos vós, com o presbitério, com os familiares, com os benfeitores e amigos deste seminário, com os outros seminários também e com todos os que quiseram, connosco, celebrar estes 90 anos. Uma palavra de muita comunhão com os antigos formadores e antigos alunos, recentes e mais próximos não digo dos 90, mas dos 70 ou dos 60 anos do seminário, que também querem estar connosco”, salientou o cónego José Miguel Pereira.

Nestas palavras introdutórias, o sacerdote garantiu a sua oração pelos que dedicaram a sua vida a este seminário e já faleceram. “Lembrarei, nesta Missa, todos aqueles que passaram por esta casa e já faleceram, já partiram deste mundo para junto do Pai, desde o fundador, o Cardeal Cerejeira, a todos os antigos reitores e formadores, todos os antigos seminaristas, colaboradores e benfeitores”, realçou o reitor do Seminário dos Olivais.

 

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As fotografias da celebração estão disponíveis em www.flickr.com/patriarcadodelisboa/albums

 

A celebração teve transmissão, em direto, pelo site e redes sociais (Facebook e YouTube) do Patriarcado de Lisboa e conta com cerca de 10 mil visualizações



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Semana de Oração pelos Seminários (31 de outubro a 7 de novembro)

A Semana de Oração pelos Seminários tem início este Domingo, 31 de outubro, e prolonga-se até dia 7 de novembro, com o tema ‘Para estarem com Ele e para os enviar a proclamar’ (Mc 3, 14). Numa mensagem, o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios considera que esta semana “é momento para que o clero e os fiéis reforcem a sua proximidade para com os seminários”. “É indispensável que todos os que deles fazem parte sintam a comunhão, a atenção e o carinho de toda a comunidade diocesana. Algumas expressões são particularmente necessárias e significativas, como a oração, a partilha ou outro tipo de apoio material ou espiritual”, escreveu D. António Augusto de Azevedo. Com o título ‘Seminário: estar com Cristo para ser enviado’, o texto sublinha ainda que “o seminário é, pela sua natureza, uma comunidade formativa, um tempo de «caminhar juntos»” e que “sempre teve, e continua a ter, um papel determinante no estilo, no modo de ser presbítero em cada diocese”. “Esta semana é oportuna para reconhecer que os seminários são instituições marcantes em cada diocese”, reforça o prelado.

Entre os subsídios disponíveis, destaque para a oração, a proposta de estudo e oração para a catequese da adolescência, as comunidades e as famílias, bem como um conjunto de preces para estes dois Domingos, os mistérios do Rosário e a vigília de oração, com sugestão de cânticos.

Informações e materiais: www.ecclesia.pt/cevm

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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