Domingo |
À procura da Palavra
O mundo que há-de vir
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DOMINGO XXXIII COMUM Ano B

“Hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens,

com grande poder e glória.”

Mc 13, 26

 

Termina assim o Credo: “Espero… a vida do mundo que há-de vir.” Quantas vezes o dizemos quase sem pensar?! Que vida é essa, e que mundo virá, senão aquele que já veio com a ressurreição de Jesus? Somos os actores já desse mundo novo, desse Reino à nossa porta. Mas saberemos reconhecê-lo? E se olhássemos para nós e ao nosso redor para as sementes do Evangelho que nos comprometem a torná-lo mais presente? Quais as folhas de figueira que nos anunciam a sua proximidade e nos convidam a ler com os olhos de Deus os acontecimentos?

 

A atitude pessoal diante dos acontecimentos é o grande segredo da acção. O que para uns é obstáculo, para outros é oportunidade, o “fim do mundo” pode ser “princípio de algo novo”, o erro e a derrota podem ser aprendizagem e sabedoria, e a noite mais escura também acaba com a aurora de um dia novo! O pior mesmo é ficar tolhido pelo medo, agarrado ao comodismo de um “bem-estar” que impede o crescimento, desejando “ser Deus” para fazer com que tudo “corra bem”!  Diante do que é difícil, e mesmo daquilo que não entendemos, levantamos a cabeça para ver os sinais do Filho do homem que se aproxima, ou baixamos o olhar e desesperamos?

 

Os textos do final do ano litúrgico que falam do “fim do mundo” não são argumentos para nenhuma espécie de medo ou descrição antecipada do “the end” da história. Interpelam-nos sobre o nosso viver neste mundo. Jesus não incute medo, antes consola e propaga esperança. A sua vitória sobre a morte inaugura o mundo novo. O apego ao provisório, a sedução das coisas, a prisão do egoísmo e as “felicidades efémeras” são substituídas pela confiança no definitivo, a libertação da gratuidade, e o amor que tudo salva. Vem mostrar-nos que hoje, aqui e agora, construímos eternidade. Estamos em processo de ressurreição, e por isso, com tremor e esperança, descobrimos o imenso valor de cada gesto e de cada palavra, do tempo que não é para desperdiçar, da vida que não se pode adiar. Há uma urgência serena a espreitar em cada acontecimento, e pede uma resposta que cada um tem de dar. Se andarmos de olhos no chão como reconheceremos a sua vinda?

 

Podemos imaginar o pior e prepararmo-nos para ele, mas quantas vezes foi ele que teve a última palavra? O pior só vence quando o alimentamos dentro de nós. A nossa fé responsabiliza-nos pelo mundo de Deus connosco que já é possível construir. Deixar cair os braços, apontar o mal sem querer ver as sementes do bem, estar derrotado antes de ir à luta, baixar a cabeça recusando olhar de frente a vida e o mundo, são contrários à vida do discípulo de Cristo. Não podemos ler melhor os sinais dos rebentos da figueira?

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