Lisboa |
Legião de Maria celebra 100 anos
“Totalidade na oração e na missão”
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É porventura o maior movimento de leigos do mundo, com 25 milhões de membros. A Legião de Maria celebrou 100 anos, com o Cardeal-Patriarca de Lisboa a destacar o trabalho “absolutamente evangélico”. Três legionários deixam testemunho da sua vivência no movimento, que procura ser “o exército de Maria”, segundo a presidente nacional e diocesana.

 

“Totalidade na oração e na missão”. Foi este o pedido que o Cardeal-Patriarca de Lisboa deixou aos membros da Legião de Maria, na Missa comemorativa do centenário do movimento. “A Legião de Maria, desde a sua primeira reunião, precisamente há 100 anos, em Dublin, o que fez foi na ordem da totalidade, com duas expressões que agora se conservam em cada uma das vossas reuniões e das vossas missões: a oração e a missão! A oração, tudo para Deus; e a missão, tudo para os outros, a partir de Deus”, referiu D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos, no passado dia 7 de novembro (data da morte do fundador da Legião de Maria, Frank Duff, em 1980).

Este movimento, que tem como assistente espiritual o cónego José Manuel dos Santos Ferreira, pároco de Belém, chegou a Portugal nos anos 40 do século passado, conforme recordou o Cardeal-Patriarca. “Começou na paróquia da Estrela e depois foi-se estendendo pelas várias dioceses do país. Este centenário é uma comemoração muito bonita, muito cheia de vida, de vida passada, presente e garantia de vida futura”, assinalou D. Manuel Clemente, reforçando que “as ações concretas” destes legionários são “absolutamente evangélicas”.

 

“Somos do Espírito Santo”

Maria Elisa Manso Preto é, desde há três anos, presidente da equipa nacional da Legião de Maria e também presidente diocesana, em simultâneo, e deve ser “dos membros que tem uma ligação mais antiga” ao movimento, segundo refere. “Estou na Legião de Maria desde 1967! Entrei muito jovenzinha e perseverei”, observa esta legionária, ao Jornal VOZ DA VERDADE, destacando depois que este movimento internacional de leigos, nascido na Irlanda, em Dublin, em 1921, “está hoje implantado em quase todos os países do mundo”. “Temos 25 milhões de membros, entre ativos e auxiliares, e continuamos a crescer, especialmente nos países onde a fé é mais fervorosa. Nesta velha Europa, temos certas dificuldades, os membros estão envelhecidos, assim como a população em Portugal, e temos uma certa dificuldade em recrutar gente jovem”, assume. Esta responsável lembra, a propósito, palavras do cardeal Suenens, “que foi um dos quatro moderadores do Concílio Vaticano II e que era um ‘fã’ da Legião de Maria”. “Ele dizia que a Legião de Maria reza na nave central da catedral. Com isto, o cardeal Suenens queria dizer que a Legião de Maria é Igreja autêntica. Neste sentido, nos países em que a fé definha e hoje está menos ativa, à Legião de Maria acontece-lhe o mesmo”, compara.

A responsável deste movimento – que tem, a nível nacional, cerca de 25 mil membros – destaca que “a Legião de Maria, antes de ser de Maria, é do Espírito Santo”. “A nossa promessa legionária é feita ao Espírito Santo. Não se é membro ativo, nem se entra na Legião de Maria sem esta consagração ao Espírito Santo”, enaltece.

 

Ação concreta

Maria Elisa entrou na Legião de Maria na paróquia de São João de Brito, onde reside, mas que atualmente não tem este movimento, pelo que faz parte de um grupo de São João de Deus. “Os grupos paroquiais [Praesidium] da Legião de Maria são os grupos base e fazem um trabalho ativo, procurando ser o tal fermento na sociedade, a tal força inspiradora no mundo e conduzir o sacerdote ao meio do povo”, conta. E reúnem semanalmente. “É uma reunião de oração e formação para a ação. Na reunião, temos sempre o estudo, de uma carta encíclica, do nosso manual ou do Evangelho do Domingo seguinte. É um estudo muito diversificado, porque os membros têm que ser formados para o trabalho, para a ação que procuramos manter semanalmente no meio da sociedade”, frisa, destacando que a missão é “uma ação concreta, como recordou o senhor Cardeal-Patriarca”. “É uma ação muito concreta, porque o nosso manual diz que um legionário está 24 horas por dia de serviço. Nós somos missionários e os missionários estão sempre de serviço. Todos nós, membros ativos, incluindo eu, não estamos isentos deste trabalho e dessa reunião de grupo”, assegura a presidente nacional e diocesana.

 

Chamada por Nossa Senhora

Maria Helena Castro Rosa é da paróquia de Nossa Senhora do Carmo do Alto do Lumiar e pertence à Legião de Maria há cerca de 12 anos. “Tenho muito orgulho em pertencer à Legião de Maria. Fui mesmo chamada por Nossa Senhora para este movimento. Era professora de Liceu e fui convidada várias vezes, mas como tinha uma vida muito preenchida e não conseguia, disse sempre: ‘Quando me reformar, prometo que vou’. E assim foi”, conta esta legionária, ao Jornal VOZ DA VERDADE, referindo que também a sua mãe e a sua sogra tinham pertencido à Legião de Maria. “Por vezes, ia com elas às celebrações”, observa.

Maria Helena integra o Praesidium de Nossa Senhora do Monte Carmelo e já foi vice-presidente e, depois, presidente. “Foram momentos em que aprendi muito e em que cresceu muito a minha fé e o amor por Nossa Senhora, que eu já tinha”, garante. Este grupo conta atualmente com oito elementos. “Temos uma reunião semanal, às segundas-feiras, das três às cinco da tarde, e depois vamos rezar o Terço, às 17h30, na paróquia, onde temos esta incumbência diária, exceto aos Domingos”, refere. Esta leiga mostra-se ainda “muito satisfeita” com o “reinício das reuniões semanais”, que tinham sido canceladas devido à pandemia. “Agora, todas as semanas, temos trabalhos distribuídos: fazemos visitas domiciliárias, visitas aos hospitais e aos lares, temos correspondência com aqueles que estão mais longe ou telefonemas a quem já não pode ir tanto à igreja, vamos dar a comunhão e colaboramos com o pároco”, salienta esta legionária, sublinhando que o centenário da Legião de Maria é uma data “muito bonita”, que está a ser a vivida “com muito entusiasmo”.

 

Fazer “tudo” por Maria

Henrique Fernandes Almeida, da paróquia de Tires, pertence ao Praesidium de Nossa Senhora da Purificação de Caparide e esteve também, tal como Maria Helena Castro Rosa, na celebração do centenário da Legião de Maria, nos Jerónimos. “Pertenço à Legião de Maria há muitos anos. Acho que já perdi a conta, mas ultrapassou os 25 anos! Fui convidado por três irmãs legionárias e aceitei porque por Nossa Senhora fazemos tudo. Não dizemos que não a Nossa Senhora”, assegura este legionário, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Henrique salienta que o grupo tinha cerca de 15, 16 elementos, mas que atualmente são “só nove”. “A Legião de Maria é um movimento bonito, mas que não tem gente nova. Todas as pessoas têm já uma certa idade e outros têm problemas de saúde. É um desafio para este centenário”, assume. Neste sentido, as reuniões deste grupo base da paróquia de Tires deixaram de acontecer “às quintas-feiras à noite” e passaram a ter lugar “às seis da tarde das segundas-feiras”. “Temos as orações iniciais, a reza dos mistérios, a oração da Catena e, no final, a apresentação do trabalho”, resume.

Henrique Fernandes Almeida diz ainda ser “bom” festejar o centenário da Legião de Maria. “Já estamos crescidos! Temos que festejar os 100 anos, até porque é impossível sermos nós a festejar mais cem”, graceja.

 

Olhar no futuro

Da paróquia de São João de Deus chega Maria Helena Lochner, que pertence à Legião de Maria há 12 anos. “Somos sete membros ativos e 39 auxiliares. Reunimos à quarta-feira, às 15h45, no método comum a todo o movimento”, explica esta legionária, ao Jornal VOZ DA VERDADE. “Temos as orações iniciais, que inclui os cinco mistérios do Rosário, depois temos uma leitura espiritual e, então, entramos nos aspetos mais burocráticos, como a leitura da ata da ordem permanente, que acontece na primeira reunião de cada mês e que é importante para quando temos novos candidatos a integrar o movimento, porque temos princípios que são imutáveis”, acrescenta.

Maria Helena Lochner lamenta que a pandemia tenha trazido “alterações que nunca sonhámos ter” no movimento, mas coloca o olhar no futuro. “É um pouco ‘derrotista’ termos um centenário numa pandemia, mas temos que ter uma visão positiva de que temos 100 anos para trás e, agora, temos que ter outros tantos, ou mais, para a frente, com as mudanças necessárias e suficientes, se Deus quiser”, vaticina esta legionária.

 

Maria em ação

Para a presidente da equipa nacional da Legião de Maria, Maria Elisa Manso Preto, o centenário do movimento “tem um grande significado”. “Apesar dos 100 anos, é uma verdade que a Legião de Maria continua viva e ativa! A Legião de Maria tem uma espiritualidade própria, e o espírito da Legião de Maria é o próprio espírito de Maria. Sem Ela, a Legião é como um corpo sem alma. Enquanto conservarmos este espírito vivo, este espírito que anima o movimento e a nós, legionários, a Legião de Maria não morre”, assegura.

Esta responsável recorda ainda uma entrevista ao fundador do movimento, em 1979, um ano antes de falecer, onde foi questionado sobre o que ia acontecer à Legião de Maria depois de ele morrer. “Frank Duff respondeu: ‘Não lhe vai acontecer nada, porque desde o primeiro momento a Legião de Maria está nas mãos de Nossa Senhora’”, conta Maria Elisa. “Nossa Senhora está à frente do nosso movimento. Nós consideramo-nos um exército e Nossa Senhora é a comandante do exército. A Legião de Maria é Maria em ação! E enquanto Maria for viva, a Legião de Maria manter-se-á viva também”, assegura esta legionária.

 

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Exército de amor

A Legião de Maria está presente em cerca de 100 paróquias do Patriarcado de Lisboa, segundo revela a presidente diocesana. “Em Lisboa, a pandemia só fez estragos numa área, em Massamá, e também na zona da Amadora, mas estão agora a reorganizar-se. Temos uma grande esperança e vamos trabalhar muito para voltarem. Nossa Senhora e o Espírito Santo ajudam, mas os passos têm que ser nossos. Os diretores espirituais locais dos grupos base, que são os párocos, estão com o desejo de que não se perca nenhum grupo. Mesmo os que têm dois ou três membros, temos lutado para manter os grupos vivos e tem-se feito recrutamento nas paróquias”, salienta Maria Elisa Manso Preto, destacando que o apostolado semanal que este movimento realiza nas paróquias “toca todas as pastorais”. “Temos sempre a preocupação do contacto pessoal. Costumamos dizer que somos um exército de amor, porque procuramos levar e transmitir às pessoas o amor com que Jesus Cristo e a sua Mãe as amam”, garante.


Legião de Maria - Senatus de Lisboa

Telefone: 966056526

Email: senatuslegiaodemarialisboa@gmail.com

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