Lisboa |
Padre Nélio Tomás, scj (1972-2021)
“Foi um dom que nos foi dado”
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A paróquia de Alfragide agradece “ao Senhor” a vida do padre Nélio Tomás, scj, seu pároco, falecido aos 49 anos. O colaborador diácono Fernando Magalhães partilha ao Jornal VOZ DA VERDADE a vida “simples” do sacerdote madeirense, que se deu à comunidade e que também tinha o dom de “ir buscar os mais ‘improváveis’ aos sítios menos convencionais”.

 

“Viveu a sua vida a dar-se, a dar-se, a dar-se aos outros, à comunidade e sempre com simplicidade. Era assim que contagiava as pessoas”, conta, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o diácono Fernando Magalhães, que partilhou com o padre Nélio Tomás, pároco de Alfragide desde 2013, a quase totalidade do seu ministério como diácono permanente. “O padre Tomás foi um dom que nos foi dado! É isso que nós agradecemos a Nosso Senhor”, assegura este diácono, assumindo ser impossível destacar apenas um momento desta convivência com o sacerdote dehoniano, que faleceu no passado dia 6 de novembro e que foi lembrado pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, no dia seguinte, na Missa Exequial, na Igreja da Divina Misericórdia, em Alfragide.

 

“Está tudo bem”

O padre Nélio Tomás faleceu aos 49 anos, “vítima de doença prolongada”, revelou, em comunicado, a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. “A notícia da sua morte revestiu-se de tristeza, acompanhada de um grande sentimento de impotência. O Pe. Tomás, que há muito tempo atravessava um violento processo de doença, com um ânimo invulgar, viu na última semana um agravamento acelerado do seu estado de saúde”, explica a mesma nota. Segundo o diácono Fernando Magalhães, o estado de saúde do sacerdote “foi um testemunho brutal para toda a comunidade”. “A frase muito usada por ele era ‘estou bem’. Onde fisicamente estava tudo mal, anímica e espiritualmente estava tudo bem, sem servir como uma espécie de conforto paliativo para com as pessoas”, afirma este diácono permanente da paróquia de Alfragide, recordando um dia que “ficará guardado na memória, para sempre”: 14 de agosto de 2019. “Estava com ele na decisão se ia ou não fazer a segunda intervenção cirúrgica. Tivemos uma conversa muito séria e, depois, ele pediu para falar com duas pessoas, ao telefone. Antes de subir, tivemos um momento de oração. Foi uma vivência espiritual muito forte”, partilha.

 

“Improváveis”

Para o diácono Fernando, fica também a memória de “um pastor, um amigo bom, tremendamente simples, com uma enorme alegria” e com a “particularidade” de “ter o dom para ir buscar os mais ‘improváveis’ aos sítios menos convencionais de apostolado”. “Agora, no velório, esses ‘improváveis’ estavam lá todos. Isso foi muito expressivo na vida deste homem que gostava muito do convívio, do desporto, da confraternização”, frisa este colaborador, dando como exemplo a ‘Missa do Parto’ – uma secular tradição da religiosidade popular e da cultura madeirense, que chegou à paróquia em 2014, pela mão do sacerdote. “A alegria dele era imensa por ver os outros confraternizar”, revela.

 

“Bendito”

Antes de chegar à paróquia de Alfragide, o sacerdote dehoniano foi, no ano pastoral 2006-2007, pároco de São João e São Paulo, na zona pastoral da Ribeira Brava, na Madeira, onde exerceu também o cargo de secretário do Colégio Infante D. Henrique, no Funchal, de onde era natural. O seu percurso formativo na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus decorreu em Aveiro, no Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide, e também na sua terra natal, onde, em 2001, foi ordenado sacerdote. Posteriormente, entre 2001 e 2006, dedicou-se à formação de novos seminaristas, no seminário da congregação no Porto.

O momento da chegada à paróquia de Alfragide, em 2013, ficou, “para sempre”, marcado por uma frase que marcou “profundamente” a vida deste sacerdote: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor’, conforme recordou agora o diácono Fernando Magalhães. “Ao longo do seu ministério pastoral, aqui na paróquia, tantas vezes repetiu essa frase. De tal maneira que, quando chegou o vigário paroquial, padre Joaquim Costa, a forma com que ele o recebeu foi exatamente com essa frase: ‘Como fui recebido, é exatamente como te recebemos a ti’, disse o padre Tomás”, recorda ainda o diácono Fernando Magalhães.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Diogo Paiva Brandão e paróquia de Alfragide
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