Lisboa |
Padre Francisco Cosme (1934-2021)
“Um obreiro da comunhão”
<<
1/
>>
Imagem

O Cardeal-Patriarca de Lisboa lembra o padre Francisco Cosme como “um obreiro da comunhão” pelas paróquias por onde passou e onde ajudou a aplicar o Concílio Vaticano II. Em Moscavide, o sacerdote é recordado com uma “capacidade de doação imensa que arrastava os outros” e, na Benedita, é-lhe reconhecida a “simplicidade” e a intenção de querer viver os últimos dias na comunidade cristã.

 

Por onde passou, “vi-o sempre insistente e preocupado com o caminho conjunto”, lembrou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, na Missa Exequial do padre Francisco Cosme, no dia 8 de novembro. Na igreja paroquial da Benedita, D. Manuel Clemente assegurou que o sacerdote falecido “saboreia” agora, “muito especialmente”, “a presença de Deus como uma cidade, como um conjunto, como uma comunidade”. “Ele fez comunidade por todas as paróquias por onde passou, era um homem convivencial. Isso é tudo um sinal daquilo que havemos de ser, segundo Jesus Cristo”, apontou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, que conheceu o sacerdote natural do Ramalhal, Torres Vedras, quando este foi pároco de Moscavide, entre 1966 e 1981.

Outro dos traços característicos do padre Cosme, falecido a 7 de novembro, e destacados por D. Manuel Clemente foi o facto de o sacerdote ter pertencido a uma “geração diretamente conciliar”, que “antecedeu, viveu e aplicou o Concílio Vaticano II”. “Se houve ponto realçado, insistido por todos os documentos do Concílio Vaticano II, é exatamente este ponto da comunhão. A Igreja existe para fazer a comunhão, a unidade entre todos os seres humanos, como nos diz a ‘Lumen Gentium’. O padre Francisco Cosme sempre foi muito sensível – e, nesse sentido, plenamente conciliar – a esta dimensão conjunta e conjugada, corresponsável e participada pelo povo cristão como um só, aquilo que, tantos anos depois, o Papa Francisco insistiu com a chamada ‘sinodalidade’”, sublinhou o Cardeal-Patriarca, na homilia da celebração exequial.

 

Doação imensa

O padre Cosme foi pároco de Moscavide, entre 1966 e 1981, interrompendo por um período de quatro anos, para se dedicar aos estudos, em Madrid, e à formação no Seminário dos Olivais. Desse tempo, a paroquiana Manuela Mendonça recorda a pessoa “extremamente afável”, “extremamente exigente” e “com uma capacidade de doação imensa, que arrastava os outros”. “Foi uma lufada de ar fresco na paróquia, com uma capacidade arrebatadora da juventude. Há um conjunto enorme de jovens que lhe ficaram ligados – e eu, incluo-me”, partilha, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

A aplicação dos textos conciliares é outro um dos traços evidenciados por Manuela Mendonça. “Moscavide foi a primeira paróquia do padre Cosme. Foi ali que aprendeu a ser pastor, quando nós estávamos a dar os primeiros passos na corresponsabilidade da Igreja. Foi uma caminhada conjunta em que se fizeram imensas coisas. A sua passagem foi uma mensagem de vida”, assegura esta leiga.

 

Conviver

Após a paróquia de Moscavide, seguiu-se a paroquialidade na Benedita, durante duas décadas (entre 1981 e 2002). O atual pároco, padre Gianfranco Bianco, destaca a “simplicidade” do sacerdote e a intenção em viver os últimos tempos de vida na comunidade cristã que o acolheu. “A família dele era a paróquia”, afirma, ao Jornal VOZ DA VERDADE. “Era um homem que gostava de conviver, indo ao encontro das pessoas que o convidavam para os almoços, para a vida familiar. Nos últimos tempos, embora estivesse mais recatado, também pela debilidade da sua saúde que se ia degradando, sempre manteve uma postura silenciosa, discreta”, assegura o padre Gianfranco.

Nesta paróquia da Vigararia de Alcobaça-Nazaré, o padre Cosme “procurou implementar o Concílio Vaticano II”, “através de um projeto chamado NIP (Nova Imagem da Paróquia) e que restruturou a paróquia, organizando-a em 13 zonas que funcionavam todas ligadas à comunidade”. “Era uma forma de chegar mais perto das pessoas e de terem uma participação na condução da vida pastoral da Igreja. Ele trabalhava muito em comunhão com as pessoas”, reforça o atual pároco.

Ao longo da sua vida sacerdotal, o padre Francisco Cosme foi ainda pároco de Turquel, Alvorninha, Alcobaça, Santa Catarina (Caldas da Rainha) e Vimeiro, e fez parte do Conselho Pastoral e do Conselho Presbiteral Diocesano.

texto por Filipe Teixeira; fotos por paróquia de Moscavide e arquivo VV
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
No livro “Que Fizeste do Teu Irmão? – Um Olhar de Fé sobre a pobreza do mundo” de...
ver [+]

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
No primeiro dia de novembro, a Igreja universal celebra todos os santos. Muitos dos bem-aventurados,...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES