Catequese |
Análise
Diretório para a Catequese: Uma visão geral
<<
1/
>>
Imagem

Iniciamos a presença do Sector da Catequese do Patriarcado de Lisboa no Jornal VOZ DA VERDADE, a quem agradecemos a possibilidade de manter uma relação próxima com os diocesanos de Lisboa. De facto, a Catequese de Lisboa manteve durante décadas uma presença próxima dos párocos e catequistas, mormente através da revista «Voz da Catequese», entretanto extinta. Neste âmbito, a nossa presença mensal no jornal irá incidir, durante este ano pastoral, sobre o Diretório para Catequese. O primeiro contributo apresenta uma visão geral do documento.

 

O Diretório para a Catequese (2020) é o primeiro documento catequético elaborado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. Dando cumprimento à indicação do Decreto conciliar Christus Dominus sobre o múnus pastoral dos bispos que pede a redação de um «Diretório sobre a instrução catequética do povo cristão» (CD 44), este é já, no entanto, o terceiro documento desta natureza. Tendo como referência o ensinamento conciliar, saía, em 1971, o Diretório Catequístico Geral. Alguns anos depois da publicação do Catecismo da Igreja Católica (1992), vinha à luz o Diretório Geral da Catequese (1997). O atual Diretório surge no contexto da recente renovação catequética e das acentuações derivadas do Sínodo sobre A nova evangelização para a transmissão da fé e da subsequente Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013). A publicação recorrente de Diretórios relativos à ação catequética prende-se com a importância que a catequese tem na vida da Igreja e com a sua sempre necessária tarefa de atenção às transformações sociais e culturais onde esta é chamada a inculturar a mensagem evangélica. O documento situa-se numa dinâmica de continuidade com os textos que o precederam, mas «representa uma etapa posterior na renovação dinâmica que a catequese está a realizar» (DC 18).

Na apresentação pública do Diretório, o arcebispo Dom Rino Fisichella chamava a atenção para a necessidade de «libertar a catequese de algumas armadilhas que impedem a sua eficácia». A primeira refere-se ao «esquema escolar, segundo o qual a catequese de iniciação cristã é vivida segundo o paradigma da escola. A catequista substitui a professora, a sala da escola dá lugar à sala de catequese, o calendário escolar é idêntico ao da catequese». O segundo erro a evitar «é a mentalidade segundo a qual a catequese é feita em vista da receção de um sacramento. É óbvio que, quando a iniciação tiver terminado, se venha a criar um vazio para a catequese». O terceiro perigo coincide com um fenómeno bem presente na consciência e na prática de muitos agentes pastorais ligados à catequese que consiste na «instrumentalização do sacramento por parte da pastoral, pelo que os tempos do sacramento da Confirmação são estabelecidos pela estratégia pastoral de não perder o pequeno rebanho de jovens que ficou na paróquia, e não pelo significado que o sacramento possui em si mesmo na economia da vida cristã». Por último, constata-se que «durante demasiado tempo a catequese centrou os seus esforços em dar a conhecer os conteúdos da fé e na pedagogia com a qual os devia transmitir, descurando infelizmente o momento mais determinante que é o ato de cada um escolher a fé e dar o seu assentimento» (Cf. Fisichella, 2020).

Considera-se uma visão da catequese que «tem o seu ponto de força no encontro que permite que se experimente a presença de Deus na vida de cada um», levando a «descobrir que a fé é realmente o encontro com uma pessoa, ainda antes de ser uma proposta moral, e que o cristianismo não é uma religião do passado, mas um acontecimento do presente» (Cf. Fisichella, 2020).

O documento está organizado em três partes: A catequese na missão evangelizadora da Igreja, O processo da catequese, A catequese nas Igrejas particulares. A primeira é uma etapa essencial para a compreensão da identidade e missão da catequese. A segunda parte refere-se à pedagogia e metodologia da catequese, bem como às pessoas com as quais esta interage. A terceira e última parte refere-se à organização da catequese nas igrejas particulares, tem em conta as realidades locais, e convoca a catequese a um exercício constante de inculturação da mensagem cristã face aos desafios do mundo futuro.

O critério que presidiu à redação deste documento, procura «aprofundar o papel da catequese na dinâmica da evangelização», particularmente num contexto em que se modificam as formas de transmissão da fé e a Igreja procura decifrar alguns sinais dos tempos através dos quais o Senhor lhe indica o caminho a seguir, nomeadamente, a centralidade do crente e da sua experiência de vida, o papel relevante das relações e dos afetos, o interesse por aquilo que oferece significados verdadeiros, e a  redescoberta daquilo que é belo e que eleva a alma (cf. DC 5).

De um modo global, este Diretório apresenta uma estreita ligação entre evangelização e catequese, centrando-se numa perspetiva querigmática e mistagógica. À luz de uma cultura do encontro, expressa uma íntima conexão entre primeiro anúncio e amadurecimento da fé. Sendo a catequese um exercício de inculturação da mensagem cristã, o texto apresenta dois grandes desafios do mundo contemporâneo face aos quais se situa a catequese: a cultura digital e a globalização da cultura. Neste esforço inculturador, apresenta novas linguagens para comunicar a fé.

texto pelo P. Tiago Neto, diretor do Sector da Catequese de Lisboa
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
No livro “Que Fizeste do Teu Irmão? – Um Olhar de Fé sobre a pobreza do mundo” de...
ver [+]

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
No primeiro dia de novembro, a Igreja universal celebra todos os santos. Muitos dos bem-aventurados,...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES