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Conferência ‘Deus escolhe os pobres…’, de homenagem a Alfredo Bruto da Costa
“O mobilizador da consciência coletiva ao serviço da justiça e do bem comum”
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O secretário-geral da ONU considera que vida e obra de Alfredo Bruto da Costa, antigo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz falecido em 2016, “interpelam a consciência”. Paróquia do Campo Grande, em Lisboa, organizou a conferência ‘Deus escolhe os pobres…’, para assinalar os cinco anos da morte do ‘seu’ paroquiano.

“Importa preservar o seu legado, o seu enorme saber e a sua profunda experiência”, observou António Guterres, citado pela Agência Ecclesia, numa vídeomensagem enviada à sessão de homenagem, na noite do passado dia 11 de novembro, realizada no salão paroquial do Campo Grande. Na intervenção inicial desta iniciativa, o responsável das Nações Unidas recordou que Alfredo Bruto da Costa dedicou a sua vida à justiça social, ao estudo e combate à pobreza e exclusão social. “A sua partida deixou um enorme vazio”, salientou António Guterres, que lembrou com “saudade” o cidadão empenhado nas “causas mais nobres”, o “académico ilustre”, o “mobilizador da consciência coletiva ao serviço da justiça e do bem comum”. “Dadas as minhas atuais funções não posso bem deixar de assinalar a convergência da ação de Alfredo Bruto da Costa ao longo da vida com aquele que veio a ser consagrado como o primeiro dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, a irradicação da pobreza”, manifestou o secretário-geral da ONU.

 

Homem de oração

Esta iniciativa teve lugar na proximidade do Dia Mundial dos Pobres (14 de novembro), com o cónego António Janela, presidente do Instituto Diocesano da Formação Cristã (IDFC), a lembrar que a sua relação com Alfredo Bruto da Costa começou nos anos 60, na sua paróquia de origem – São João de Deus –, onde via um jovem, três anos mais velho, a rezar, e que era algo que o interpelava. “Era um homem de oração. Temos muita falta de referências que sejam de testemunho de um cristão com os pés na terra, mas sempre com o coração em Deus”, salientou. O sacerdote, hoje com 80 anos, destacou ainda que o “magistério” de Bruto da Costa ia “muito para além das estruturas diocesanas” e sublinhou a importância da “intervenção dos cristãos na sociedade”.

 

“O pobre não é um inferior”

Nesta conferência no Campo Grande, Henrique Joaquim, gestor executivo da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, revelou que conheceu Alfredo Bruto da Costa em 1991, quando chegou a Lisboa. “Sempre ensinou, e relembro isso nas funções que tento desempenhar hoje, que ninguém resolve a pobreza de cima para baixo, o pobre não é um inferior. Ou somos capazes de aprender com a pessoa que está na situação de pobreza e, na mesma condição de dignidade humana, caminhamos juntos ou não resolvemos a pobreza do outro, aumentamos é a nossa arrogância”, esclareceu.

Este responsável partilhou ainda que guarda de Bruto da Costa “o estudo, o rigor, o envolvimento na prática”, sem esquecer a dimensão da política “no sentido do bem comum e da justiça social, enquanto base do bem comum”.

 

Ouvir

A última oradora da sessão de homenagem foi a presidente da Cáritas Portuguesa, que lembrou como no terreno se pode fazer a diferença “ouvindo”. Rita Valadas alertou para quando quem bate à porta numa situação “em que não são só os pobres conhecidos”, mas são famílias. Neste contexto, partilhou que, recentemente, foi-lhe colocada a situação de uma família com “dois vencimentos razoáveis, seis filhos”, mas que “não têm condições para resolver” a situação atual. “Esta crise pandémica, ninguém estava à espera de ficar fechado de um dia para o outro, desta vez não houve possibilidade de sair para a rua e procurar alternativas”, destacou, recordando que a Cáritas Portuguesa, em abril de 2020, criou o programa ‘Inverter a Curva da Pobreza’, que “ainda persiste porque não houve condições de abandonar”.

 

Coerência cristã

A conferência ‘Deus escolhe os pobres…’, de homenagem a Alfredo Bruto da Costa, tinha iniciado com o pároco do Campo Grande a lembrar que o ‘seu’ paroquiano faleceu a 11 de novembro de 2016, no dia de São Martinho, “um santo intimamente ligado aos pobres e à prática da caridade”. “Viveu com uma grande coerência cristã, um grande testemunho que pode deixar a todos os cristãos: Estar em múltiplas frentes a lutar por uma causa e nunca perder a sua identidade primeira, esse amor a Jesus Cristo”, frisou o padre Hugo Gonçalves.

Recorde-se que no passado dia 17 de outubro, a Cáritas Portuguesa, o Fórum Abel Varzim e a Misericórdia de Lisboa promoveram a apresentação da obra ‘«Que fizeste do teu irmão?» Um olhar de fé sobre a pobreza no mundo’, de Alfredo Bruto da Costa, numa sessão onde foi condecorado, a título póstumo, com a Ordem da Liberdade, pelo Presidente da República. “Eu entrego à família, aquilo que Portugal pediu para que entregasse que é a Ordem da Liberdade. Porque uma forma de viver a profecia é viver a libertação da pobreza. Ele transformou isso num desígnio da sua vida”, afirmou, então, Marcelo Rebelo de Sousa.

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