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A história triste de um casal cristão forçado a sair da sua aldeia na Síria
“Nem podíamos ir à igreja…”
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A guerra na Síria dura há uma década. Moufida e Mousa são um exemplo de como um casal cristão, já idoso, só consegue sobreviver graças à ajuda da Igreja. Esta é uma história que nos vai levar até à cidade de Alepo numa viagem por vários anos, entre explosões, bombas e violência sem fim…

 

Viviam em Idlib, na Síria, quando a guerra se tornou total. Praticamente não havia então um único palmo de terra que não fosse disputado, não havia aldeia ou vila ou mesmo cidade que não fosse palco de combates, de explosões, de violência e morte. Moufida Jallouf e o marido Mousa Ogzan viviam em Idlib quando a guerra chegou, há 10 anos. Nem a aldeia onde moravam escapou à ambição dos grupos jihadistas que queriam transformar toda a Síria num imenso califado. Ainda hoje se lembram bem dos combates, do barulho ensurdecedor das bombas, dos tiros que transformaram para sempre a pacatez daquele lugar onde todos se conheciam, onde todos se respeitavam. Mas os combates foram apenas o prenúncio do mal que estava ainda para vir.

 

“Impuseram a ‘sharia’”

Moufida e Mousa vivem hoje em Alepo. Não conseguiram resistir muito tempo à ocupação da aldeia pelos terroristas, pelos radicais muçulmanos. “Grupos islâmicos armados entraram na nossa aldeia e impuseram a lei islâmica, a ‘sharia’”. Há um lamento na voz de Moufida. É ela que fala para a Fundação AIS. É ela que conta a história. Mousa fica em silêncio, curvado sobre as suas próprias dores, como se tudo o que pudesse dizer fosse já insignificante. Há um lamento, mas também uma enorme revolta nas palavras de Moufida. Ela recorda tudo o que aconteceu, mas não se conforma. “Nem podíamos ir à igreja, não podíamos estar à porta nem à janela… Por outras palavras, não podíamos ser vistos.”

 

Reino de terror

O reino de terror chegou sem ser anunciado. Chegou impiedoso e caiu sobre os Cristãos, sobre todos os que não pertenciam ao universo dos radicais islâmicos. Aos poucos, a vida tornou-se insuportável, quase impossível. Os jihadistas não chegaram apenas à aldeia de Moufida e Mousa. Instalaram-se por todas as aldeias em redor e entraram nas casas das pessoas, invadindo a sua privacidade, roubando, levando tudo o que teria algum valor. “Pessoas sem piedade levaram a nossa fonte de rendimento. Roubaram o nosso dinheiro e ficaram com a nossa casa.” Tornou-se impossível continuar por ali. A guerra estava já no seu auge. Além de Moufida e Mousa havia outras famílias cristãs. Todos tinham apenas uma ideia em mente: partir. Era preciso deixar tudo, casa, objectos, memórias. Era preciso partir para salvar a própria vida.

 

A última vez

Naqueles dias, com o país transformado num imenso campo de batalha, era perigoso viajar. As pessoas eram alvo de ‘snipers’, havia bombardeamentos em que se confundiam simples casas de habitação com alvos militares. Ninguém estava seguro em lugar algum. Foi preciso, pois, organizar um corredor humanitário para tirar as pessoas da aldeia, para as libertar do inferno da guerra. Foi a última vez que Moufida e Mousa viram a sua casa. “Viemos de ambulância até Alepo.” De novo, as palavras cheias de amargura. Palavras impotentes de quem já não se sente sequer dono do seu destino, senhor da própria vida. “Como pessoas idosas, tornámo-nos deslocados internos”, lamenta Moufida à Fundação AIS. “Somos como refugiados no próprio país.”

 

Vida emprestada

Agora vivem em Alepo. Tudo por ali é de certa forma provisório. Vivem numa casa emprestada, numa rua nova, numa cidade que não lhes pertence. Como se não bastasse tudo isso, a saúde frágil trouxe ainda mais debilidade ao casal. Mais do que refugiados, Moufida e Mousa sentem-se como estrangeiros no próprio país. “Temos receio da situação em Alepo. Desde que aqui chegámos que a nossa saúde piorou. Desde que aqui chegámos que ainda não saímos de casa…” Nestes 10 anos de violência, Moufida e Mousa perderam tudo o que tinham. Perderam tudo menos a fé. Esse foi o tesouro que os jihadistas não conseguiram roubar.

 

Um Natal com esperança

Agora, em Alepo, sentem-se como estranhos, mas sabem que não estão sozinhos. “A Igreja está sempre connosco. Continuamos a rezar na segurança da nossa casa e continuamos a fazer o Sinal da Cruz e a ir à Missa. A nossa fé em Deus ainda é forte, apesar do que passámos. Agradecemos à Fundação AIS, que está a apoiar a nossa paróquia, a Igreja de Nossa Senhora da Anunciação, e o nosso pároco, que nos apoia e ajuda para que possamos continuar a viver…” Faltam já poucos dias para o Natal. Da Síria, da cidade de Alepo, chega-nos o lamento de Moufida Jallouf e do marido Mousa Ogzan, a quem lhes foi roubado tudo o que possuíam por serem cristãos. Vamos ajudar este casal idoso a viver um Natal com mais esperança?

 

PS: A Fundação AIS apoia projectos de ajuda aos refugiados e deslocados internos em vários países do mundo. Ajude a AIS nesta missão junto dos que perderam tudo o que tinham, como Moufida e Mousa. Neste Natal ofereça esperança!

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