Lisboa |
Luz da Paz de Belém
“Uma chama que está sempre acesa e consegue incendiar o mundo”
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A Luz da Paz de Belém “fala por símbolos” e “a vela, sempre acesa em Belém, é a certeza do Senhor no meio de nós”, considera o assistente regional de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre Marcos Castro lembra como esta iniciativa chegou à diocese e se tornou numa espécie de ‘jantar’ de Natal dos escuteiros.

 

“Esta iniciativa da Luz da Paz de Belém tem todo o significado do Natal, tem todo o significado do escutismo. É muito simples: é uma chama que está sempre acesa, tão pequena, e consegue incendiar o mundo, naquilo que é o dom da fé, de Jesus Cristo, naquilo que é o significado da partilha”, explica ao Jornal VOZ DA VERDADE o assistente regional de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas (CNE), padre Marcos Castro. Para este sacerdote, esta celebração tem também “o significado do Senhor que está no meio de nós”. “Quando se partilha, não ficamos sem nada, mas conseguimos incendiar a mensagem evangélica que diz ‘Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ela se acenda?’”, cita.

 

De Telheiras para a diocese

Foi no ano de 2014 que o Patriarcado de Lisboa passou a partilhar, de forma oficial e diocesana, a Luz da Paz de Belém. Mas tudo começou no ano anterior, segundo conta este responsável. “De forma oficiosa, tudo começou em 2013, quando os escuteiros de Telheiras foram passar um fim-de-semana a Espanha, com várias atividades, em que uma delas era ir buscar a luz para a sua paróquia. Depois, no ACAREG [Acampamento Regional] em 2014, os escuteiros de Telheiras desafiaram a Região de Lisboa a fazerem isto de uma forma diocesana e não apenas paroquial”, recorda o padre Marcos, lembrando que, na altura, pensou ser “algo com significado”.

Segundo este sacerdote, “o ano mais complicado foi 2014”, em que tiveram “muitas reuniões para explicar a todos o que é a Luz da Paz de Belém”. “Foi muito engraçado e não só os agrupamentos, mas também as paróquias, foram muito generosas”, considera, partilhando uma história que lhe mostrou como a luz estava a chegar a todos: “Nesse ano, fui almoçar a casa dos meus padrinhos e levei a Luz da Paz de Belém e, quando cheguei, a luz já lá estava! Pensei: ‘Isto funcionou mesmo’”.

No ano seguinte, em 2015, Lisboa recebe a cerimónia nacional de receção e partilha da Luz da Paz de Belém, na Igreja de São Vicente de Fora. De então para cá, as celebrações têm decorrido sempre na Sé Patriarcal de Lisboa. “Este evento sempre se quis na Sé de Lisboa, Igreja Mãe e com o Pastor”, observa. “Hoje em dia, nem é preciso dizer nada às paróquias e aos agrupamentos. As pessoas já estão à espera desta iniciativa como preparação para o Natal. Mesmo nas dinâmicas do Advento, na catequese, sabem que é para ir buscar a Luz da Paz de Belém. Isto é para todos”, assegura o assistente regional de Lisboa do CNE, destacando ainda “a colaboração da Cáritas Portuguesa, que abraçou a iniciativa desde os primeiros tempos”.

 

Bom presente de Natal

O padre Marcos Castro realça que a Luz da Paz de Belém é uma atividade que “os escuteiros organizam para a diocese”. “Não é uma atividade escutista para os escuteiros. Pede-se ao escutismo que possa suportar isto, esta iniciativa, a nível mundial. Até porque temos paróquias na diocese que não têm escuteiros, mas que se têm inscrito para vir buscar a Luz”, frisa. Neste sentido, questionado sobre de que forma as paróquias podem, agora, acolher a luz, este responsável destaca as celebrações deste Domingo, 19 de dezembro. “No Domingo IV do Advento, no final das Eucaristias, as pessoas já estão à espera de levar consigo esta luz. A ideia é que as pessoas levem a chama não só para as famílias, para as suas casas, mas também para outros lugares, como as escolas – nos lares, atualmente, é mais complicado. A Luz da Paz de Belém torna-se, assim, um bom presente de Natal”, considera.

Referindo que “a chama, em si, não é sagrada”, o assistente regional de Lisboa do CNE manifesta, contudo, que “tem muito significado”. “A Luz da Paz de Belém fala por símbolos – a vela sempre acesa em Belém é a certeza do Senhor no meio de nós, sempre. São João, no seu Evangelho, diz: ‘Uma luz brilhou no meio das trevas’. E nós contemplamos, agora, a luz. As famílias têm de encontrar, em casa, este cuidado de modo a que a chama não se apague, para que o dom de Deus esteja sempre aceso, no meio de nós, com a certeza que se vive entre pais, entre filhos, entre família, entre todos, de que o Senhor está no meio de nós”, convida o sacerdote. “Uma vez, numa cerimónia, o senhor Patriarca disse: ‘Isto é muito simples: «O Senhor esteja convosco»’. E todos responderam: «Ele está no meio de nós». E é isto! É esta a certeza”, assegura.

 

‘Jantar’ de Natal

Nas celebrações da Luz da Paz de Belém, na Sé de Lisboa, costumam participar “praticamente todas as paróquias” da diocese. “Este ano, tivemos 260 pessoas inscritas”, revela. “Esta luz acende e aumenta em nós a esperança de que temos de voltar a apostar e temos de voltar a cuidar do mundo. Há sempre esta implicância de Cristo no meio de nós e nós, como cristãos, que estamos no meio do mundo em nome d’Ele. Este evento ajuda-nos a colocar a consciência no lugar e em Cristo”, sublinha o padre Marcos.

Para os escuteiros, a Luz da Paz de Belém “tornou-se, quase, o nosso ‘jantar’ de Natal”. “Tem sido engraçado, porque o Natal passava-nos despercebido, em termos de atividades escutistas, e assim é uma forma de vivermos o Natal com os escuteiros e de nos encontrarmos todos, de uma forma mais descontraída, fora das tendas. Não vamos comer o peru, nem o bacalhau, mas aquilo que é o centro na mesa é Cristo, a luz do mundo”, aponta o assistente regional de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas. “A Luz da Paz de Belém é uma atividade que não nos dá muito trabalho, onde estamos para estar: estamos, acendemos, vivemos e desejamos a todos um Santo Natal. E isso, tem sido muito belo”, garante.

 

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“Esta paz e esta luz vêm da aceitação da mensagem de Deus”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou a aceitar a mensagem divina, para assim alcançar a paz. “A paz de que o mundo precisa, e a paz que todos nós queremos, tem de ser uma paz maior que nós. Esta paz e esta luz que nos vem da aceitação da mensagem de Deus, como ela nos chega a cada dia, no Evangelho que escutámos, na boa inspiração que nos desperta, se nós respondermos como Maria, a mensagem é cumprida, a luz acende-se e a paz acontece”, realçou D. Manuel Clemente, na cerimónia regional da Luz da Paz de Belém, na noite de dia 14 de dezembro, na Sé Patriarcal. “Se nós, como Maria, aceitarmos esta mensagem divina de irmos sempre mais adiante e de, com o Evangelho, ganharmos força para avançar, depois a luz de Jesus Cristo acontece no mundo e a paz, que só Ele traz, acontece também”, acrescentou.

A Luz da Paz de Belém foi partilhada pela Região de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas (CNE), para todas as comunidades paroquiais da diocese. “Que Nossa Senhora – que não é por acaso que chamamos Mãe dos ‘escutas’ – nos ensine a cumprir estas mensagens que vêm do Céu, para que a luz e a paz de Cristo irradiem na terra, nas nossas famílias, nos nossos agrupamentos, nas nossas paróquias, nas nossas terras, nas nossas escolas, nas nossas profissões, e assim, avançando, criarmos um mundo novo”, desejou o Cardeal-Patriarca.

A celebração deste ano teve como mote ‘Acolher o Dom de Deus’ e foi organizada pelo Núcleo do Oeste do CNE. “É sempre com muito gosto que me encontro com todos vocês, em especial com os escuteiros, que eu sou também, desde há muitos anos. Ainda por cima, hoje, com a organização do Núcleo do Oeste que eu com outros levámos por diante, já lá vai meio século”, recordou D. Manuel Clemente.

No final, o Cardeal-Patriarca lembrou a Jornada Mundial da Juventude, que Lisboa vai receber em agosto de 2023. “Como sabem, daqui a um ano e meio vamos ter em Lisboa muitos jovens de todo mundo. Talvez, certamente, mais de um milhão – é uma coisa nunca vista, cá em Portugal. Estamos a prepará-la afincadamente, os escuteiros também estão nisto, na preparação da Jornada Mundial da Juventude, e com Maria vamos adiante para que esta luz e esta paz que Ela concebeu, Jesus Cristo, chegue aonde quer chegar”, terminou D. Manuel Clemente.

A celebração regional da Luz da Paz de Belém 2021, na Sé Patriarcal de Lisboa, teve transmissão em direto na página no Facebook do CNE Região de Lisboa (www.facebook.com/cneregiaolisboa).

 


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Na tarde do dia 12 de dezembro, a Sé de Setúbal acolheu a cerimónia nacional de receção e partilha da Luz da Paz de Belém, com a Região de Lisboa a estar representada pelo chefe regional, João Esteves (na foto, à direita), e pelo Núcleo do Oeste do CNE. Na homilia da celebração, o bispo setubalense convidou os ‘escutas’ a irem “ao encontro dos outros”. “Todos nós temos uma luz para levar e essa luz não é só nossa, saiam de vós próprios, vão ao encontro dos outros e partilhem esta luz… Mas deixem que Deus vos ajude nessa tarefa, para que esta luz ilumine à nossa volta”, desafiou D. José Ornelas.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos CNE Região de Lisboa
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