Lisboa |
Sínodo dos Bispos 2021-2023
“Todos somos missionários ativos nesta evangelização”
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Três leigos de três paróquias da Vigararia Lisboa I dinamizaram o encontro ‘Como posso eu participar no Sínodo?’ que procurou apresentar a metodologia que é proposta nos encontros da fase diocesana do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. No auditório da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, ficou a convicção de que a Igreja só será uma “Igreja sinodal” se for uma “Igreja de escuta”.

 

As paróquias do Coração de Jesus, Santa Justa e Rufina (São Domingos) e São Francisco de Assis pretenderam “sensibilizar, motivar e mobilizar” todos os que são chamados a dinamizar, nas comunidades cristãs, a fase diocesana do Sínodo dos Bispos 2023. A partir da pergunta ‘Como posso eu participar no Sínodo?’, três leigos apresentaram algumas metodologias e partilharam a experiência que advém da participação nesta caminhada sinodal. “Todos somos missionários ativos nesta evangelização”, começou por sublinhar Paulo Costa, da paróquia de São Francisco de Assis, na manhã de sábado, 11 de dezembro, no auditório da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. “É-nos pedido que cada um de nós seja evangelizador. Este Sínodo não é só para o interior da Igreja, não é só para os eclesiásticos, mas para cada um de nós”, reforçou este leigo, num momento em que foram seguidos vários pronunciamentos do Papa Francisco sobre este tema. “O Santo Padre convocou toda a Igreja, a começar pelo povo de Deus – que somos todos nós –, a falar abertamente. É isso que se procura no Sínodo”, considerou Paulo Costa, lembrando ainda o propósito do encontro: “Não estamos a fazer uma pregação, catequese ou a dar nenhuma aula. Estamos a partilhar convosco aquilo que é a nossa vivência nas nossas comunidades e o que o Santo Padre pretende com este desafio”.

Foram ainda deixadas pelo leigo Horácio Santos, da paróquia de Santa Justa e Rufina (São Domingos), as duas interrogações que são o ponto de partida da reflexão para cada grupo e que são enunciadas no ‘Vademecum’, proposto pela Santa Sé, para esta fase do Sínodo: “Como é que este ‘caminho em conjunto’ está a acontecer, hoje, na nossa igreja local?” e “Que passos é que o Espírito Santo nos convida a dar para crescermos no nosso ‘caminhar juntos’?”. De seguida, foram também apresentados alguns dos objetivos, já enunciados pelo Papa Francisco, para este Sínodo dos Bispos, onde é afastada a ideia de este se tornar numa “recolha de opiniões ou inquérito”, mas antes um “momento de escuta do Espírito Santo”, tal como foi apresentado pelo leigo Paulo Lopes, da paróquia do Sagrado Coração de Jesus.

 

Propostas de reflexão

Na segunda parte do encontro foram apresentados os dez temas que são propostos para serem refletidos, em pequenos grupos, nas diferentes realidades eclesiais, fazendo a ressalva que “não são obrigatórios serem seguidos na totalidade ou na mesma ordem”.

Sobre o primeiro tema, ‘Acompanhantes no caminho’, ficou a interrogação sobre se, no dia-a-dia, “na sociedade”, “procuramos ou não conhecer outras pessoas que não sejam só da nossa comunidade”.

‘Escutar’ foi apontado como o “primeiro passo” do processo sinodal e ficaram as perguntas: “Onde escutamos Deus? Só na Igreja? Escutamos quem tem opiniões diferentes das nossas?”.

A reflexão deve motivar também o ‘Falar’ “com coragem e franqueza”, mas também com “liberdade e caridade”, mesmo reconhecendo que, “por vezes, é difícil”.

Sobre a ‘Celebração’, fica a pergunta: “Como é que as celebrações nos interpelam ou será que vamos à celebração apenas para ler ou cantar?”.

Sobre a ‘Partilha da responsabilidade pela nossa missão comum’, ficou a interrogação sobre como é que cada um se sente perante uma missão que é de todos. “Tentamos dominar ou estamos todos ao mesmo nível?”, questionou o orador. Quanto ao ‘Diálogo na Igreja e na Sociedade’, “qual é a nossa posição perante a realidade onde estamos inseridos dentro e fora da Igreja?”.

No sétimo ponto, fica o desafio para se refletir sobre o ‘Ecumenismo’ e a forma como a comunidade dialoga com os cristãos de diferentes confissões. “Procuramos rezar juntos?”.

O ponto 8 desafia os grupos a refletirem sobre a ‘Autoridade e Participação’ na Igreja. “Como trabalhamos em equipa? Sabemos o que é a corresponsabilidade?”. No ponto sobre ‘Discernimento e Decisão’, “qual a atitude no momento de tomar uma decisão? Existe discernimento e diálogo?”.

O último ponto de reflexão proposto foi sobre ‘Formar-nos na Sinodalidade’, sendo importante uma “recetividade à mudança” e “aprendizagem permanente”. Será que “estamos prontos para ‘caminhar juntos’ na mesma direção?”, destacaram.

 

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“Sínodo serve para aprendermos a caminhar em conjunto”

O coordenador da fase diocesana do Sínodo dos Bispos mostra-se satisfeito com o facto de os mais de 200 coordenadores locais representarem a “quase totalidade da das paróquias da diocese”. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o cónego Rui Pedro Carvalho sublinha que o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade “serve para aprendermos a caminhar em conjunto” e não para procurar, de imediato, “mudar coisas” na organização da Igreja. Este responsável lembra ainda que esta caminhada sinodal é “aberta a todos” e deve ser feita, “preferencialmente, em comunidade”, mas que também é possível enviar os contributos individuais para a Comissão Diocesana do Sínodo dos Bispos (sinodo@patriarcado-lisboa.pt).

O cónego Rui Pedro Carvalho destaca ainda que estiveram presentes 63 pessoas no último encontro de formação que decorreu no passado dia 2 de dezembro, em formato online.

 

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Sínodo tem proporcionado “um maior conhecimento” da comunidade paroquial

A caminha sinodal na paróquia de Colares, segundo o seu pároco, padre José António Rebelo da Silva, “tem permitido que as pessoas se conheçam melhor e percebam as dificuldades que outras pessoas têm”. “Tem ajudado as pessoas a terem consciência daquilo que alguns grupos e movimentos fazem”, observa. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, este sacerdote partilha também que os encontros locais que já se estão a realizar, por ocasião do Sínodo dos Bispos, têm “permitido que as pessoas caminhem juntas e, ao mesmo tempo, se apercebam dos problemas da Igreja local e possam refletir sobre o que vai acontecendo na Igreja universal”.

Atualmente, nesta paróquia da Vigararia de Sintra existem cerca de 11 grupos em caminhada sinodal, nos diferentes lugares, envolvendo mais de 200 pessoas, segundo o pároco. Para a mobilização dos paroquianos, o padre José António acredita que foi “essencial a experiência que as pessoas tiveram” no Sínodo Diocesano 2016, concluído no mês de junho deste ano. “É sobretudo a descoberta do sentido da comunhão e o sentido de que partilhando as preocupações, envolvendo as pessoas, que somos capazes de encontrar melhores respostas para fazer acontecer a evangelização”, considera o pároco de Colares.

 

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“Voz dos leigos vai ser ouvida”

A teóloga espanhola e membro da Comissão de Metodologia do Sínodo 2021-2023, Cristina Inogés Sanz, disse que este processo marca um momento inédito de participação dos leigos católicos na vida da Igreja. “Pela primeira vez, os leigos são protagonistas de um Sínodo, na Igreja universal”, referiu a especialista, que encerrou, na segunda-feira, 13 de dezembro, o ciclo de debates promovido pela comunidade da Capela do Rato, em Lisboa, sobre o ‘Caminho Sinodal’. “A voz dos leigos vai ser ouvida”, acrescentou, considerando que se vive o acontecimento eclesial “mais importante” desde o Concílio Vaticano II. A teóloga espanhola referiu que é preciso “diagnosticar” os problemas, numa fase “má” da vida da Igreja Católica, aludindo às consequências dos “abusos” de poder, nas suas várias dimensões, e ao “secularismo atroz” que existe na sociedade e se sente nas comunidades cristãs.

A conferencista apontou a uma “reforma” em que, cada um, tem de “aprender a ser Igreja de outra forma”. Cristina Inogés Sanz sublinhou também que o Papa Francisco “criou todos os caminhos” e as “garantias” para a participação, a partir das comunidades locais. “É uma questão que diz respeito a todos”, insistiu, referindo a importância de ir ao encontro de pessoas “profundamente feridas” na Igreja.

A oradora destacou ainda a importância de levar este processo até aos seminários, para trabalhar o documento sinodal e participar na fase diocesana, desejando que “a sinodalidade seja algo transversal na formação dos futuros sacerdotes”.

texto e fotos por Filipe Teixeira
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