Doutrina social |
Natal
Luz a iluminar as trevas
<<
1/
>>
Imagem

É fácil deixa-se cativar pela imagem do Menino no presépio. A candura da criança deixa-nos desarmados. Na sua imagem temos a perceção do Deus que vem para o meio de nós em completa gratuidade. Por isso o Papa Francisco abençoou no passado III Domingo do Advento as imagens do “Bambinello” trazidas pelas crianças.

 

O Menino já nasceu

Ele veio trazer a alegria da fraternidade. As árvores decoradas e as luzes de todas as cores constituem parte do nosso imaginário natalício. Todos precisamos dos pequenos sinais que nos apontam para realidades maiores, vislumbrando algo do mistério da pessoa humana. Não são os cristãos os únicos a utilizarem as luzes com esse simbolismo de eternidade. Para os judeus a festa do Hanuka , conhecida como a “festa das luzes”, e celebrada em memória da vitória dos judeus sobre o Governador grego Antíoco Epifânio, ilumina o sonho da libertação de todas as cadeias. Também os hindus têm como festa fundamental o Diwali, conhecido como “festival das luzes”, simbolizando a destruição das forças do mal.
No fundo todos caminham, por trilhos e formas diferentes, em busca do Absoluto. Isto faz lembrar a reação do cardeal Parolin à sugestão da Comissão Europeia que propunha a eliminação da expressão “período de Natal” por “período de festividades”, pretendendo uma comunicação mais “inclusiva”; na realidade essa atitude tende para a padronização dos comportamentos sociais, como que se de um programa mecânico se tratasse. A solução não está em ir eliminando as diferenças, mas em ir descobrindo nelas aquilo que constitui a especificidade e riqueza de cada pessoa. Temos casos de comunidades de religiões diferentes que partilham entre si a alegria das suas festividades. Como seria bom se estes exemplos fossem replicados!

 

Não repetição, mas crescimento

Uma coisa é fazer memória de um acontecimento do passado; outra é descobrir nele um dinamismo impulsionador do presente. Contemplar aquele Menino que nasceu, cresceu, anunciou o Reino de Deus e por esse entregou a sua vida, mas que ressuscitou e entregou aos discípulos a continuidade da sua missão, é ver-se envolvido nessa tarefa de ir criando um mundo novo.

Olhar o Menino no presépio não é para ficar a contemplá-lo no conforto de uma sala climatizada, com uma mesa cheia de mimos e assim fazer um parêntese na realidade dura da vida. Aliás o presépio exprime, naquilo que se não vê, a situação de uma mãe que não encontra lugar para dar à luz o seu filho; uma família que se desloca da sua terra para cumprir ordens de um imperador estrangeiro; um tratamento discriminatório em função da condição económica. É nessa dimensão oculta que se descobre o desafio que o Menino nos faz: “Tudo o que fizestes ao mais pequenino dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”

 

Para além do presépio e das luzes

Olhar com profundidade para o presépio acaba por nos projetar no tempo e nos desafios sérios que nos apresenta: o espetro da guerra com a ameaça de uma invasão da Ucrânia pela Rússia e os poderosos tentando alinhamentos e acordos de conveniência; a crueldade para com os refugiados e a sua instrumentalização como arma de arremesso para fins sinistros; o escândalo da fome num mundo de abundância e desperdício, agravado com o desequilíbrio insensato na luta contra a pandemia, nomeadamente na vacinação; o desastre quase imparável da crise climática. E não esquecer o que se refere ao nosso país: muitos dos seus filhos nos quais se investiu tanto na formação, não encontram lugar para trabalhar, nem casa para habitar, desperdiçando-se o potencial de desenvolvimento que poderiam dar de volta; o trabalho continua mal remunerado e pouco estimulador do progresso; a pobreza voltou a entrar no pensamento e na prática de muitas famílias, vítimas da crise e dos Herodes que na retaguarda ameaçam a vida dos outros, nomeadamente através de esquemas de corrução e que permitem que este país continue a ser ultrapassado  por quem há bem pouco estava atrás de nós; os episódios de tratamento violento e desumano de imigrantes, como em Odemira, são uma vergonha para um país de emigrantes. É caso para dizer: Deixemos o Menino tranquilo e avancemos para a realização da sua e nossa missão.

texto pelo P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
A OPINIÃO DE
P. Manuel Barbosa, scj
No momento em que traço estas notas, o mundo anda em rebuliço: vastíssimos incêndios a ceifar vidas...
ver [+]

António Bagão Félix
Escreveu Miguel Torga na sua carta ao romancista e poeta brasileiro Ribeiro Couto (“Traço de...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES