Lisboa |
Jovens de Lisboa rezaram pelo fim da guerra na Ucrânia
“Com Deus, o futuro vencerá”
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Numa Vigília de Oração pela Paz, o Cardeal-Patriarca de Lisboa garantiu que “Deus não desiste de ninguém” e “suscita ações de paz”. Na Igreja de São Domingos, na Baixa, D. Manuel Clemente manifestou “presença, companhia e oração” aos “nossos irmãos ucranianos”.

 

“Temos a certeza de que estamos agora ainda mais profundamente com os nossos irmãos [ucranianos] que são assolados pela guerra e por tudo aquilo que infelizmente está a acontecer no leste da Europa. Estamos com eles porque estamos com Deus e Deus está lá! Está à nossa espera, da nossa oração e da nossa solidariedade. Por isso nos garantimos em Deus e, por isso, haverá futuro para a Ucrânia e para todos os países assolados pela guerra. Com Deus, o futuro vencerá”, manifestou o Cardeal-Patriarca, durante a vigília de oração ‘Jovens pela Paz’, que decorreu na noite de 28 de fevereiro, na Igreja de São Domingos, na Baixa de Lisboa. A celebração foi organizada pelo COD (Comité Organizador Diocesano) de Lisboa da JMJ Lisboa 2023 / Serviço da Juventude e a Pastoral Universitária e reuniu cerca de 800 pessoas. “Estamos numa vigília, estamos numa igreja. Estamos nós, católicos, e outros irmãos, quer ecumenicamente considerados, quer inter-religiosamente, aqui. Bem-vindos todos! Acreditamos que é também, e é sobretudo, neste nível mais profundo que as coisas podem recompor-se, porque tocam num Deus que não desiste de nenhuma das suas criaturas, não desiste da criação inteira”, observou D. Manuel Clemente, sublinhando que “Deus é a raiz da esperança que não morre”. “Estamos com Deus, queremos estar com Deus, que está aqui, está na Ucrânia, está na Rússia, está em toda a parte e em toda a parte suscita sentimentos de reconstrução, porque Deus não desiste de ninguém e, no íntimo de cada um, Ele próprio se encontra, espera e suscita ações de paz. Deus existe, Deus está connosco e Deus é o último alicerce da paz”, garantiu.

Na homilia da Vigília de Oração pela Paz, o Cardeal-Patriarca defendeu ainda que há “duas camadas” neste conflito, uma “mais superficial”, que releva da própria guerra e da dor e sofrimento que provoca, e uma segunda camada, “mais profunda”, ligada à solidariedade da comunidade internacional, “onde a humanidade acaba por mostrar o melhor de si própria”.

 

Resolver “humanamente” o conflito

Antes da Vigília de Oração pela Paz, o Cardeal-Patriarca de Lisboa apelou, em declarações aos jornalistas, a que a guerra na Ucrânia se resolva “humanamente e com respeito mútuo”, e “não desta maneira tão brutal”. D. Manuel Clemente considerou que as manifestações públicas para pressionar uma resolução do conflito são “uma carga anímica forte”, que podem “ajudar” a que “o conflito cesse o mais depressa possível” e que “a paz volte a existir”. Aos ucranianos a viver em Portugal, o Cardeal-Patriarca deixou uma mensagem de “presença, companhia e oração”, mas também “de acolhimento”. “Os campos politicamente estão extremados, mas em termos humanos não estão. Mesmo na Rússia, há muita gente que está contra esta invasão”, lembrou.


Fotos da Vigília de Oração pela Paz em www.flickr.com/patriarcadodelisboa/albums 

 

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Igreja em Portugal mobiliza-se

Como ajudar a Ucrânia?

Durante a Vigília de Oração pela Paz em Lisboa, os jovens foram convidados a levar mantas, cobertores e bens de primeira necessidade para serem enviados para a Ucrânia. O Cardeal-Patriarca destacou o papel da Igreja no apoio aos ucranianos, em especial da Cáritas, e sublinhou também o recurso às igrejas para o acolhimento. A Igreja e a sociedade civil portuguesa mobilizam-se para ajudar o povo ucraniano. Saiba como pode ajudar.

O Cardeal-Patriarca lembrou a necessidade de acolher e participar em “tudo o que for preciso” para a ajuda às vítimas da guerra. “Reforçamos os laços que são de solidariedade humana e de companhia espiritual”, lembrou D. Manuel Clemente, valorizando o trabalho da Cáritas. “Na Igreja, temos as Cáritas, estas grandes organizações sociocaritativas espalhadas pelo mundo, também na Ucrânia e países vizinhos, e em Portugal. Aqui, quer as Cáritas diocesanas, quer a Cáritas Portuguesa no seu conjunto, mobilizam todos os esforços, não só para ajudar lá, mas para receber cá, e ajudar aqueles que cheguem a terem uma vida condigna nestes tempos difíceis, para se poderem reabilitar”, frisou, aos jornalistas.

 

Cáritas de Lisboa e paróquias recolhem bens

A Cáritas Diocesana de Lisboa está a ajudar a comunidade ucraniana a recolher bens para enviar para os deslocados da guerra na Ucrânia. Estão a ser recolhidos alimentos não perecíveis, roupa e medicamentos. Todos estes bens estão a ser guardados num armazém cedido pela Cáritas, na zona de Campolide, na cidade de Lisboa. Quem quiser contribuir para esta causa, deve contactar a paróquia da sua área de residência, que depois enviará os bens para a Cáritas de Lisboa.

Informações: 213573386 ou www.caritaslisboa.pt

 

Cáritas Portuguesa lança campanha de apoio

A Cáritas Portuguesa lançou uma campanha de apoio à população da Ucrânia, para reforçar a capacidade de resposta da Cáritas Ucraniana, ajudar os países fronteiriços e no eventual acolhimento de famílias deslocadas em Portugal. A campanha conta com o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e foi lançada simbolicamente no dia 2 de março, na sede da CEP, durante um momento de oração pela Paz na Ucrânia.

Como apoiar:

Donativos online: www.caritas.pt/donativos-online

IBAN: PT50.0033.0000.01090040150.12

Multibanco: 22222 (entidade) 222 222 222 (referência)

 

Santas Casas mobilizadas

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) apelou às Santas Casas de todo o país para acolherem cidadãos e famílias da Ucrânia. “Este apelo humanitário decorre no âmbito do desafio lançado pelo Governo às Misericórdias, para se mobilizarem para esta operação de emergência, no que respeita ao acolhimento e apoio a cidadãos ucranianos que pretendam refugiar-se em Portugal”, aponta um comunicado, lembrando que “as Misericórdias Portuguesas, que reúnam condições, poderão disponibilizar alojamento temporário e postos de trabalho para cidadãos ucranianos, especialmente para os que têm vindo a abandonar o país, devido à invasão russa”.

 

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“Que pare a guerra!”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa deixou um forte apelo ao fim da guerra na Ucrânia. “Que pare a guerra para que as pessoas se entendam e se salvaguarde a vida de cada um”, apelou D. Manuel Clemente, a 24 de fevereiro, o dia em que teve início o conflito, em declarações à Agência Ecclesia, falando num “primeiríssimo valor que não pode estar em causa” no atual cenário de guerra: “As pessoas têm de ser defendidas, na sua dignidade, na sua vida e convivência, populações civis, também os militares”. O Cardeal-Patriarca manifestou ainda “solidariedade total” ao povo ucraniano, em termos espirituais e de oração, “com atenção a tudo o que puder servir para repor a Paz”. “Desejo que a Paz se reponha o mais rapidamente possível, que a guerra termine, que haja lugar para o que se tiver de conversar, mas com um entendimento onde toda a gente possa viver e sobreviver”, desejou. À comunidade ucraniana em Portugal, D. Manuel Clemente manifestou proximidade. “Queremos estar com eles”, garantiu.

 

Súplicas pela Paz

A Vigararia Geral do Patriarcado de Lisboa pediu aos párocos da diocese a promoção da “oração pela paz”. “Peço-lhe que, do modo que achar conveniente, promova junto dos fiéis a oração pela paz e concórdia entre os povos. Nas celebrações comunitárias é muito recomendado que, na Oração dos Fiéis, se façam súplicas pela paz e, quando for possível, utilizando os formulários próprios das Missas para Diversas Circunstâncias, se celebre a Missa pela Paz e pela Justiça”, convida uma nota assinada pelo vigário geral, cónego Francisco Tito, enviada ao clero. O texto lembra ainda a importância da oração do terço: “A recitação do terço tão recomendado, em Fátima, por Nossa Senhora em 1917 para o mundo alcançar a paz, não nos deixará cruzar os braços do desânimo ou da indiferença”.

 

Pela Paz na Ucrânia

A Conferência Episcopal Portuguesa condenou “veementemente” a guerra na Ucrânia e pediu orações pela Paz. “Infelizmente, a guerra teve início esta madrugada, com a invasão da Ucrânia pela Rússia. A Conferência Episcopal Portuguesa, em sintonia com o Santo Padre e com o apelo pela Paz das Conferências Episcopais da Europa, condena veementemente a guerra na Ucrânia e propõe que todas as pessoas, comunidades e instituições da Igreja rezem pela paz na região”, salienta um comunicado, de 24 de fevereiro. O texto manifesta a “solidariedade para com a população da Ucrânia e, em particular, para com a numerosa Comunidade Ucraniana em Portugal”, desejando que “este tempo de angústia, sofrimento e guerra seja rapidamente ultrapassado e se restabeleça a paz e a prática do bem para todos”. A Igreja portuguesa apela ainda à “partilha efetiva para com a Igreja na Ucrânia, através das Cáritas e de outras instituições”.

 

Solução pacífica do conflito

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) manifestou a sua “solidariedade para com o povo ucraniano (a começar pelos imigrantes que muito têm contribuído para o progresso do nosso país)” e apelou “aos governos e sociedades que se empenhem na ajuda humanitária às vítimas do conflito, nela incluindo o acolhimento de refugiados”. Na nota ‘Nada se perde com a paz, tudo pode ser perdido com a guerra’, o organismo laical da Conferência Episcopal lembra que “esta guerra vitima em especial o povo ucraniano”, mas “com ela todos perderão”. “Apelamos a que todos os atores políticos não deixem de tentar vias diplomáticas que permitam uma solução pacífica do conflito no respeito do direito internacional”, deseja a CNJP.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Arlindo Homem
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