Por uma Igreja sinodal |
Época moderna, séculos XV a XVIII
Sinodalidade na Diocese de Lisboa (parte 1)
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A palavra “sinodalidade” é hoje muito atual, como que retomando o “caminho em conjunto” daquela caravana (sunodía) em que todos seguiam para o Templo de Deus com Jesus, Maria e José (cf. Lc 2, 41 ss).

É uma imagem de grande dinamismo e persuasão, que facilmente nos mobiliza como Igreja de Cristo no mundo. O Papa Francisco propôs que a retomássemos com redobrado empenho, para nos entendermos a nós mesmos, como realidade divinamente impelida, rumo à Casa do Pai.

Inclui-nos a todos nós, batizados no Espírito de Cristo e obreiros do seu Reino. Aliás, a criação inteira espera a nossa revelação como filhos de Deus (cf. Rm 8, 19). Somos nós todos, caminhando juntos e oferendo Cristo aos que encontrarmos. Cristo, que continua a estar no meio de nós (cf. Mt 18, 20).

Se assim é essencialmente, assim devemos ser na prática. Tudo na Igreja é “pessoal” e não meramente individual. Pessoal significa relacional, quando somos com os outros e para os outros.

Nas primeiras comunidades cristãs assim era, como contam os Atos dos Apóstolos: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações […] Todos os crentes vivam unidos e possuíam tudo em comum […] Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo» (At 2, 42 ss): um quadro ideal que não desistiremos de cumprir.

A consciência de que só assim, caminhando em conjunto, seremos Igreja em missão, foi ciclicamente retomada para nos relançar em diferentes épocas e ambientes socioculturais. Assim também na época “moderna”, palavra que se aplica à Europa e onde os europeus chegaram, a partir do século XV e até às revoluções liberais que abriram a época “contemporânea”.

No seculo XV terminou a chamada Idade Média e começou um novo período que muito desafiou a Cristandade de então. “Cristandade” que se entende como aquele tempo em que a Igreja teve de reconstruir a sociedade em geral depois da queda do Império Romano do Ocidente (476), sob as invasões bárbaras. Ao contrário do que sucedera nos primeiros séculos cristãos, a sociedade ruralizou-se e às cidades seguiram-se os pequenos núcleos populacionais, agrícolas por subsistência e necessitados de autodefesa. Na vida eclesial, à Igreja urbana com a sua liturgia episcopal substituiu-se, pouco a pouco, uma larga teia de pequenos centros paroquiais, assistidos por presbíteros também dispersos.

Com o tempo, os bispos foram reunindo sínodos nas sés, chamando os clérigos mais relevantes e dando-lhes indicações canónicas e pastorais. Com estes momentos, somados à vida normal dos núcleos populacionais onde a coesão era espontânea, a “sinodalidade” do comum dos fiéis pouco descolava da sobrevivência comunitária pura e simples. Entretanto, nalguns capítulos catedrais ou nas colegiadas, mosteiros e conventos foi-se um pouco além, num sentido mais consciente e participativo. E assim continuou a ser, mais aqui do que ali.

O acontecimento mais marcante da modernidade, no que à vida pastoral diz respeito, foi sem dúvida o Concílio de Trento (1545-1563). Não só apurou a doutrina católica face ao repto protestante, como reforçou a sinodalidade básica da vida eclesial, insistindo nalguns pontos essenciais, como o dever de residência dos bispos e párocos nas respetivas dioceses e paróquias, ou a criação de seminários e a melhor formação do clero para edificação do povo em geral. Criaram-se de facto comunidades mais coesas de clérigos presentes e leigos praticantes. Juntavam-se as ordens terceiras, anexas a várias congregações religiosas, que assim difundiam o seu espírito entre os respetivos aderentes leigos.

Na diocese de Lisboa, os arcebispos Cardeal D. Henrique (1564-1569) e D. Jorge de Almeida (1569-1585) foram convictos tridentinos, não tardando em divulgar as determinações do Concílio. Para tal reuniram concílios provinciais, que incluíam os bispos das dioceses sufragâneas de Lisboa, respetivamente em 1566 e 1574.

Podemos dizer que a sinodalidade da altura se dirigia especialmente ao clero, esperando que deste passasse ao povo cristão, mais convocado e melhor assistido. Contava-se também e muito com a colaboração dos institutos religiosos, quer os mais antigos quer os então criados ou reformados, mais exigentes e apostólicos. No mesmo sentido foi D. Rodrigo da Cunha, arcebispo de Lisboa de 1635 a 1643, com o sínodo diocesano de 1640, cujas constituições depois publicadas vigoraram durante toda a época moderna. Aliás foi o nosso último sínodo diocesano até ao que, em moldes bem diferentes, realizámos recentemente.

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