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Quaresma
Silêncio! Preciso de ouvir a Deus…
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Estamos no tempo da Quaresma, 40 preciosos dias de especial graça de Deus. Tempo de silêncio para ouvir, em atitude de escuta interior, o que Deus tem para dizer a cada um de nós.

Como referiu o Papa Francisco na Quarta-feira de Cinzas de 2020, este silêncio “é ausência de palavras para dar lugar a outra Palavra, a Palavra de Deus que, como uma brisa suave, acaricia o nosso coração. (…) Jesus gostava de se retirar todos os dias para lugares desertos e entregava-se à oração. Ele ensinou-nos como procurar o Pai, que nos fala no silêncio.” E, acrescenta o Papa, “a Quaresma é o momento propício para dar espaço à Palavra de Deus. É o tempo para desligar a televisão e abrir a Bíblia.”

Por outro lado, num processo de discernimento vocacional, a escuta de Deus é especialmente relevante, por isso a Quaresma pode ter uma particular importância nesta etapa da vida.

Assim, e para aqueles que se encontram perante um dilema vocacional, o SAV - Sector de Animação Vocacional de Lisboa propõe que um roteiro de silêncio neste período quaresmal, um tempo propício da parte do Senhor.

Antes demais, é preciso perceber que tipo de silêncio é este… E temos em S. José o nosso melhor exemplo pois não conhecemos uma única palavra daquele a quem Deus confiou a protecção de Nossa Senhora e do Seu Filho. Como nos diz Santa Teresa de Jesus, no seu Livro da Vida, capítulo VI, n.º 8: “Quem não encontrar mestre que lhe ensine o caminho da oração, tome este glorioso Santo por mestre e não se enganará no caminho”.

O Papa Francisco, no ano 2021, dedicado a S. José, relembrou as palavras de Santo Agostinho: “Com este silêncio, José confirma o que Santo Agostinho escreveu: «Na medida em que cresce em nós a Palavra, o Verbo que se fez homem, diminuem as palavras», acrescentando que “o silêncio de José não é mutismo; é um silêncio cheio de escuta, um silêncio laborioso, um silêncio que faz emergir a sua grande interioridade, [dando] ao Espírito a oportunidade de nos regenerar, de nos consolar, de nos corrigir”.

É, também, evidente que a contemplação e silêncio vão muito para além do que simplesmente estar num lugar silencioso; esta escuta de Deus necessita de genuína disponibilidade interior, a fim de permitir que Deus se revele nesse espaço, tornando mais claro o discernimento vocacional.

 

Algumas sugestões para a escuta activa de Deus durante a Quaresma:

1. Ter consciência que Deus fala ao nosso coração

Temos inúmeros exemplos de como Deus nos fala no silêncio da nossa intimidade, sendo de salientar: a Elias, no monte Horeb através do “murmúrio de uma leve brisa” (1Reis 19, 11-13); a Nossa Senhora, que “guardava todas estas coisas no seu coração e meditava nelas” (cf. Lucas 2,19); ou através das palavras de S. Paulo “Pois Deus não é um Deus de desordem, mas sim de paz.” (1Cor 14,33).

2. Ter tempo para ouvir e contemplar

Santa Teresa de Ávila diz-nos que a oração é “uma relação de amizade, estando muitas vezes a sós, com Quem sabemos que nos ama” (Livro da Vida, cap. VIII, n.º 5). Nesta Quaresma, coloquemos na agenda tempos de oração destinados a ouvir a Deus e a contemplar as Suas maravilhas, tanto na natureza como na nossa vida.

3. Leitura silenciosa e meditada da Bíblia

A Sagrada Escritura está viva! Deixemos que Deus nos fale através dos seus textos sagrados. Dediquemos tempo para saborear a Palavra de Deus: ler e ouvir não é suficiente; é necessário o silêncio para escutar com os ouvidos do coração.

4. Santuários e Peregrinações

A Quaresma é igualmente, o tempo oportuno para visitar um local santo, onde Deus se manifestou, nas palavras de Eloy Buen de la Fuente, de um “modo mais extenso, mais visível, mais duradouro. O Santuário [é um] espaço que rasga a profanidade do quotidiano, [ou seja], uma fissura nas paredes do mundo”. O percurso de uma peregrinação para um desses Santuários pode ser o caminho onde encontramos Deus, à semelhança dos discípulos de Emaús.

5. Adoração do Santíssimo

Tal como referia o Beato Carlo Acutis “Estando diante do sacrário em adoração silenciosa do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente realmente como o era nos tempos em que Jesus vivia na Palestina, torna-se santo”. Ser santo, como o Papa Francisco refere na Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate”, é responder a um chamamento de Deus, ou seja, à vocação que Deus tem para cada um de nós.

6. Visita ao Sacrário

Finalmente, visitar “Jesus Escondido” no Sacrário, na maravilhosa expressão de São Francisco Marto, procurando momentos de silêncio em horários menos procurados nas Igrejas, pois é na intimidade do silêncio que conseguimos ouvir a voz de Deus.

 

Segundo o Papa, o silêncio tem, não só, “o benefício para os nossos corações [mas] curará também a nossa língua, as nossas palavras e, sobretudo, as nossas escolhas. Com efeito, José uniu ao silêncio à ação. Ele não falou, mas fez, e assim nos mostrou o que Jesus disse uma vez aos seus discípulos: «Nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos Céus»”.

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