Família |
Exortação Apostólica ‘Amoris Laetitia’ - Capítulo VI
Chamados a uma missão eclesial
<<
1/
>>
Imagem

“…é preciso ajudar os jovens a descobrir o valor e a riqueza do matrimónio. Devem poder captar o fascínio de uma união plena que eleva e aperfeiçoa a dimensão social da vida, confere à sexualidade o seu sentido maior, promove o bem dos filhos e lhes proporciona o melhor contexto para o seu amadurecimento e educação.” (Amoris Laetitia, Cap. VI, 205)

O projeto de Deus para cada homem e mulher passa, na maior parte das vezes, pela descoberta e vivência do amor numa relação conjugal que se expande e amplia na relação com os filhos e com toda a família. “Vede como se amam” (Apolog.39). Um amor assim constitui a resposta às aspirações mais profundas do ser humano, em todas as suas dimensões.

Desta forma, percebemos que o sacramento do matrimonio é não só um bem para o casal, mas para a família alargada, para a comunidade e para toda a sociedade.

Enquanto jovens, fizemos parte de um grupo de namorados da Pastoral das Vocações do Patriarcado de Lisboa, orientado por três padres e dois casais, onde tivemos a oportunidade de refletir, amadurecer e confrontar em conjunto diferentes aspetos das relações, tais como as nossas diferenças e pontos em comum, as nossas formas de comunicar e de expressar emoções, as expectativas pessoais e os projetos futuros. Sentimos que foi um espaço onde fizemos perguntas que provavelmente não faríamos um ao outro noutros contextos.

Foi um verdadeiro “laboratório da vida em casal” onde ensaiámos várias dinâmicas, imaginámos cenários, levantámos problemas e encontrámos possíveis soluções, aprofundámos o conhecimento um do outro, o treino do nosso olhar sobre nós mesmos e sobre o outro, sobretudo na atenção e cuidado com as fragilidades de cada um. Em conjunto com outros casais de namorados, com o testemunho dos casais que partilhavam estratégias para os desafios que atravessavam, e complementada pela catequese dos padres que demonstravam grande experiência no acompanhamento de casais, fomos sentindo e saboreando interiormente estas vivências que, mais tarde, na nossa vida conjugal se revestiram de grande importância e suporte.

Estamos casados há 10 anos e temos 3 filhos. Aceitámos o desafio de, em casal, fazer parte da equipa formadora deste grupo de namorados e de dar testemunho, procurando ajudar e acompanhar os jovens nesta descoberta que é a beleza do matrimónio e do espanto que é ser livre a escolher todos os dias amar esta pessoa concreta com quem partilhamos a vida.

Escolher implica deixar coisas para trás, abdicar e renunciar, sabendo de antemão que a recompensa é o amor recíproco. Por isso, vivemos conscientes de que o amor precisa de tempo disponível e gratuito e que há coisas que terão de ficar em segundo lugar. Encontramos pretextos para quebrar a rotina com momentos de celebração, não só da vida, como das conquistas que vamos fazendo. Promovemos ativamente tempos de oração com regularidade e tempos de recolhimento e de paragem porque já experimentámos que “a família que reza unida, permanece unida.” (Amoris Laetitia, Cap. VI, 227)

Coisas que vamos aprendendo na nossa equipa de casais de Nossa Senhora, da qual fazemos parte há 7 anos e que muito tem contribuído para fortalecer a nossa relação. O movimento das Equipas de Nossa Senhora propõe um método de aprofundamento da espiritualidade conjugal baseado nos Pontos Concretos de Esforço: Oração Pessoal, Leitura da Palavra de Deus, Oração Conjugal, Regra de Vida, Dever de Sentar e Retiro. São ferramentas poderosas que nos ajudam a crescer na intimidade em casal, bem como os sacramentos que a Igreja coloca ao nosso dispor.

No nosso casamento, estamos vigilantes e empenhados no nosso desenvolvimento pessoal e espiritual, e simultaneamente procuramos alimentar a intimidade de casal e o bem dos nossos filhos: rezamos juntos, falamos regularmente um com o outro sobre as decisões que precisamos tomar, pedimos autorização um ao outro, aprendemos a pedir perdão…

“Cada matrimónio é uma «história de salvação», o que supõe partir de uma fragilidade que, graças ao dom de Deus e a uma resposta criativa e generosa, gradualmente vai dando lugar a uma realidade cada vez mais sólida e preciosa. Talvez a maior missão de um homem e de uma mulher no amor seja esta:  a de se tornarem, um ao outro, mais homem e mais mulher. Fazer crescer é ajudar o outro a moldar-se na sua própria identidade. Por isso o amor é artesanal.” (Amoris Laetitia, Cap. VI, 221)

No nosso percurso de casal, para além do acompanhamento dos jovens na fase do namoro e da partilha da fé nas equipas de casais, sentimos interiormente o apelo do Papa Francisco em responder às situações de fragilidade que muitas famílias atravessam. Nesse sentido, aderimos ao projeto “Famílias com Vida” que, em colaboração com as paróquias, promove o acolhimento, ajuda e acompanhamento às famílias do Patriarcado de Lisboa e o acesso a uma rede de profissionais e serviços que, em coerência com os valores cristãos, atendem as famílias em diferentes etapas da vida.   

Contamos com a graça de Deus que é uma garantia, está presente em permanência e não nos esquecemos de a pedir com insistência para crescer na comunhão, unidade e fecundidade.

texto por Claudia e Patchim Costa Duarte
A OPINIÃO DE
P. Manuel Barbosa, scj
No momento em que traço estas notas, o mundo anda em rebuliço: vastíssimos incêndios a ceifar vidas...
ver [+]

António Bagão Félix
Escreveu Miguel Torga na sua carta ao romancista e poeta brasileiro Ribeiro Couto (“Traço de...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES