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História de gratidão no meio da tragédia em que se transformou a Ucrânia
Um lugar sem guerra
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Uma mulher e quatro crianças arriscaram uma viagem difícil de mais de 500 km no meio da guerra, em busca de um lugar onde não escutassem os sons aterradores dos rebentamentos das bombas. Esta história, com final feliz, é a prova de que o abraço solidário da Igreja e dos benfeitores da Fundação AIS não tem fim e que há sempre alguém pronto a acolher os que mais precisam de ajuda.

 


Quando se fez à estrada, Yulga não pensou nos riscos, não pensou nas bombas que poderiam cair sem aviso, não pensou em mais nada. A sua única preocupação era sair dali o mais depressa possível. Dali, de Brovary. A pequena cidade, a pouco menos de 10 km de Kiev, foi sacudida, logo nos primeiros dias de guerra, pelas explosões de mísseis. Ainda hoje, e já passaram várias semanas, Yulga fica aterrada quando pensa nessas primeiras vítimas, nessas primeiras sete pessoas que morreram, nessas primeiras 17 pessoas que ficaram feridas. Viviam todos na mesma terra, eram todos vizinhos. Yulga assustou-se com as explosões e percebeu, logo nas primeiras horas do início da guerra, que ninguém estaria em segurança em lugar algum. Yulga assustou-se, mas acima de tudo ficou com receio por causa das crianças, das duas filhas e dos dois sobrinhos que estavam à sua guarda. Tanto o seu irmão como a cunhada estão alistados nas Forças Armadas. Ambos defendem “a integridade territorial da Ucrânia”, como diz, num vídeo que gravou para a Fundação AIS. Logo nesse primeiro dia de guerra, decidiram todos que o melhor era tirar as crianças dali. Yulga falou com o irmão e foi para a aldeia da família, a terra dos pais, localizada a cerca de 20 km de Brovary. Mas a aldeia, apesar da sua pacatez, começou a ficar também ao alcance dos canhões dos blindados. E só tinham passado ainda dez dias desde o início da guerra.

 

Fazer-se à estrada

“No dia 6 de Março, na aldeia, ficou claro que a linha da frente estava a aproximar-se cada vez mais, ouviam-se as explosões cada vez mais fortes e os intervalos entre elas estavam a ficar cada vez mais curtos.” Yulga está sentada juntamente com as filhas, Sofiya e Anastasiia, e os sobrinhos, Iva e Demian. Eles são ainda crianças. A mais nova tem apenas 6 anos e a mais velha 13. Yulga está a gravar uma mensagem através do telemóvel. É um pequeno filme a agradecer toda a ajuda que recebeu. É uma forma de retribuir o apoio que teve nos dias mais assustadores da sua vida. Yulga está no mosteiro paulino em Kamyanets-Polilskiy. Agora está mais tranquila, apesar de não conseguir esconder no olhar cansado o medo que sentiu até chegar ali, àquele pequeno lugar de paz. Yulga está a contar a sua história. Quando a própria aldeia parecia que ia ser engolida a qualquer instante pelas bombas, pela artilharia dos russos, ela decidiu, sempre com o acordo do irmão e da cunhada, em fazer-se de novo à estrada. “Tomei a decisão de ir para mais longe, mas como não podia ir com as crianças para um lugar desconhecido, pedi conselho ao sacerdote da minha paróquia, o Padre Roman Laba, que me recomendou o cuidado do Padre Yustyn, que estava naquela altura em Kamianets-Podilskyi.”

 

Uma cama e um quarto

Não era fácil fazer aquela viagem para perto das fronteiras com a Moldávia e a Roménia. Não só pelos cerca de 500 km de distância, mas porque havia sempre o receio de algum ataque, de algum míssil que pudesse cair, de algum incidente no percurso. Viajar com quatro crianças num país em guerra não é seguramente um passeio. Mas não havia alternativa. “Decidi ir ter com o Padre Yustyn e fomos muito bem acolhidos. Quando chegámos a Kamianets-Podilskyi, havia camas e um tecto para as crianças.” É impressionante este simples relato. Depois de uma viagem difícil, com as crianças cansadas e assustadas, Yulga destaca o conforto de uma simples cama num qualquer quarto ali no mosteiro. Era mais do que o repouso. Era a certeza de que o pior já tinha passado. “Aqui não ouvíamos tiros nem explosões”, diz. “O Padre Yustyn deu-nos tudo: comida quente, tecto, camas, e até canetas e cadernos para que os meus filhos pudessem continuar a estudar. Estamos muito agradecidos ao Padre Yustyn e a todos os benfeitores que nos proporcionam uma vida digna, a mim e aos meus filhos…” Yulga ainda tem o olhar cansado, ainda está sobressaltada com aquilo que viu durante a viagem, com o horror de um país que tem estado a ser aniquilado desde que a invasão dos russos começou, a 24 de Fevereiro. Yulga ainda mal acredita que conseguiu um refúgio para as suas quatro crianças. Mas conseguiu. Esta é uma história com final feliz e é a prova também de que o abraço solidário dos benfeitores da Fundação AIS não tem fim e há sempre alguém pronto a acolher os que mais precisam de ajuda. Até ali, num simples mosteiro quase na fronteira da Ucrânia com a Moldávia e a Roménia.


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A Igreja na linha da frente no apoio às vítimas da guerra

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