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À procura da Palavra
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DOMINGO VI DA PÁSCOA Ano C

“[O Espírito Santo] vos ensinará todas as coisas

e vos recordará tudo o que Eu vos disse.”

Jo 14, 26

 

Olho para os primeiros passos da Igreja e sinto-me, por vezes, a trilhá-los com os primeiros apóstolos. Aquele desejo de levar a todos a boa nova de Jesus como se leva um presente aos amigos que nos enchem o coração está na raiz da evangelização (às vezes demasiado fundo para poder aflorar às palavras e aos gestos). Com a dificuldade de o “cristianismo” ser hoje “religião conhecida” e ter-se, tantas vezes, desviado do essencial, aliando-se ao provisório e criando formalismos que lhe obscurecem a beleza, o desafio é sempre actual: oferecer a frescura e a novidade do encontro com Deus em seu Filho Jesus Cristo.


Foram e são grandes as tentações de programar a acção do Espírito Santo. E quanto mais regras, maior é a tentação de julgar os outros, os “não-cumpridores”, os que não cabem dentro dos esquemas. A proposta cristã é um caminho e a sua grande originalidade é a construção de comunidades. É a pedagogia de Jesus: fazer amigos, construir uma vida com outros. Aprender a partilhar não é facultativo, e uma fé que não se vive com outros não é cristã. Pode saber-se imenso de teologia, ter-se lido os melhores autores espirituais, saber de cor citações da Bíblia, mas se não se integra todo esse saber num viver partilhado ele pode “inchar” mas não faz crescer.


Lembro-me de Chesterton, que costumava comentar que só quando se partilha a pessoa se sente realizada. Com graça, dizia: Se dois vão juntos e só um leva guarda-chuva, tem de partilhar o guarda-chuva. Se nenhum dos dois leva guarda-chuva, tem de se partilhar a alegria e o bom humor de se molharem”. Não há tanta infelicidade por aí que tem a sua origem em vidas que não se aprenderam a partilhar?


Paulo e Barnabé sentiram o perigo da Lei sobrepor-se ao Espírito. E não estiveram com meias medidas: foram ter com os Apóstolos e confrontaram-nos. Foi o primeiro Concílio. E a beleza da fórmula encontrada, O Espírito Santo e nós...” deveria ecoar em todos os nossos discernimentos! Como aconteceu no Concílio Vaticano II. E como o Papa Francisco nos convoca a fazer acontecer com a sinodalidade, este “caminhar juntos”, “na escuta e na abertura a todos”, não apenas para preparar o Sínodo dos Bispos do próximo ano, mas para corresponder ao essencial de “sermos Igreja”. Será que não podemos já pôr em prática muito do que foi reflectido e partilhado em grupos, comunidades, paróquias e dioceses? Como se caminha juntos?


Pois é, o Espírito não impõe; abre caminhos, alarga horizontes, descobre possibilidades, abate muros, faz pontes, abraça e acolhe. Interpela constantemente a rigidez e o atrofiamento das almas. Gera sorrisos no coração que, às vezes, chegam aos olhos e aos lábios. Ensina a partilhar o melhor de cada um. É o milagre constante da Igreja a acontecer, quando acolhemos o Espírito Santo que nos ensina todas as coisas e recorda tudo o que Jesus nos disse.

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