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“Charles de Foucauld: um irmão universal”
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O missionário eremita francês, canonizado recentemente, é uma referência para Francisco. Na semana em que prosseguiu as catequeses sobre a velhice, o Papa enviou um arcebispo à Ucrânia, falou de política, sublinhou que “não há santidade de fotocópia” e convidou a construir o futuro com “migrantes e refugiados”.

 

1. “Quero agradecer a São Carlos de Foucauld porque a sua espiritualidade me fez muito bem quando estudava teologia”. A revelação foi feita pelo Papa, numa audiência à Associação Família espiritual Charles de Foucauld, na manhã da passada quarta-feira, 18 de maio. O missionário eremita francês, canonizado no Domingo anterior, é uma referência para Francisco porque o “ajudou muito a superar as crises e a encontrar um caminho de vida cristã mais simples e próxima do Senhor”, afirmou. “O novo Santo trouxe à luz a essencialidade e a universalidade da fé, vivendo como um irmão para todos, a começar pelos pequenos. O seu objetivo não era converter outros, mas viver o amor gratuito de Deus, vivendo o apostolado da bondade”, lembrou.

Para reforçar a atualidade do novo santo, que viveu e morreu no deserto da Argélia, Francisco citou uma passagem de uma carta do próprio Charles de Foucauld. “‘Quero habituar todos os habitantes cristãos, muçulmanos, judeus e idolatras a considerarem-me como seu irmão, um irmão universal’ (Carta a Maria de Bondy, 7 de janeiro de 1902). E, para o fazer, abriu as portas da sua casa, para que fosse um porto para todos”, referiu.

Foucauld foi declarado venerável em 2001, pelo então Papa João Paulo II, e proclamado beato em 2005, pelo Papa Bento XVI. O milagre que teve a sua intercessão aconteceu em 30 de novembro de 2016, precisamente na véspera do centenário da sua morte.

 

2. O Papa Francisco destacou as pessoas que não perdem “a fé” e “o amor” perante “os sofrimentos” da vida. “Algumas pessoas são golpeadas por uma série de males que, muitas vezes, parece excessiva e injusta. Todos conhecemos pessoas assim e ficamos impressionados com o seu grito diante do sofrimento, mas ficamos também admirados diante da firmeza da sua fé e do seu amor. Os idosos que, tendo visto tantas experiências semelhantes nas suas vidas, encontram o caminho do testemunho que converte o ressentimento pelas perdas em tenaz esperança nas promessas de Deus, tornam-se insubstituíveis para que a comunidade possa superar o excesso do mal”, lembrou Francisco, na catequese sobre a velhice, durante a audiência-geral de quarta-feira, 18 de maio.

Na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante a saudação aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa convidou ao abandono a Deus. “Quando nos encontramos a enfrentar o mal, devemos aprender – com o exemplo de tantos idosos – a unir a nossa oração àquela de Jesus, que sobre a cruz se abandona ao Pai”, aconselhou.

 

3. O arcebispo Paul Gallagher, responsável do Vaticano para as Relações com os Estados, chegou à Ucrânia na quarta-feira, 18 de maio, para se reunir com o seu homólogo, o ministro das relações exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba. A visita do chefe da diplomacia da Santa Sé insere-se na busca de um equilíbrio em que, por um lado, o Papa critica a “guerra bárbara”, a indústria de armas e o “recurso louco” em rearmar a Ucrânia, mas também reconhece que os Estados têm o direito e o dever de repelir um “agressor injusto”. Numa recente entrevista à RAI, televisão estatal italiana, o arcebispo Gallagher comenta que a atitude da Santa Sé “tem que ser proporcional”, ou seja, “a Ucrânia tem o direito de se defender e precisa de armas para se defender, mas tem que ser prudente na forma como é feito”.

 

4. O Papa encontrou-se com membros da fraternidade ‘Chemin Neuf’, empenhada na construção do bem comum e presente em bairros pobres, sobretudo na zona periférica de Paris, França. “Somos chamados a viver o encontro político como um encontro fraterno, especialmente com aqueles que estão menos de acordo connosco”, referiu Francisco, no dia 16 de maio, convidando ao diálogo com cada um, encarando-o “como um verdadeiro irmão, um filho amado de Deus”, o que, por vezes, implica “uma mudança de olhar sobre o outro” e “um acolhimento incondicional e respeito à sua pessoa, sobretudo, para com os que não concordam connosco”.

 

5. O Papa Francisco canonizou, no passado Domingo, 15 de maio, vários sacerdotes, religiosas e um leigo de várias nacionalidades, entre os quais o missionário francês Charles de Foucauld, morto na Argélia por tuaregues, e o carmelita e jornalista holandês Titus Bandsma, morto pelos nazis. “Os nossos companheiros de viagem, hoje canonizados, viveram a santidade abraçando com entusiasmo a sua vocação, gastaram-se pelo Evangelho, descobriram uma alegria sem par e tornaram-se reflexos luminosos do Senhor na história”, disse o Papa, na homilia da celebração, na Praça de São Pedro. “Não há santidade de fotocópia. O ideal de santidade não está fundado em nós mesmos, no heroísmo pessoal, na capacidade de renúncia, nos sacrifícios feitos para se conquistar um prémio. Deste modo fizemos da santidade uma meta inacessível, separamo-la da vida de todos os dias, em vez de a procurar e abraçar na existência quotidiana, no pó da estrada, nas aflições da vida concreta”, apontou.

Posteriormente, durante o Regina Coeli, Francisco disse ser “belo constatar que estes santos, com o seu testemunho evangélico, ajudaram ao crescimento espiritual e social das respetivas nações e de toda a família humana”.

 

6. Na mensagem para o 108.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que vai ser celebrado a 25 de setembro, Francisco convida a construir o futuro com os migrantes e os refugiados. “À luz do que aprendemos nas tribulações dos últimos tempos, somos chamados a renovar o nosso compromisso a favor da construção dum futuro mais ajustado ao desígnio de Deus, a construção dum mundo onde todos possam viver em paz e com dignidade”, deseja o Papa, sublinhando ser “necessário acolher a salvação de Cristo, o seu Evangelho de amor”. “Ninguém deve ser excluído. O plano divino é essencialmente inclusivo e coloca, no centro, os habitantes das periferias existenciais. Entre estes, há muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano. A construção do Reino de Deus é feita com eles, porque, sem eles, não seria o Reino que Deus quer. A inclusão das pessoas mais vulneráveis é condição necessária para se obter nele plena cidadania”, defendeu.

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