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Alameda da Universidade, em Lisboa, voltou a receber a Bênção de Finalistas Universitários
Bênção vivida como ‘entrega’ para o mundo real
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André Nunes e Helena Pinheiro são dois dos 3753 alunos inscritos na Bênção de Finalistas Universitários, presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, e testemunham ao Jornal VOZ DA VERDADE como viveram este momento que consideram “de graça”. Na manhã do passado dia 21 de maio, a Alameda da Universidade, em Lisboa, voltou a encher-se com a cor das fitas dos jovens universitários, que se fizeram acompanhar das famílias e amigos.

 

Para André Nunes, finalista do curso de Meteorologia, Oceanografia e Geofísica, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), a Bênção de Finalistas Universitários foi “o ponto alto do culminar deste ciclo”. “Entrei para a faculdade em 2016, claro que já tinha ouvido falar da bênção, na Alameda da Cidade Universitária, com o passar do tempo também sabia que o meu dia iria chegar, e foi muito especial. As nossas famílias estiveram presentes e acompanharam-nos e, para nós, que temos uma vivência de fé, acaba por ser um dia muito feliz. Enquanto cristãos, culminamos este tempo de uma maneira muito especial”, salienta, ao Jornal VOZ DA VERDADE, este jovem de 23 anos, que terminou este ano o mestrado em Ciências Geofísicas. “Era para ter feito a bênção há dois anos, quando acabei a licenciatura, mas, por causa do covid, a bênção de 2020 foi cancelada, portanto, fiz agora, no fim do mestrado”, explica, de sorriso no rosto.

Como a pandemia “ainda anda aí”, André e a família organizaram tudo procurando “a normalidade possível”. “Chegámos relativamente cedo para evitar as grandes confusões, estivemos presentes e foi muito bom. Lembro-me de estar, e de chegar, e de saber que os meus pais estavam e que acompanhámos toda a celebração da mesma maneira – eles na parte das famílias, eu na parte dos finalistas. Foi muito bom”, relata.

Na homilia da celebração, o Cardeal-Patriarca pediu aos finalistas universitários para que “cada um seja dom para os outros” e “se coloque ao serviço”. Para este jovem finalista, o desafio é “juntar as duas”. “Neste tempo de faculdade e de formação académica, adquirimos uma série de competências técnicas profissionais e, de acordo com aquilo que é a nossa vivência de fé, agora podemos pôr isso em prática de acordo com as nossas vivências e com as nossas valências humanas, digamos assim. No serviço, na sociedade, é uma questão de juntar as duas”, considera André Nunes, partilhando ainda outro momento que o marcou particularmente, durante a bênção: “Gostei muito do ‘aviso’ que o senhor D. Manuel Clemente deixou no fim da celebração, em que disse: ‘Ouvimos aqui a litania dos santos, nas orações, e era bom que daqui a uns anos também os nomes de alguns de vocês pudessem aqui ser acrescentados’. Lembro-me de ter chegado a casa e ter dito logo ao meu irmão. Foi de facto uma coisa que nos marcou muito, mesmo”.

André é da paróquia da Brandoa, onde é escuteiro “há muitos anos”, dá catequese e participa “em todas as atividades de jovens da paróquia, que são muitas, felizmente”. Ao longo destes seis anos de percurso universitário, procurou também fazer uma caminhada de fé com o CeUC - Pastoral Universitária de Lisboa. “Lembro-me de ter ido à Missa das Universidades, logo no primeiro ano do curso, em 2016; depois, nos dois, três anos seguintes, acabei por nunca conseguir ir, porque tive aulas a essa hora, mas depois passei a ir sempre novamente todos os anos”, conta.

André Nunes esteve na equipa da FCUL que ia preparar a bênção de 2020 – e que foi cancelada – e este ano assumiu, de novo, esta missão, como responsável. “Correu tudo bem! Tivemos cerca de 220 inscritos, foi mesmo muita gente em relação àquilo que tinha sido nos outros anos. Estivemos sempre em contacto com a Pastoral Universitária, no fundo, para fazer a ‘ponte’ no meio disto tudo”, explica este finalista.

 

Alegria partilhada

Helena Pinheiro, de 22 anos, está a terminar o curso de Ciências Farmacêuticas, com mestrado integrado, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL), e viveu a bênção de finalistas como um momento de “graça”. “A bênção foi uma grande alegria! Não é o fim, estamos apenas no início, e é o agradecer a Deus por nos ter permitido chegar até aqui, por nos ter permitido termos aprendido todas as coisas ao longo do curso. A bênção é a ‘entrega’ para irmos para o mundo real e levarmos aos outros o que fomos aprendendo. É uma grande graça termos tido esta oportunidade, que nem todos têm”, considera a finalista, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Esta jovem esteve na organização da bênção por parte da sua faculdade, juntamente com a amiga Mafalda Martinho – a jovem que fez a saudação ao Cardeal-Patriarca [ver caixa] –, e assume que “foi um dia de muitas emoções”. “O início da celebração foi um pouco nervoso, o ‘será que vai correr bem, será que as pessoas vão chegar a horas…’. Foi um misto de algum nervosismo e ansiedade, na certeza de que sabíamos que ia correr bem”, conta.

Helena é natural de Bragança, mas vive há muitos anos em Rio Maior e estuda em Lisboa desde 2017. “Tive a oportunidade que os meus pais e irmãos viessem à bênção e foi muito bom poder viver este momento com eles. Também com os meus amigos da faculdade, com quem vivenciei e experienciei todos estes momentos ao longo destes cinco anos, teve outro significado, foi uma alegria maior e foi muito bom. E, claro, com a Mafalda, que sempre me acompanhou, ao longo destes anos, nestas atividades e iniciativas”, partilha esta jovem, sublinhando que da FFUL estavam inscritos “cerca de 150 alunos finalistas”.

Helena Pinheiro pertence um grupo juvenil, a Pastoral Ignis, das irmãs da Aliança de Santa Maria, em Fátima, e dos anos vividos na universidade guarda também a relação com o CeUc - Pastoral Universitária de Lisboa e com o NEC (Núcleo de Estudantes Católicos) da sua faculdade. “Destes cinco anos, participei sempre na Missa das Universidades, que abre o ano académico, e na Missa de Natal. Fui também membro do NEC da faculdade e mantínhamos sempre uma ligação às atividades do CeUC, como a Via-Sacra, em que íamos participando”, conta esta finalista.

O desejo, para o futuro, passa por ser dom para os outros. “Os nossos dons, como dizia o senhor Patriarca, não são para guardarmos para nós. Muitas vezes, nem sabemos definir bem quais são os nossos dons, mas o que sabemos que podemos partilhar com os outros não devemos guardar só para nós. Muitas vezes, torna-se um desafio, porque não sabemos bem como chegar aos outros, principalmente àquelas pessoas que, se calhar, não acreditam tanto em Deus, mas temos que tentar descobrir em que é que somos úteis, onde podemos fazer a diferença, o que nos distingue dos outros. Não é fácil definirmos os dons que temos, mas o convite é a não desistir, e acreditar, com fé, que vamos conseguir partilhar os nossos talentos com os outros”, ambiciona Helena.

 

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Na homilia durante a bênção, o Cardeal-Patriarca de Lisboa pediu precisamente que “cada um” dos finalistas universitários “seja dom para os outros e se coloque ao serviço”. “Não olharmos para este curso terminado, não olharmos para os finalistas como sois, como algo de individual, mas como algo de profundamente relacional”, explicou D. Manuel Clemente. Neste sentido, acrescentou, “os dons, as qualidades e – utilizando a linguagem do Evangelho – os talentos que Deus distribui em cada um não são coisas que se vivam individualmente, são coisas que nós vivemos na medida em que as convivemos e as compartilhamos com os outros”, assinalou. “Há muita gente, na nossa sociedade e onde a vida vos levar, à vossa espera e à espera daquilo que cada um de vós possa levar, de conhecimento adquirido, de formação feita, para o tal bem comum que é o objetivo de qualquer sociedade”, observou o Cardeal-Patriarca, reforçando que o “serviço ao bem comum” está “na partilha”, porque “ninguém vive sozinho”, nem “só para si”. Aos 3753 alunos finalistas, de 36 escolas, D. Manuel Clemente lembrou ainda que cada um “é enviado”. “Sois enviados, em qualquer atividade profissional que exerçam, para que, onde chegarem, chegue a paz, que é sempre fruto da justiça”, apontou, desejando ainda que os finalistas sejam também “profetas do reino de Deus neste mundo”.

A Bênção de Finalistas Universitários foi organizada pela Pastoral Universitária do Patriarcado de Lisboa e teve como tema ‘Agradecer o passado, construir o presente, acolher o futuro’. “A bênção faz de vós, precisamente, uma bênção. Que cada um de vós, onde chegar, possa ouvir muitas vezes essa palavra: ‘Que bom teres vindo, que bom contar contigo’. Por isso, que cada um seja uma bênção de Deus, para todos”, desejou, a terminar, o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

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“Compromisso” para colocar “ao serviço dos outros”

Na saudação ao Cardeal-Patriarca, Mafalda Martinho, finalista de Ciências Farmacêuticas (2017-2022), começou por lembrar que se passaram “três anos” desde a última Bênção de Finalistas. “Por isso, mais do que nunca, esta celebração tem para todos nós um significado muito especial”, apontou a jovem estudante, lembrando que “a pandemia”, que “nos atormentou nos últimos dois anos”, foram “tempos incertos, carregados de desafios e contratempos”. “Mas conseguimos! Chegámos até aqui! Hoje, preparamo-nos para abraçar uma nova grande etapa da nossa vida e desejamos ‘Agradecer o passado, construir o presente, acolher o futuro’”, salientou, referindo-se ao lema da bênção deste ano.

Mafalda sublinhou que era “dia de dar graças”, mas também de fazer “memória” e agradecer “o caminho” e “todas as experiências”, o “bom, mas também o mau”, as “conquistas” e “os fracassos”. “Acima de tudo, agradecemos Àquele que caminhou e caminha sempre connosco. Hoje é dia de dar graças a Deus por tudo o que vivemos. É dia de louvor e agradecimento pelos dons e talentos recebidos ao longo dos estudos e, em simultâneo, dia de compromisso. Compromisso de colocar em prática e ao serviço dos outros, tudo aquilo que aprendemos e fomos construindo”, salientou a jovem estudante, convidando ainda os colegas finalistas a terem “a coragem” de Maria, Mãe de Jesus. “Senhor Patriarca, pode contar connosco! Unidos pela alegria e de pastas na mão, partimos hoje como testemunhas que Cristo vive!”, terminou Mafalda Martinho, finalista de Ciências Farmacêuticas.

 

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“Estamos a pensar como podemos chegar mais ao interior das escolas, universidades e institutos, para levar a mensagem da JMJ para que os universitários sejam ponto de evangelização e missão dentro na universidade, para levar esta mensagem do que vai acontecer. Gostávamos que a JMJ não fosse um evento, mas o pretexto para renovação e mudança na Pastoral Universitária ao nível local, em Lisboa.”

Padre Nuno Amador, diretor da Pastoral Universitária de Lisboa, à Agência Ecclesia

  

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Fotos da Bênção de Finalistas Universitários: www.flickr.com/patriarcadodelisboa/albums

 

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texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Arlindo Homem
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