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“É tempo de dizer basta ao tráfico indiscriminado de armas”
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O Papa Francisco diz sentir-se “de coração partido” pela tragédia numa escola do Texas. Na semana em que enviou felicitações ao Patriarca de Moscovo, o Papa pediu “liberdade e tranquilidade” para a Igreja Católica na China, ouviu o seu enviado dizer que o conflito na Ucrânia é “um horror inimaginável” e lamentou o regresso da guerra à Europa.

 

1. O Papa Francisco lembrou que “é tempo de dizer basta ao tráfico indiscriminado de armas”. “Com o coração partido pela tragédia na escola do Texas, rezo pelas crianças, pelos adultos e pelas famílias. É tempo de dizer basta ao trafico indiscriminado de armas. Empenhemo-nos todos porque tragédias como esta não podem voltar a acontecer”, disse o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, 25 de maio, na sequência do ataque com uma arma de fogo, por parte de um jovem de 18 anos, nos Estados Unidos, que causou a morte, pelo menos, de 19 crianças e de dois adultos.

Na Praça de São Pedro, Francisco prosseguiu ainda a catequese sobre a velhice, destacando que os idosos têm uma missão muito importante no mundo. “Os idosos, ricos em sabedoria e humor, fazem muito bem aos jovens. Eles salvam-nos da tentação de um conhecimento do mundo triste e desprovido da sabedoria da vida. E levam-nos de volta à promessa de Jesus: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados’. Coragem a todos nós, idosos! Coragem e avante! Nós temos uma missão muito grande no mundo!”, salientou.

 

2. O Papa enviou felicitações ao Patriarca de Moscovo, por ocasião do Dia de São Cirilo. “Por intercessão do vosso padroeiro celeste, o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso nos conceda o dom da sua sabedoria, para que sejamos sempre humildes trabalhadores na vinha do Senhor”, escreveu Francisco, numa breve mensagem.

Assinalando a festa de São Cirilo, onomástico do Patriarca ortodoxo de Moscovo, no passado dia 24 de maio, o Santo Padre evoca o exemplo “do grande apóstolo dos eslavos”, para saudar o atual líder religioso russo e assegurar-lhe orações “por Vossa Santidade e pela Igreja confiada aos vossos cuidados pastorais”. E o Papa acrescenta: “Nestes dias, rezo ao nosso Pai Celestial para que o Espírito Santo nos renove e nos fortaleça no ministério do Evangelho, especialmente nos nossos esforços para proteger o valor e a dignidade de cada vida humana”. Francisco termina a breve saudação pedindo a Deus “o dom da sua sabedoria, para que sejamos sempre humildes trabalhadores na vinha do Senhor”.

 

3. O Papa pediu, no passado Domingo, 22 de maio, que a Igreja Católica na China possa viver em liberdade e tranquilidade. O apelo foi feito a partir do Vaticano, com Francisco a defender que os católicos possam professar livremente a sua fé e, assim, contribuir para o progresso daquele país asiático. “Que a Igreja na China, em liberdade e tranquilidade, possa viver em comunhão efetiva com a Igreja universal e exercitar a sua missão de anúncio do Evangelho a todos, oferecendo assim também um contributo positivo para o progresso espiritual e material da sociedade”, declarou o Papa, depois da oração do Regina Coeli. Este apelo foi feito poucos dias depois de as autoridades chinesas terem detido o cardeal Zen, Bispo emérito de Hong Kong, que foi acusado de estar concertado com forças estrangeiras, por administrar um fundo para apoiar manifestantes pró-democracia.

Perante milhares de peregrinos que ocorreram à Praça de São Pedro, Francisco voltou a condenar a violência. “Perguntemo-nos se, nos lugares onde vivemos, nós, discípulos de Jesus, nos comportamos assim: aliviamos as tensões, acabamos com os conflitos? Estamos também em atrito com alguém, sempre prontos a reagir, a explodir, ou sabemos responder com a não violência, com palavras de paz? Como é que eu reajo? Cada um se interrogue”, apelou. O Papa salientou que “quanto mais sentimos que o coração está agitado, quanto mais sentimos nervosismo, intolerância, raiva dentro de nós, mais devemos pedir ao Senhor o Espírito de paz”. “Peçamos também para aqueles que vivem ao nosso lado, para aqueles que encontramos todos os dias e para os líderes das nações”, convidou, agradecendo, ainda, aos que defendem a vida humana e o direito à objeção de consciência: “Infelizmente, nos últimos anos, houve uma mudança da mentalidade comum e hoje somos levados a pensar, cada vez mais, que a vida é um bem totalmente ao nosso dispor que podemos optar por manipular, fazer nascer ou morrer segundo o nosso agrado, como êxito exclusivo de uma escolha individual. Recordemos que a vida é um dom de Deus. É sempre sagrada e inviolável e que não podemos calar a voz da consciência”.

 

4. O chefe da diplomacia do Vaticano, arcebispo Paul Gallagher, visitou Bucha, um dos locais emblemáticos da tragédia da guerra na Ucrânia, e rezou junto a uma vala comum, próxima da Igreja ortodoxa de Santo André, de onde foram exumados mais de 100 corpos. “É um horror porque essas coisas foram feitas por homens a outros homens e feitas gratuitamente a civis, de uma forma completamente bárbara. E isso é realmente um horror. Somos testemunhas dos sofrimentos e martírio deste país”, declarou o arcebispo inglês, que também visitou Irpen, Vorzel e Kiev. Impressionado com esta experiência, o responsável da Santa Sé para as relações com os Estados comentou aos jornalistas: “Estou em Bucha, num lugar moderno como tantos noutras partes da Europa, e deparo-me com esta realidade: aqui, centenas de pessoas foram enterradas. É inimaginável. Tudo isto parte o coração”.

Sobre o futuro do povo ucraniano e as relações com a vizinha Rússia, o enviado do Papa considera que “os ucranianos encontrarão a paz entre si, mas as feridas são profundas e levará muito mais tempo para encontrar a paz com a Rússia e com as pessoas que estiveram envolvidas neste terrível conflito”. “Agora é difícil falar de paz e de reconciliação, porque no coração das pessoas os sofrimentos, as feridas são tão profundas que é preciso dar tempo e deixar as pessoas falarem”, apontou.

 

5. O Papa lamentou o regresso da guerra à Europa, apesar “da triste experiência de duas guerras mundiais e ameaças nucleares durante a Guerra Fria, juntamente com um crescente respeito pelo papel do direito internacional”. Durante a cerimónia de entrega de credenciais dos novos embaixadores do Paquistão, dos Emirados Árabes Unidos, do Burundi e do Qatar acreditados junto do Vaticano, no dia 19 de maio, o Papa recordou os numerosos canais da Santa Sé “para promover soluções pacíficas em situações de conflito e aliviar o sofrimento causado por outros problemas sociais, na convicção de que os problemas que afetam toda a família humana requerem uma resposta unificada da comunidade internacional, na qual cada membro faz a sua parte”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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