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À procura da Palavra
Deus Comunhão
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SANTÍSSIMA TRINDADE Ano C

“Quando vier o Espírito da verdade,

Ele vos guiará para a verdade plena.”

Jo 16,13

 

Há uma expressão antiga que diz assim: “se queres ver as pessoas unidas, põe-nas a construir uma catedral.” Mais até do que o edifício em si, o importante é a grandeza da obra e do objectivo, a capacidade de sonhar alto e do sacrifício em comum que une verdadeiramente as pessoas. E neste dia da Santíssima Trindade, no fundo a festa da maior “originalidade” da fé cristã, “um Deus em três pessoas”, pus-me a pensar no contraste real de tantas “capelinhas que se constroem, quando as pessoas se desunem.”

 

Comunhão é um dos melhores nomes para o mistério do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E seremos sempre como a criança que Santo Agostinho interpelou na praia, e que transportava nas suas mãozitas um pouco do mar, que queria colocar todo na pequena cova feita na areia. Sem nunca pôr limites à inteligência e procura humanas, tanto mais que Jesus nos prometeu que o Espírito da verdade nos guiaria para a verdade plena, é o “amor de Deus derramado nos nossos corações” que nos introduz em Deus-Trindade e Ele em nós. A fé, a esperança e o amor-caridade são forças (virtudes) de relação, que nos abrem e fazem interagir, com Deus e com os outros, e não ideias ou abstrações, eventuais boas intenções de uma autossuficiência estéril. 


Numa recente entrevista do Expresso a Carlo Rovelli, um dos maiores físicos teóricos do mundo, leio esta frase: “Imagine uma coisa que não interagisse com nada, o que seria? Se não a sentimos, nem a vemos, se nada interage com ela, o que é? E como se não existisse. Ser é, em essência, interagir”. E ainda que o contexto seja o científico, ouso analogias “teológicas” e existenciais. É na relação que nos conhecemos e progredimos. É para a relação filial e fraterna que Jesus nos renovou, e o sopro do Espírito nos impulsiona. Não há vida sem relações, e também aí a ciência e a fé sintonizam: “A mecânica do pensamento a partir da qual percebemos a realidade em termos de relações deveria ajudar-nos a compreender melhor a política, a nossa vida em comum, a organização do mundo. […] A Humanidade é um imenso esforço colaborativo. Iniciámos esta conversa a falar da guerra, e a guerra é o romper-se das relações. É colocar o individual à frente da colaboração.”


O teólogo Hans Urs von Balthasar fala da comunhão com um duplo fundamento: “a partir de Deus que não poderia oferecer uma comunhão pessoal consigo e entre os homens, se Ele próprio não fosse já comunidade insondável”, e “da própria humanidade. Se o homem não tivesse sido criado “à imagem e semelhança de Deus e para Deus” não experimentaria em si o impulso para procurar uma comunhão mais perfeita da humanidade.” Não é isto construir uma Catedral?

 

Ao iniciar a função de Director do nosso jornal “Voz da Verdade” desejo prestar homenagem aos directores que dele foram responsáveis nestes 90 anos de existência: Mons. Alberto Carneiro de Mesquita, Mons. Cón. D. João Filipe de Castro, P. Nuno Brás, P. Edgar Clara, Cón. Nuno Brás, P. Nuno Rosário Fernandes e D. Américo Aguiar. Aos seus nomes juntam-se os nomes dos imensos e dedicados colaboradores, antigos e actuais, que são imprescindíveis para a sua realização semanal. A todos um enorme agradecimento. Mas verdadeiramente importantes, neste serviço de comunicação da Igreja de Lisboa que desejamos ser, sois todos vós, caros leitores no papel ou nas redes, paróquias e comunidades, grupos e serviços, e o vosso contributo de opiniões e sugestões é essencial. Juntos iremos caminhando.

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