Lisboa |
Festa da Família 2022, em Vialonga
“Oferecer ao mundo a proposta matrimonial cristã”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa reforçou que a proposta matrimonial cristã “não é uma proposta qualquer”, mas “como o próprio Jesus Cristo a afirmou”. “Não é outra, não se confunde, nem se deixa confundir com outras”, garantiu D Manuel Clemente, na Festa da Família em Vialonga. “No próximo ano, a grande festa da família vai ser a JMJ Lisboa 2023”, revelaram os responsáveis desta pastoral.

 

Idalina e David Domingues celebram, neste ano, as bodas de ouro matrimoniais e participaram na Festa da Família em Vialonga. “O que mais guardamos destes 50 anos de casamento são os filhos e os netos”, diz David, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Ao lado, Idalina sorri e reforça a importância da “construção de uma família, a par da carreira profissional”. “Deu para conciliar”, considera. “Este menino, com uma vida ativa muito intensa em muitas áreas, desde o sindicalismo à política, desde ministro da comunhão à Comunidade Vida e Paz, nunca deixou de vir jantar em família. A família esperava por ele e sempre jantámos em família”, acrescenta, olhando orgulhosa para o marido. Idalina e David são de Leiria, namoraram pouco mais de um ano e casaram no dia 20 de fevereiro de 1972. “Valeu a pena o casamento”, asseguram, abraçados. Trabalharam em Lisboa, viveram em Cascais e residem atualmente em Arruda dos Vinhos. “Desde a reforma, há 15 anos”, contam. 

Em Vialonga, este casal está acompanhado da filha mais velha, Patrícia, de 46 anos e que esteve nas Equipas de Jovens de Nossa Senhora, e de duas netas – Leonor, de 10 anos, e Isabel, de 7 –, que vivem em Vila Franca de Xira. “Os avós são muito amigos”, dizem as duas, quase em ‘coro’, e de sorriso fácil. “A Leonor já é leitora e acólita na paróquia e a Isabel também já gosta de ajudar na igreja”, refere a avó. Idalina e David têm ainda um filho, de 45 anos, que lhes deu mais quatro netos. “Tinham três rapazes, o mais velho com 18 anos, e agora, há três meses, nasceu uma menina”, conta este casal, que esteve nas Equipas de Nossa Senhora “durante muitos anos”.

A família Domingues já tinha participado na Festa da Família em Mafra, em 2014. “A deste ano, contudo, era especial para nós”, referem. “Foi a nossa filha Patrícia quem insistiu para a inscrição oficial nas bodas jubilares”, assumem, sublinhando também “o convite feito pelo nosso pároco, o padre Daniel Almeida”. Para David, o importante é “manter o espírito de família”. “É isso que procuramos transmitir aos filhos e netos”, garante.

Da Festa da Família 2022, segundo este casal, fica o testemunho de muitas famílias cristãs. “Aqui constata-se que não fomos só nós a dizer que o Matrimónio é um caminho difícil, mas é uma fonte de alegria e de santidade. Tivemos aqui muita gente a testemunhar isso”, salientam Idalina e David Domingues, um casal cristão que, neste ano, celebra as bodas de ouro matrimoniais e que, no final da Missa, recebeu das mãos do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, uma pagela com a Oração à Sagrada Família. Um momento que foi vivido intensamente (também) pelas duas netas, que nunca largaram os avós.

 

Proposta “verdadeira”

Idalina e David foram um dos mais de 100 casais jubilares que participaram na Missa na Festa da Família em Vialonga – entre os mais de 400 que, este ano, se inscreveram para receberem o diploma com a bênção matrimonial –, e escutaram do Cardeal-Patriarca de Lisboa a importância do testemunho cristão. “Hoje lembramos e damos graças a Deus por todos os jubileus matrimoniais – 10 anos, 25 anos, 50 anos, mais anos –, porque cada ano e cada momento na vida de um casal cristão é um momento sacramental porque é vivido, com certeza, com a simpatia e com o amor humano, que é uma tarefa de todos os dias, mas sobretudo com a graça de Jesus Cristo e com aquele amor que vem de Deus, que preenche os nossos corações e permite que a proposta matrimonial cristã seja verdadeira, seja verificada e seja oferecida em cada um de vós”, assinalou D. Manuel Clemente, no início da sua homilia. Neste sentido, reforçou que a proposta matrimonial cristã “não é uma proposta qualquer”. “Nós não estamos a falar de coisas que não existem em lado nenhum, não estamos a falar de utopias, estamos a falar de realidades. Cada casal cristão, de sacramento do Matrimónio, unidos no Senhor Jesus, é um sinal de que isto é possível, de que a proposta, o projeto e a dádiva de Deus é possível. Tem nome, tem figura em cada casal que vive e que continua a viver e que oferece, neste mundo, a proposta matrimonial cristã, que não é uma proposta qualquer”, assinalou.

 

Tradição profética

O Parque Urbano da Quinta da Flamenga, em Vialonga, no concelho de Vila Franca de Xira, recebeu, ao longo de todo o passado Domingo, 26 de junho, a Festa da Família, organizada pela Pastoral Familiar de Lisboa. Esta iniciativa marcou o encerramento do X Encontro Mundial das Famílias, que decorreu em Roma e também em Lisboa e nas dioceses de todo o mundo, por desejo do Papa Francisco. Na Missa conclusiva, o Cardeal-Patriarca sublinhou que “tantos movimentos familiares e tantas realidades familiares” têm “na vida de oração que os mantém unidos com Cristo em Deus, a sua força, o seu sustento, o seu presente e o seu futuro”. “Isto é a verdade. Não é uma utopia, é uma realidade, e é do melhor que a Igreja de Cristo tem para oferecer ao mundo: a verdade da proposta matrimonial cristã. Que não é outra, não se confunde, nem se deixa confundir com outras. É esta, assim, como o próprio Jesus Cristo a afirmou e que os Evangelhos citam várias vezes: «Sairá o homem da casa dos seus pais, unir-se-á à sua mulher, fará com ela uma só carne» – quer dizer, como um só –; «Não separe o homem o que Deus uniu»”, lembrou.

D. Manuel Clemente considerou, por isso, que os casais cristãos “são uma tradição profética no mundo”. “Todos aqueles que nascemos em famílias cristãs, que viveram exatamente este projeto e esta proposta matrimonial cristã, todos eles sucederam a outros e a muitos outros, são uma profecia, o que quer dizer são uma manifestação daquilo que Deus quer na vida concreta de tanta gente, de tantos casais e de tantas famílias”, garantiu o Cardeal-Patriarca, que se mostrou “muito grato” pela “presença, pelo testemunho e pela profecia” dos casais cristãos. “Caríssimas famílias, caríssimos casais jubilares e todos: muito obrigado pela profecia que são! Muito obrigado porque não desistem, muito obrigado porque nos afirmam que, com a liberdade de Cristo, é possível. A vossa vida é uma afirmação da certeza de Deus”, terminou.

 

JMJ é “a grande festa de 2023”

No final da Missa, o casal diretor da Pastoral Familiar de Lisboa mostrava-se muito feliz pelo regresso da Festa da Família em modo presencial e pela promoção da Família que esta iniciativa proporciona. “Como é bom voltar a celebrar a Família com esta dimensão humana, vivendo todos juntos esta alegria de ser Família! Como é importante promover a Família, fazendo chegar aos outros a fé, a esperança e o amor que se vivem e transmitem no seio das nossas famílias. Damos graças a Deus por todas as famílias e pela vida que elas geram, não apenas a vida biológica, mas principalmente a vida em abundância, aquela que brota do amor de quem vive unido a Cristo”, referiu Tiago Líbano Monteiro.

A mulher, Regiani, anunciou que “no próximo ano não vamos fazer a Festa da Família”, porque “está bem forte, no nosso horizonte, em particular de toda a Diocese de Lisboa, a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023”. “A grande festa de 2023 será a JMJ em Lisboa. Todos somos chamados a acolher, na nossa diocese, o evento com maior número de participantes do mundo. A cada uma das famílias aqui presentes, reforçamos este pedido: ofereçam-se para ajudar, para acolher, para rezar, para apoiar. Que nenhuma família deixe passar ao lado a JMJ Lisboa 2023”, desejou esta responsável, no encerramento da Festa da Família 2022, em Vialonga.

  

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“Trazer a família para o centro das preocupações pastorais”

O presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família participou, em Roma, no X Encontro Mundial das Famílias (EMF) e, no final, desejou que a Igreja dê prioridade à Pastoral Familiar. “Precisamos de trazer a família para o centro das preocupações pastorais da Igreja e da sua missão, porque a Pastoral Familiar é transversal”, referiu D. Joaquim Mendes, em declarações à Agência Ecclesia. Para este responsável, a aposta deve estar também na preparação para o Matrimónio. “Devemos propor, para o sacramento do Matrimónio, um tempo longo de preparação, para que haja menos matrimónios nulos e haja famílias com identidade cristã, com uma missão concreta na Igreja e no mundo”, indicou. Dos dias vividos em Roma, de 22 a 26 de junho, o prelado sublinha a participação dos 63 casais que partilharam a sua experiência, no X EMF, mostrando que as famílias são “sujeito de evangelização”.

A delegação de Portugal no Vaticano foi constituída – além do presidente desta comissão episcopal, D. Joaquim Mendes, do vogal, D. Armando Esteves, e do secretário, José Francisco Cruz – pelos seis casais do Departamento Nacional da Pastoral Familiar (DNPF), pelo seu assistente nacional, padre Francisco Ruivo, e pela colaboradora irmã Inês Senra, snsf. Para o casal diretor do DNPF, Isabel e Francisco Pombas, o “formato testemunhal das conferências” procurou colocar o foco nas “famílias como vocação e caminho de santidade”. Para o responsável, houve também a preocupação da “missão”. “Tornar o Matrimónio não apenas numa vocação, mas consciencializar as famílias que, para além de uma vocação, o casamento, a vida familiar, têm uma função na sociedade e têm uma função na Igreja. Isso transpareceu do encontro”, assinalou Francisco Pombas, à Agência Ecclesia. Para a mulher, Isabel, os patronos do X EMF, Maria e Beltrame Quatrocchi, levam “a perceber que o Matrimónio pode ser caminho de santidade”. “Para tal, não são precisos grandes feitos, basta vivermos o nosso dia a dia, estarmos atentos aos outros, fazermos trabalho social na Igreja e fora da Igreja”, considerou esta responsável, à Agência Ecclesia, sublinhando igualmente que “a santidade passa pela capacidade de perdoar”.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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