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“Uma Igreja animada pelo desejo de chegar a todos. Mesmo todos”
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O Papa Francisco quer uma Igreja onde cada um se possa sentir “acolhido e acompanhado”. Na semana em que o Papa escreveu uma carta sobre liturgia para acabar com controvérsias, foi apresentado o Jubileu 2025 e foi lembrada a guerra na Ucrânia. Aos jovens, ficou o apelo para que façam uma “aposta corajosa” no casamento.

 

1. O Papa denunciou as “resistências interiores que não nos deixam pôr em marcha” e reconheceu que, “por vezes, como Igreja, somos dominados pela preguiça e preferimos ficar sentados a contemplar as poucas coisas seguras que possuímos, em vez de nos erguermos e lançar o olhar para horizontes novos, para o mar alto”. Na homilia que proferiu na Missa da solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, a 29 de junho, na Basílica de São Pedro, Francisco criticou os que permanecem acorrentados à rotina e assustados pelas mudanças. Assim, “cai-se na mediocridade espiritual, corre-se o risco de ‘ir sobrevivendo’ mesmo na vida pastoral, esmorece o entusiasmo da missão e, em vez de ser sinal de vitalidade e criatividade, a impressão que se dá é de tibieza e inércia”.

Na Missa em que benzeu os pálios dos arcebispos nomeados no último ano – incluindo D. José Cordeiro, novo Arcebispo de Braga, que esteve presente na celebração –, o Papa disse desejar uma Igreja “sem correntes nem muros, onde cada qual se possa sentir acolhido e acompanhado, onde se cultive a arte da escuta, do diálogo, da participação, sob a única autoridade do Espírito Santo”. Uma Igreja “livre, humilde e animada pela paixão do anúncio do Evangelho e pelo desejo de chegar a todos, e a todos acolher. Mesmo todos, sem exceção!”.

Depois, no Angelus, Francisco voltou a apelar ao fim da “louca guerra” na Ucrânia e condenou o ataque a um centro comercial. “Trago no coração todos os dias a carne martirizada da Ucrânia que continua a ser flagelada por bárbaros ataques como aquele que atingiu o centro comercial de Kremenchuk”, disse Francisco, pedindo que “esta louca guerra encontre o seu fim” e renovando “o convite a perseverar, sem descanso na oração pela paz”. “Que o Senhor abra as vias do diálogo que os homens não querem ou não conseguem encontrar. E não deixem de socorrer a população ucraniana que tanto sofre”, concluiu.

Ainda neste dia, o Vaticano lançou o jornal ‘L’Osservatore di strada’ (‘O Observador da rua’), para “dar voz aos que não têm voz, alimentar a cultura do encontro, favorecer a amizade social e contribuir para organizar a esperança”, que vai ser distribuído junto à Praça de São Pedro, no primeiro Domingo de cada mês.

 

2. A Carta Apostólica ‘Desiderio desideravi’ (‘Desejei intensamente’) foi publicada esta quarta-feira, 29 de junho, e o objetivo é “oferecer alguns pontos de reflexão para contemplar a beleza e a verdade do modo de celebrar cristão”. Dirigido aos bispos, sacerdotes e diáconos, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos, o documento tem 65 parágrafos e reafirma a importância da comunhão eclesial centrada no rito que resultou da reforma litúrgica pós-conciliar. “Redescobrir a beleza da liturgia, abrir-se à formação e deixar-se formar por ela, pode ajudar a limpar o campo de tantas inadequações”, escreve Francisco. “Se participar na celebração significa ‘ouvir as palavras’ de Jesus e ‘ver os seus gestos, mais vivos do que nunca’, não podem prevalecer o protagonismo narcisista do celebrante, a espetacularização, a rigidez austera ou o desleixo e banalização”, acrescenta. O Papa recorda que a liturgia, “fonte e cume” da vida cristã, não pode ser “transformada no campo de batalha onde se tenta passar uma visão da Igreja que não aceita o que foi estabelecido sinodalmente pelo Concílio Ecuménico Vaticano II”.

No final da carta, Francisco deixa um apelo: “Abandonemos a controvérsia para ouvirmos juntos o que o Espírito diz à Igreja, guardemos a comunhão, continuemos a maravilhar-nos com a beleza da liturgia”.

 

3. Na apresentação oficial do Jubileu de 2025, que tem como lema ‘Peregrinos de Esperança’, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização anunciou que o Papa Francisco “pediu que estes dois anos que separam do Jubileu se concentrem em dois temas particulares”, segundo D. Rino Fisichella. Assim, 2023 “será dedicado a revisitar os temas fundamentais das quatro Constituições conciliares para que a Igreja possa respirar novamente o ensinamento profundo e atual produzido pelo Concílio Vaticano II”; e 2024 “será um ano dedicado à oração para criar um contexto favorável ao Jubileu e permitir que os peregrinos se preparem para este evento, que é sobretudo espiritual, de forma coerente e eficaz”.

Neste dia 28 de junho, foi ainda apresentado o logotipo oficial do Jubileu 2025.

 

4. No final da oração do Angelus, no passado Domingo, 26 de junho, o Papa solidarizou-se, uma vez mais, com o povo da Ucrânia e denunciou os bombardeamentos que “continuam a causar mortes destruição e sofrimento na população”. “Por favor não esqueçamos este povo afligido pela guerra; não os esqueçamos no coração e nas nossas orações”, pediu.

Francisco também manifestou preocupação pela situação no Equador, encorajando aquele povo a abandonar a violência e as posições extremas para apostar no diálogo sem esquecer “as populações marginalizadas e mais pobres, mas sempre respeitando os direitos de todos e as instituições do país”.

 

5. O Papa apelou aos jovens para que façam uma “aposta corajosa” no casamento. Francisco participou, na tarde de 25 de junho, na Missa de encerramento do X Encontro Mundial das Famílias, na Praça de São Pedro. “A aposta no amor familiar é corajosa. É preciso coragem para se casar. Vemos tantos jovens que não têm coragem para se casar, não é? E muitas vezes, algumas mães dizem-me ‘faça alguma coisa, fale com o meu filho que não se casa… e tem 37 anos”. Mas, minha senhora, não lhe engome as camisas, comece a mandá-lo embora, para que saia do ninho! Porque o amor familiar também leva os filhos a voarem, não é possessivo, é sempre um amor de liberdade”, referiu.

Interrompido por aplausos, o Papa reconheceu, com o seu habitual realismo, que também há momentos de crise, pois “em todas as famílias há crises”. “Mas, por favor, não tomem o caminho fácil de voltar para casa da mãe. Não! Sigam por diante, com esta aposta corajosa”, aconselhou, definindo a família como “lugar do encontro, da partilha, da saída de si mesmo para acolher o outro e estar junto dele” e, sobretudo como “o primeiro lugar onde se aprende a amar”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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