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“Ajudar os jovens a usar os meios digitais com senso crítico”
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O Papa sublinhou que a paz deve ser promovida no mundo digital. Na semana em que o Vaticano anunciou uma nova política de investimentos, Francisco pediu para não se alimentar “a insensatez da guerra”, nem se esquecer o “martírio” da população ucraniana e voltou a apelar à denúncia de casos de abusos.

 

1. O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do Congresso Mundial da Associação Internacional Católica de Comunicação (SIGNIS), marcado para Seul, na Coreia do Sul, de 15 a 18 de agosto, onde sublinha que os meios digitais são “um meio potente para promover a paz”. O Papa diz que, “às vezes, os sites dos meios de comunicação tornaram-se locais tóxicos, com discursos de ódio e fake news”, pelo que “é necessário ajudar os jovens a usá-los com um senso crítico”. Nestes dias “marcados por novos surtos de violência e agressão”, Francisco considera oportuna a escolha do tema ‘Paz no Mundo Digital’ e valorizou o papel dos média no contexto da pandemia. “Durante os meses de bloqueio devido à pandemia, vimos claramente como os meios de comunicação digital foram capazes de nos unir, não apenas divulgando informações essenciais, mas também superando a solidão do isolamento e, em muitos casos, unindo famílias inteiras e comunidades eclesiais em oração e adoração”, lembrou. “A revolução operada pelos média nas últimas décadas provou ser um poderoso meio de promover a comunhão e diálogo no seio da nossa família humana”, acrescentou.

O Papa lembra ainda as “muitas comunidades que permanecem excluídas do espaço digital” para defender “a inclusão digital como uma prioridade do planeamento das organizações”.

 

2. O Vaticano anunciou, a 19 de julho, uma nova política de investimentos para garantir que sejam “éticos, verdes e de baixo risco”. Os investimentos da Santa Sé devem evitar indústrias de armamento ou setores de saúde envolvidos em aborto, contraceção ou células-tronco embrionárias. As novas diretrizes ordenam que os departamentos do Vaticano encerrem as suas contas de investimento ou ações em bancos estrangeiros, incluindo Itália. As contas devem ser transferidas para o Banco do Vaticano, de forma a serem supervisionadas por um departamento chamado Administração do Património da Santa Sé (APSA).

A nova Declaração de Política de Investimento retira a todos os departamentos do Vaticano a capacidade de investirem seus fundos de forma independente e chega após vários escândalos financeiros. A transparência nas finanças do Vaticano tem sido uma das preocupações do Papa.

 

3. O Papa Francisco apelou a que os agentes internacionais não alimentem “a insensatez da guerra”. Referindo-se à Ucrânia, o Santo Padre voltou a apelar a um retomar das negociações para resolver o conflito. “Estou também sempre próximo da população martirizada da Ucrânia, diariamente atingida por uma chuva de mísseis. Como é que não se percebe que a guerra só causa destruição e morte, afastando os povos e matando a verdade e o diálogo?”, questionou, após a oração Angelus, no passado Domingo, 17 de julho, exprimindo, de novo, a sua proximidade ao povo do Sri Lanka, depois da queda do governo na sequência de intensos protestos. “Uno-me a vós na oração e exorto todas as partes a encontrar uma solução pacífica para a presente crise, em particular, a favor dos mais pobres, respeitando o direito de todos”, declarou, pedindo ainda a todos que se abstenham “de todo o tipo de violência” e apelando ao diálogo “pelo bem comum”.

O Papa referiu-se, igualmente, ao Canadá, país que vai visitar a partir deste Domingo, 24 de julho, até ao dia 30. Francisco estará, sobretudo, em locais relacionados com as comunidades indígenas: Edmonton, Quebec e Iqaluit. “Muitos cristãos, incluindo alguns membros de institutos religiosos, contribuíram para as políticas de assimilação cultural que, no passado, danificaram gravemente em vários modos as comunidades nativas”, recordou, referindo que se prepara para realizar uma peregrinação penitencial para contribuir “para o caminho de cura e de reconciliação”.

 

4. O Papa renovou a sua solidariedade à população ucraniana, manifestando o receio de que a guerra no leste da Europa venha a cair no esquecimento da opinião pública. “Muitas vezes penso que um dos maiores perigos, agora, é esquecer o drama da Ucrânia. A pessoa habitua-se, habitua-se… depois não é assim tão importante. Um dia destes, vi no jornal que a notícia sobre a guerra estava na página 9! Não é um problema que interesse e isso é feio, é feio”, declarou, dirigindo-se, no Vaticano, a um grupo de religiosos ucranianos, recebidos em audiência a 14 de julho, juntamente com os participantes de capítulos gerais de três congregações. Francisco referiu que a Ucrânia vive um momento de “dor” e “martírio”. “Gostaria de dizer que estou próximo de vós, toda a Igreja está próxima, toda. Acompanhamos-vos como podemos, na vossa dor. Estamos próximos, por isso, e todos nós devemos olhar para eles, porque neste momento estão no martírio”, assinalou.

 

5. O Papa reafirmou o pedido de “tolerância zero” perante situações de abusos sexuais e apelou à denúncia. “Tolerância zero. Não tenham vergonha de denunciar: ‘este fez isto, aquele…’. Acompanho-te, és um pecador, és uma pessoa doente, mas tenho de proteger os outros”, declarou, no Palácio Apostólico, ao receber os participantes de três Capítulos Gerais que estão a decorrer em Roma: da Ordem Basiliana de São Josafat, da Ordem da Mãe de Deus e da Congregação da Missão (Vicentinos). “Por favor, peço isto: tolerância zero. Não se resolve a questão com uma transferência. ‘Ah, mando-o deste continente para outro’. Não”, referiu, numa passagem improvisada do seu discurso, divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé. “Por favor, lembrem-se bem disto: tolerância zero para os abusos de menores ou pessoas incapazes, tolerância zero. Por favor, não escondam esta realidade”, insistiu.

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