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Levar Deus às vítimas do terrorismo de Cabo Delgado, em Moçambique
“Tudo pelos outros”
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Foi invulgar. Cerca de 7000 pessoas, vítimas da violência terrorista em Cabo Delgado, participaram numa acção missionária promovida pela Comunidade Shalom e apoiada pela Fundação AIS. Seis campos de deslocados foram palco deste projecto que se explica em duas simples palavras: evangelização e socorro… Foi em Fevereiro. Numa altura em que os ventos da violência e do terrorismo voltaram a soprar no norte de Moçambique, vale a pena recordar esta iniciativa…

 

Verónica Abraão, de 83 anos, tem um sorriso luminoso que lhe faz quase desaparecer as rugas do rosto. Ela vive num campo de deslocados em Montepuez, na província de Cabo Delgado. Verónica vivia longe dali, em Muatide, quando os ataques dos terroristas se tornaram muito frequentes. “A única alternativa era fugir. Juntamente com outras pessoas, fugi para o mato e acabei por cair num buraco… Fomos à procura de um riacho, para conseguir água para beber”, explica. Ficaram três dias meio escondidos até que se decidiram a avançar para uma estrada onde apanhariam boleia, primeiro até à vila de Mueda e depois até Montepuez, o campo de deslocados. O campo é um somatório de casas construídas com paus entrelaçados, colmo e barro. Alberto Nyangu vive também por lá e também é deslocado. Alberto e Verónica participaram em Fevereiro numa iniciativa da Comunidade Shalom que abrangeu um total de cinco campos de deslocados na região de Montepuez. Ao todo, foram cerca de 1500 famílias, cerca de 7000 pessoas que se cruzaram com os missionários da Igreja, apoiados pela Fundação AIS. No final da iniciativa, Alberto Tomás Nyangu, de 30 anos de idade, fez questão de “agradecer muito” a forma como se sentiu acolhido. “Queria agradecer muito a forma como foi distribuída a alimentação, tratando-nos com dignidade e amor.” Esta iniciativa da Igreja pode resumir-se a duas simples palavras: evangelização e socorro.

 

Não há dinheiro que pague…

A região de Montepuez é terra de missão, de primeira evangelização. A Irmã Isabel, das Franciscanas Missionárias de Maria, participou também nesta iniciativa e é com os olhos brilhando de alegria que recorda o encontro com as populações vítimas do terrorismo e que vivem agora em campos de deslocados. “Os missionários ofereceram brinquedos às crianças, fizeram cabazes de comida para os distribuir aos pobres e deslocados, rezaram com eles e por eles. Dançaram, jogaram, animaram de mil maneiras as crianças”, descreve a Irmã Isabel, concluindo: “foi lindo e agradável a Deus…” Larissa tem 27 anos, é consagrada da Comunidade Shalom e foi uma das “activistas” desta iniciativa. Ela andou por todos os campos de deslocados de Montepuez a matar a fome de comida e do Sagrado. “Tivemos a graça de levar connosco cerca de 1000 terços e 1000 imagens do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria para distribuir, juntamente com os alimentos – destinados a mais de 1000 famílias – tudo subsidiado pela AIS, a Ajuda à Igreja que Sofre.” Num dos campos, Larissa comoveu-se com a resiliência daquelas pessoas que tiveram de fugir, que passaram fome, que tiveram de se esconder nas matas, e que ali, nos campos de deslocados, se ajoelharam, rezaram e participaram numa procissão com uma imagem de Nossa Senhora. “Tudo me marcou bastante… E depois, ouvir e ver os testemunhos de gratidão de quem sentiu que não está abandonado, que Deus os ama e cuida… isso não tem preço. Não há dinheiro no mundo que pague isso. Somente gratidão.”

 

Presença da Fundação AIS

O norte de Moçambique, em especial a província de Cabo Delgado, tem sido afectada pela violência de grupos armados que reivindicam pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico, e que desde Outubro de 2017 já causou mais de 3000 mortos e mais de 800 mil deslocados. Toda esta situação tornou Moçambique num país prioritário para a Fundação AIS. Graças à solidariedade dos benfeitores da instituição tem sido possível apoiar as dioceses mais atingidas pelo terrorismo com projectos de assistência pastoral e de apoio psicossocial, mas também no fornecimento de materiais para a construção de dezenas de casas, centros comunitários e ainda a aquisição de veículos para os missionários. Numa altura em que notícias de novos ataques voltam a sobressaltar o norte de Moçambique, é bom saber que a Igreja está presente junto destas populações que tanto têm sofrido…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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