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Papa faz apelo: “Sejamos construtores da paz”
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O Papa Francisco deixou um apelo à “concórdia e reconciliação” no mundo. Na semana em que foi apresentado o encontro ‘A Economia de Francisco’, o Papa concedeu uma entrevista à TVI/CNN Portugal, beatificou o Papa do sorriso e recordou que a Igreja “é chamada a ser ‘hospital de campanha’”.

 

1. O Papa voltou a dizer que o mundo está a “viver uma guerra mundial”. No final da audiência-geral de quarta-feira, 7 de setembro, Francisco voltou a lembrar “a atormentada Ucrânia” e pediu o fim da contenda, deixando um apelo à “concórdia e reconciliação” no mundo. “Diante de todos os cenários de guerra do nosso tempo, peço, sejamos construtores da paz e rezemos para que no mundo sejam difundidos pensamentos de concórdia e reconciliação. Hoje estamos a viver uma guerra mundial. Paremos, por favor”, apelou o Papa, confiando “à Virgem Maria todas as vítimas da guerra; de todas as guerras e de modo especial aquela população ucraniana”.

Na Praça de São Pedro, durante o encontro público semanal, o Papa destacou que “discernir é ouvir o próprio coração”. Na sua catequese, em que deu continuidade à reflexão sobre o discernimento espiritual, Francisco recordou o fundador da Companhia de Jesus. “Santo Inácio de Loyola ensina-nos o discernimento, que ele mesmo aprendera a partir de um episódio concreto da sua vida”, sublinhou, lembrando que, numa guerra, o santo “ficou ferido numa perna” e que, “na sua longa convalescença, porque não tinha livros de cavalaria, se pôs a ler a vida dos santos”. Desse modo, “começou a descobrir outro mundo, que o fascinou”. “É o discernimento que nos ajuda a reconhecer os sinais com que Deus se faz encontrar por nós, mesmo nas situações imprevistas e contratempos, como foi para Inácio de Loyola aquela ferida na perna. Daí pode nascer um encontro, que muda a vida para sempre”, concluiu.

 

2. Foi apresentado no Vaticano, o encontro ‘A Economia de Francisco’, que vai reunir o Papa com jovens economistas e empresários de todo o mundo, em Assis, de 22 a 24 de setembro, e onde são esperados mil participantes, com o arcebispo Domenico Sorrentino, presidente do comité organizador, a lembrar o caminho feito em três anos de projeto, apesar dos constrangimentos da pandemia. “Houve uma série de iniciativas em streaming, em todos os continentes. Criámos uma escola de verão e uma academia, o Papa falou com os participantes à distância e os jovens estiveram sempre apaixonadamente envolvidos”, sublinhou. “‘A Economia de Francisco’ não é uma espécie de ‘brain storming’ juvenil sem direção. O que se espera é que os jovens que vão firmar um Pacto com o Papa, se empenhem em abrir um diálogo com a economia real, o mundo empreendedor, as instituições bancárias, os gigantes da energia e os centros financeiros. Muitos dirão que é David contra Golias. Mas, como ensina a Bíblia e recorda o Papa, ‘a Deus nada é impossível’”, acrescentou.

 

3. Francisco garantiu que o Papa vai esta na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, só não assegurou se será ele. “Eu penso ir. Vai Francisco ou João XXIV. Mas o Papa vai", afirmou, entre risos, à jornalista Maria João Avillez. Durante a entrevista à TVI/CNN Portugal, que foi transmitida na integra no dia 5 de setembro, foi pedido ao Papa uma palavra que “ponha luz e reconciliação no caminho da Igreja portuguesa, que neste momento vive um momento muito difícil, até às Jornada da Juventude”. O Papa respondeu: “Olhem para a janela e perguntem se a tua vida tem uma janela aberta. Se não tiverem, abram-na o quanto antes. Não tenham vistas curtas. Saibam que estamos a caminhar para o futuro e que há um caminho. Não se fechem. Não se pode viver sem esperança, não se pode viver sem esse ímpeto positivo da esperança”. Francisco afirmou ainda que o conselho que dá à Igreja portuguesa para se preparar para a JMJ, que se realiza em agosto de 2023, é que “abra a janela”. “Vejam além do nariz. Olhem, abram, olhem para o horizonte. E alarguem o coração”, realçou.

 

4. O Papa Francisco considera que João Paulo I, beatificado no dia 4 de setembro, viveu “sem cedências e amando até ao extremo”. “Com o sorriso, o Papa Luciani conseguiu transmitir a bondade do Senhor”, referiu Francisco, durante a celebração. “É bela uma Igreja com um rosto alegre, sereno e sorridente, que nunca fecha as portas, que não exacerba os corações, que não se lamenta nem guarda ressentimentos, que não é bravia nem impaciente, não se apresenta com modos rudes, nem padece de saudades do passado”, afirmou ainda o Papa, acrescentando: “Rezemos a este nosso pai e irmão e peçamos-lhe que nos obtenha ‘o sorriso da alma’”.

Sob uma chuva intensa e poucos fiéis na Praça de São Pedro, o Papa Francisco sublinhou que o novo beato viveu “na alegria do Evangelho, sem cedências, amando até ao extremo” e “encarnou a pobreza do discípulo, que não é apenas desapegar-se dos bens materiais, mas sobretudo vencer a tentação de me colocar a mim mesmo no centro e procurar a glória própria”.

A inexplicável cura científica de uma criança argentina, Candela Soza – hoje com 20 anos –, gravemente afetada por uma epilepsia refratária maligna, há cerca de dez anos, foi o milagre reconhecido pela Santa Sé para a beatificação do Papa João Paulo I, eleito a 26 de agosto de 1978 e cujo pontificado durou apenas 33 dias, morrendo inesperadamente a 28 de setembro desse mesmo ano.

 

5. Numa audiência a membros da Fundação AVSI para o Projeto ‘Hospitais Abertos na Síria’, o Papa Francisco reafirmou que a “Igreja é chamada a ser um ‘hospital de campanha’. “A crise síria, segundo os observadores internacionais, continua a ser uma das crises mais graves do mundo, com destruição, crescentes necessidades humanitárias, colapso socioeconómico, pobreza e fome em níveis extremamente severos”, lembrou o Papa, no encontro realizado no Palácio Apostólico, a 3 de setembro, reafirmou que a Igreja “é chamada a ser um ‘hospital de campanha’, para curar tanto as feridas espirituais quanto físicas”. “Nas nossas instituições de caridade, as pessoas, especialmente os pobres, devem sentir-se ‘em casa’ e sentir um clima de acolhimento digno”, realçou.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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