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“O meu coração está sempre virado para o povo ucraniano”
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O Papa Francisco assumiu que traz dentro de si “a dor” dos ucranianos. Na semana em que celebrou os 60 anos do Concílio Vaticano II, o Papa canonizou dois italianos, mostrou-se preocupado com a ameaça nuclear e telefonou a um pároco italiano empenhado no combate à máfia.

 

1. O Papa fez mais um apelo aos responsáveis para porem fim à violência na Ucrânia e solidarizou-se com as populações mais afetadas pelos bombardeamentos. “Nestes dias, o meu coração está sempre virado para o povo ucraniano, especialmente para os habitantes das localidades sobre as quais se concentram os bombardeamentos. Trago dentro de mim a sua dor e, por intercessão da Santa Mãe de Deus, apresento-os ao Senhor, na oração”, referiu Francisco, no final da audiência-geral de quarta-feira, 12 de outubro, na Praça de São Pedro. O Papa implorou, depois, a Deus “para que possa transformar o coração de todos os que detêm as sortes da guerra, para que parem a violência e se possa reconstruir uma convivência pacífica na justiça”.

Durante a saudação aos peregrinos de língua alemã, Francisco não esqueceu Fátima. “Que a Virgem Maria, cujas aparições em Fátima lembraremos amanhã (13 outubro), seja nosso guia no caminho da conversão contínua e penitência para encontrar Cristo, o sol da justiça. Que sua luz suave nos liberte de todo o mal e dissipe a escuridão deste mundo atormentado por guerras”, disse.

 

2. O Concílio Vaticano II foi uma grande resposta à pergunta que Jesus fez a Pedro «Amas-Me?», disse o Papa, na homilia da Missa que presidiu na Basílica de São Pedro, no dia 11 de outubro, e onde, excecionalmente, junto ao altar da confissão, foi colocada a urna com o corpo embalsamado de João XXIII. Foi a primeira vez na história que a Igreja “dedicou um Concílio a interrogar-se sobre si mesma, a refletir sobre a sua própria natureza e missão”, disse Francisco. “Reencontremos a paixão do Concílio e renovemos a paixão pelo Concílio!”, apelou.

A partir da riqueza deste acontecimento histórico, inaugurado por João XXIII a 11 de outubro de 1962 e encerrado por Paulo VI a 8 de dezembro de 1965, Francisco fez uma reflexão com base em três olhares. O primeiro é o olhar do alto, ou seja, “com olhos enamorados de Deus”, porque “existe sempre a tentação de partir do eu antes que de Deus, colocar as nossas agendas antes do Evangelho, deixar-se levar pelo vento do mundanismo para seguir as modas do tempo ou rejeitar o tempo que a Providência nos dá”. Francisco quer uma Igreja “enamorada por Jesus” e “sem tempo para confrontos, venenos e polémicas”. O segundo olhar que o Concílio ensina é “o olhar no meio, estar no mundo com os outros e sem nunca se sentir acima dos outros”. Por isso, o Concílio é tão atual: “Ajuda-nos a rejeitar a tentação de nos fecharmos nos recintos das nossas comodidades e convicções”. O terceiro olhar é um olhar de conjunto. Referindo-se às divisões que nasceram no pós-Concílio, Francisco lamentou os que preferiram “ser adeptos do próprio grupo em vez de servos de todos, ser progressistas e conservadores em vez de irmãos e irmãs, serem de direita ou de esquerda mais do que ser de Jesus”. E deixou uma advertência: “O Senhor não nos quer assim: somos as suas ovelhas, o seu rebanho, e só o seremos juntos, unidos”.

 

3. Perante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa canonizou, no passado Domingo, 9 de outubro, dois italianos, o farmacêutico e enfermeiro salesiano Artemide Zatti, que dedicou toda a vida aos doentes, e Giovanni Battista Scalabrini, bispo e fundador de uma congregação missionária, especialmente vocacionada para acompanhar os migrantes. “Tenho medo quando vejo comunidades cristãs que dividem o mundo em bons e maus, em santos e pecadores. Assim, acaba-se por se sentir melhor do que os outros e manter fora muitos que Deus quer abraçar”, denunciou o Papa, na homilia da Missa, renovando o apelo à inclusão de todos, quer na Igreja, quer na sociedade, “ainda marcadas por tantas desigualdades e marginalizações”.

A propósito da canonização de Giovanni Battista Scalabrini, o Papa considerou “escandalosa a exclusão dos migrantes”, classificando-a de “criminosa, porque leva-os a morrer à nossa frente”. Ao recordar que “o Mediterrâneo é hoje o maior cemitério do mundo”, Francisco acrescentou que “a exclusão dos migrantes mete nojo e é pecaminosa”. Sobre a canonização do irmão salesiano Artemide Zatti, o Santo Padre considerou-o “um exemplo vivo de gratidão porque, curado da tuberculose, dedicou toda a sua vida a favorecer os outros e a cuidar com amor e ternura dos doentes”.

 

4. “Não podemos esquecer o perigo de guerra nuclear que então ameaçava o mundo naquele momento”, disse o Papa, na manhã do passado Domingo, 9 de outubro, ao recordar a época do Concílio Vaticano II, inaugurado há 60 anos. Francisco deixou assim, de forma indireta, uma referência à cada vez maior tensão na guerra na Ucrânia, e às ameaças russas de uso de armas de destruição maciça. “Por que não aprender com a história? Mesmo naquela época havia conflitos e grandes tensões, mas o caminho pacífico foi escolhido”, afirmou, após a oração do Angelus.

 

5. O Papa Francisco telefonou ao padre Maurizio Patriciello, pároco do município italiano de Caivano, na província de Nápoles, que vive com escolta pelo seu compromisso na luta contra a máfia na chamada ‘Terra do Fogo’, no sul da Itália. “O telefonema durou alguns minutos. Ele disse que conhecia a situação em que trabalhamos, os problemas que temos com a ‘Camorra’. Que estava próximo e orava por mim e também pediu orações”, revelou o sacerdote, ao portal de notícias do Vaticano.

A 12 de março, no dia do aniversário do sacerdote, uma bomba explodiu em frente à igreja de São Paulo Apóstolo, no Parque Verde de Caivano. “Fiquei feliz porque o Papa sabia tudo sobre o assunto; e queria que eu soubesse que ele estava próximo, rezava por mim, e encorajava a continuar o que estou a fazer”, adiantou o padre Maurizio Patriciello, referindo que o telefonema do Papa foi feito pela hora do almoço, no dia 7 de outubro, sexta-feira. “Era um número desconhecido”, e foi “realmente uma surpresa porque não deixou ninguém anunciá-lo”. “Sou o Papa Francisco”, disse.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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